Série B: Projeto mal-conduzido de cogestão provoca a queda de Palmeron no Guarani

Pressionado por conselheiros, presidente pediu renúncia por telefone. Depois disse que tudo foi um 'mal entendido'

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 09 (AFI) - Um verdadeiro furacão político criou uma profunda mudança no comando do Guarani. Palmeron Mendes Filho acordou presidente, mas foi dormir como apenas um bom advogado. Na reunião do Conselho Deliberativo realizada na noite dessa quinta-feira, percebendo que uma proposta de terceirização ou cogestão do futebol para o grupo Magnum/ASA não ia prosperar, Palmeron Mendes Filho e seu vice, Eurípedes Assis, renunciaram ao mandato no qual foram eleitos há pouco mais de um ano.

Toni Cassaro presidiu a reunião do Conselho
Toni Cassaro presidiu a reunião do Conselho

Os conselheiros acataram o pedido de renúncia, registrado devidamente em ata, e vetaram a realização da Assembleia Geral de Sócios, convocada para segunda-feira (dia 13), por considerá-la sem embasamento jurídico.

Estiveram na reunião 56 conselheiros. Três deles abandonaram o local antes das votações. A maioria venceu nas duas questões principais levantadas, por 28 a 25 votos.

Sem a presença do presidente do Conselho Deliberativo, Edison Torres, viajando a negócios aos Estados Unidos, a reunião foi presidida por Toni Cassaro.

QUEIROZ ASSUME
Com a saída de dois dirigentes de ponta, a presidência vai ser ocupada por Carlos Queiroz, vice-presidente, e que é um dos sete membros que compõe o Conselho de Administração do clube.

Aguardado para apresentar as duas propostas para a co-gestão de futebol do clube, o presidente nem foi à reunião do Conselho Deliberativo, que já tinha um clima bastante pesado desde o início da semana. Para alguns, Palmeron teria se deixado influenciar pela proposta do Grupo Magnum/ASA, se tornando parcial dentro do processo de escolha.

PROCESSO CONTAMINADO
Pela forma como o processo foi colocado 'guela abaixo', o mesmo foi considerado 'contaminado'. O assunto foi praticamente levado à pauta e acelerado nos últimos 15 dias. Esta condução do presidente também desagradou os conselheiros.

Não foi apresentado na reunião nenhum parecer jurídico sobre as duas propostas, o que teria caracterizado, segundo os conselheiros, um 'ato jurídico falho' e que desrespeitou o edital de convocação. E também nenhuma das duas partes foi convocada para expor seus planos o que, segundo conselheiros, era um fator indispensável.

Pressionado e vendo que seu apoio à Magnum não teve apoio da maioria, ele preferiu renunciar ao cargo. Esta renúncia foi feita por telefone, através de contato com Rodrigo Magoo, responsável pelo projeto 'Sócio Torcedor'.

CARTOLA DÁ EXCLUSIVA
Palmeron não compareceu à reunião, pois teria ido para Rio de Janeiro para tratar sobre as cotas com o Canal Esporte Interativo, que nesta tarde anunciou o fechamento de seus dois canais de televisão. Como a empresa anunciou o encerramento às atividades na TV, o presidente queria saber em que grau estava a situação do Guarani. Caso conquiste o acesso à elite em 2010, o Bugre receberia cerca de R$ 20 milhões.

O cartola, por azar, teria perdido o voo. Para alguns conselheiros, no entanto, a ausência do presidente teria sido um ato covarde. No final da noite, porém, com total exclusividade o repórter do FUTEBOL INTERIOR, Washington Melo, conseguiu o contato telefônico com o dirigente. Segundo Palmeron a renúncia teria sido 'um grande mal entendido'.

"Realmente foi o que me disse o presidente por telefone. Ele prometeu revelar mais detalhes e dar mais explicações nesta sexta-feira" - revelou o repórter-exclusivo, Washington Melo.

Era, porém, uma certeza entre os conselheiros de que, depois desta falta de controle de uma situação política tão grave no clube que o advogado Palmeron Mendes Filho não tenha mais clima e condições para continuar no clube. Ele não tem mais o apoio do conselho e de torcedores, mas afirmou ter sido convencido a ficar no cargo.

SEM MUDANÇA NO FUTEBOL
Os conselheiros presentes ao Brinco de Ouro não tiveram dúvidas em apontar o erro cometido pelo presidente em marcar uma decisão tão importante para o clube em plena disputa do Campeonato Brasileiro da Série B. Bem no meio, afinal, esta semana começou a primeira rodada do returno.

Palmeron Mendes Filho deixou à presidência do Guarani - Reprodução/Guarani
Palmeron Mendes Filho deixou à presidência do Guarani

Mesmo assim, o presidente bateu o pé a favor da escolha do Grupo Magnum para assumir rapidamente o comando do futebol. Uma posição radical e que levantou suspeitas dos conselheiros sobre o seu real interesse. O outro grupo interessado é liderado pelo empresário Nenê Zini e tem respaldo de dois grupos investidores: a Elenko e a Traffic.

VÍTIMA OU AMBICIOSO?
Além das saídas do presidente e do vice, os conselheiros também querem distância de Anailson Neves, chamado de ‘diretor sem pasta’. A sua atuação na área de marketing é questionada.

“Não é possível este rapaz continuar aqui dentro do clube depois de tantos negócios estranhos

que ele fez. Alguns dizem que ele tem um verdadeiro pacto de sangue com o Palmeron” – afirmou um dos conselheiros, inconformado como o processo atual foi conduzido.

Anailson Neves esteve na Copa do Mundo e, segundo alguns críticos, às custas do Grupo Magnum, um dos interessados em assumir a cogestão de futebol.

Anailson teria passado toda a quarta-feira, dia 8, na sede da empresa, em São Paulo, juntamente com o presidente Palmeron e o vice Assis.

AMEAÇAS ANÔNIMAS
Estas acusações são "descabidas" segundo o próprio Anailson Neves. Ele se considera uma grande vítima de todo este processo político e vê com preocupação o seu futuro, inclusive pessoal.

"A pior parte é denegrir minha imagem, preciso sobreviver. Estou recebendo várias ameaças. Não existe verdade nisso. Esses números privados são todas ameaças" - defendeu-se Anailson com uma imagem em seu fone/zap.

 
 
" />