Gustavo Simonassi, fisioterapeuta do Real Arzignano, retrata pandemia no futsal italiano

Gustavo Simonassi, fisioterapeuta do Real Arzignano, viveu a pandemia no futsal italiano

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 18 (AFI) - A Itália foi um dos principais epicentros da pandemia de Coronavirus que assola o mundo há pelo menos três meses. Com lockdown de aproximadamente dois meses, os italianos sofreram muito, principalmente, no âmbito esportivo. O fisioterapeuta Gustavo Simonassi, ex-fisioterapeuta do Guarani, viveu de perto todo esse drama.

"No começo teve muita desconfiança de todos os lados. Nós só ouvíamos falar sobre o que vinha acontecendo na China e continuamos a vida normal. A partir da evolução e dos primeiros casos de morte no país, começaram as discussões sobre paralisação", explicou.

A partir de então, todo campeonato italiano foi paralisado, mas mesmo assim, os clubes da liga faziam movimentações para retomar a competição em quinze dias, porém, essa data coincidiu com o pico da pandemia no país.

"Em um período de 15 dias tudo mudou. Esperávamos que pudesse retornar ao normal, mas os casos começaram escalar rapidamente e os clubes começaram liberar os atletas para retornar aos seus países. Foi um susto muito grande quando começou se falar em lockdown. Mais de 60% dos clubes de futsal dispensaram os atletas", contou.

Apesar do cenário, Gustavo acreditava que pudesse haver retomada e, junto com o treinador do Real Arzignano, cidade do interior da Itália, na região do Veneto, permaneceu no país e viu o país a beira de um colapso.

"Confesso que foi um tempo difícil. Não tinha o que fazer a não ser respeitar o isolamento. Nesse período saí apenas uma vez e a taxa de isolamento de nossa cidade foi muito grande. Todos respeitaram. Se você saísse, corria o risco de tomar uma multa de 600 euros", disse.

Com o passar do tempo, o fisioterapeuta entendeu a gravidade da situação. Depois de um mês, praticamente, houve uma tentativa de reabertura, assim que passou a páscoa, mas o cenário voltou piorar e houve fechamento novamente.

ESPORTIVAMENTE FALANDO

Ainda sem uma definição sobre a continuação da competição, o Real Arzignano resolveu fazer acordo com os atletas e membros da comissão técnica para poder liberar os estrangeiros para retornar para seus países natal.

"Esperava que ia ser um pouco difícil pela adaptação, mas com certeza pegou todos de surpresa. Pessoalmente para mim, foi um ano de bastante aprendizado. Agora temos que esperar essa situação normalizar para definir os próximos passos", afirmou.

Coordenador direto da fisioterapia do clube, Gustavo Simonassi valorizou demais sua passagem pela equipe: "80% dos clubes não tem um fisioterapeuta que acompanha a equipe. Dos 16 times, apenas 4 tem esse profissional. O resto são todos terceirizados", explicou.

"Mas, para mim, tudo aquilo que aprendi no Guarani, no Santo André, no XV de Jaú, de estar mais próximo, planejar e ter contato direto com o a preparação física e com o treinador, foi fundamental para meu crescimento profissional", disse.

Com contato com nomes consagrados do futsal, como o pivô Leandro Simi, o fisioterapeuta também trabalhou com tecnologias importante na área da fisioterapia e, ainda, viu a fisioterapia brasileira à frente no cenário do futebol e futsal.