Presidente do Fluminense revela proposta dos clubes para 'salvar futebol brasileiro'

"Estamos reduzindo muitas receitas, não tem como vender atletas", destacou o cartola tricolor Mário Bittencourt

por Agência Estado

Rio de Janeiro, RJ, 22 - Uma das lideranças dos clubes nacionais, o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, revelou neste domingo uma proposta elaborada pelos times para "salvar o futebol brasileiro" em meio à pandemia do novo coronavírus. O objetivo é equilibrar as finanças dos clubes, que já vêm sofrendo com a perda de receita e queda no fluxo de caixa.

"O Fluminense já está sofrendo as consequências, como outros clubes. Tivemos patrocinadores cancelando contratos, estamos sem as receitas, obviamente, de bilheteria, venda de camisas, atrasamos o lançamento da nova camisa que seria hoje até. Estamos reduzindo muitas receitas, não tem como vender atletas. O Corinthians já teve patrocínio cancelado, Flamengo, Vasco, o próprio Maracanã, vi uma matéria hoje mais cedo que o Barcelona está sofrendo. Imagina, se eles sofrem, imagina os brasileiros", disse o dirigente, em entrevista ao canal Sportv.

Além de presidente do Flu, Bittencourt atua como porta-voz da Comissão Nacional de Clubes. Ele revelou que representantes de clubes das quatro divisões do futebol brasileiro se reuniram na sexta-feira, por videoconferência, para discutir a proposta apresentada à Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf).

"Tem uma comissão de clubes das séries A, B, C e D, que já existia anteriormente. Eu faço parte junto com Grêmio, Palmeiras, Bahia e Atlético-MG. Na sexta, fizemos uma grande videoconferência, uma reunião com mais de 20 clubes presentes, e tentamos desenvolver uma proposta de acordo, deixando claro que não é algo unilateral, é algo para ser levado aos atletas. É algo para minimizar o prejuízo que nós temos como clubes, que os atletas têm, os jornalistas têm. A ideia é tentar manter o maior número de empregos possível."

Mário Bittencourt
Mário Bittencourt
A principal proposta é colocar os jogadores em férias coletivas neste momento, enquanto todas as competições nacionais foram paralisadas em razão da pandemia.

"Assim, poderíamos esticar o calendário até o fim do ano. Não sabemos o que vai acontecer, quanto tempo a temporada vai ficar paralisada."

Pela proposta, os clubes pagariam 50% do salário das férias neste momento. O restante seria pago no fim do ano. Ao fim das férias, caso os campeonatos ainda não sejam retomados, a alternativa seria orientar os jogadores a fazerem treinos individuais em suas casas, com o suporte dos clubes. Neste período, eles sofreriam um corte de 50% no salário e também nos direitos de imagem.

O pagamento seria na íntegra caso já pudesse haver jogos com os portões fechados. Se a paralisação do futebol brasileiro se estender além de 60 dias, contando o período das férias e o primeiro mês ao fim da folga, a proposta dos clubes será de suspender todos os contratos de trabalho.

Segundo Bittencourt, os jogadores seriam compensados com a extensão dos seus vínculos no futuro em período proporcional ao tempo parado em razão da pandemia. Ele explicou ainda que a proposta contaria com dez dias extras de folga, ao fim do ano, para que os jogadores possam aproveitar o descanso para viajar, algo não adequado neste momento de quarentena.

"Fizemos a proposta, entregamos para a Fenapaf e esperamos até amanhã (segunda) ou terça uma resposta", declarou Bittencourt.