Mineiro: Valeriodoce não paga migalhas e jogadores abandonam clube antes da última rodada

Há dois meses de salários atrasados, dez jogadores foram embora e quem ficou já avisou que não vai participar do último jogo da temporada, sábado, contra o Figueirense

por Agência Futebol Interior

Belo Horizonte, MG, 20 (AFI) – Enquanto o Bom Senso divide o interesse dos jogadores privilegiados do futebol brasileiro, que estão nos grandes clubes e recebem salários astronômicos, 90% dos atletas profissionais do Brasil continua ganhando menos de dois salários mínimos.

E muitas vezes leva calote, como aconteceu com o time do Valeriodoce Esporte Clube, que disputa a Terceira Divisão Mineira. Há dois meses de salários atrasados, dez jogadores foram embora e quem ficou já avisou que não vai participar do último jogo da temporada, sábado, contra o Figueirense, de São João Del Rey.

Luzardo Drumond: descaso com jogadores
Luzardo Drumond: descaso com jogadores
O Valério não tem mais chance de acesso. No meio da semana havia a expectativa de que a direção do clube acertasse os vencimentos atrasados. Ao contrário, o presidente Luzardo Dumont Filho, empresário bem sucedido na cidade de Itabira, fez questão de avisar que não iria pagar ninguém nesta semana e nem sabia quando o faria. Mas os calotes são freqüentes no clube, segundo ex-jogadores. O portal Futebol Interior tentou entrar em contato com o dirigente, mas não obteve sucesso.

O mais duro de acreditar é que a média de salário no clube é de apenas R$ 1,2 mil, ou seja, um salário mínimo e meio. Os funcionários mais humildes do clube também estão sem receber, como a comissão técnica e colaboradores eventuais. Enfim, o Valeriodoce parece ser um mau exemplo a não ser seguido. Melhor fechar as portas.

CLUBE TRADICIONAL
Uma pena para um clube tradicional. Com 72 anos de fundação é que nasceu, justamente, junto com a mineradora Vale do Rio Doce. Conhecido como Dragão, foi fundado por funcionários da empresa estatal Vale do Rio Doce. Quando a empresa foi vendida pelo governo, cessaram as contribuições para o clube, mas em contrapartida, houve o repasse do estádio, o qual, lhe pertencia – o Israel Pinheiro, com capacidade para oito mil torcedores.

Foi o primeiro clube do interior, na era Mineirão, a ter um artilheiro do estadual, Luiz Alberto com 12 gols, em 1978. O clube chegou a disputar as Séries B (em 1988 e 1989) e C (em 1994 e 1995) do Campeonato Brasileiro de Futebol.