CRÔNICA: Genival Lacerda foi Coxa por uma música

O jornalista Adriano Rattman conta uma história envolvendo Genival Lacerda, que faleceu vítima de Covid-19

por Agência Futebol Interior

Curitiba, PR, 07 (AFI) - Conheci o Genival Lacerda durante a participação do Coritiba na Copa dos Campeões no Nordeste em 2001. Eu era assessor de imprensa e ao lado do pessoal do marketing desenvolvíamos uma série de ações de fortalecimento de marca do clube.

Um dia antes da segunda partida diante do Corinthians que definiria quem avançaria à semifinais (nós havíamos vencido a primeira por 1 a 0 com gol de Enílton), eu estava na recepção do hotel em João Pessoa. Eis que surge com roupas coloridas, chapéu e aquele estilo inconfundível, Genival.

Me veio uma ideia na hora. Me aproximei e logo parti pra cima, sem titubear.

“Genival, como vai? Tô sabendo que você vai fazer um show numa festa junina essa noite. Nós do Coritiba vamos jogar contra o Corinthians e queríamos que você cantasse com a camisa do Coxa”.

Desinformado, eu não sabia que o homem era corintiano, o que afetava em muito a ele atender minha solicitação. Mesmo com a negativa inicial, ele, muito simpático, falou que era para eu aparecer no show dele e quem sabe alguém da banda colocasse a camisa.

E lá fomos nós...

Eu e o Horácio Coutinho, do marketing, fomos até a festa junina. Levamos conosco algumas dezenas de camisetas que fizemos especialmente para distribuir durante a Copa dos Campeões.

Além do símbolo do Coritiba, a camiseta tinha as bandeiras tricolor, de Alagoas, e rubro-negra, da Paraíba, estados sedes da competição. Além dessas levamos uma camisa oficial do clube.

Chegamos no trio-elétrico e fomos convidados a subir. Ao final das escadas já estávamos em cima do palco, ao lado dos músicos e do próprio Genival, com 30 mil pessoas lá embaixo. Forró fervendo. Genival terminou a música que estava cantando e anunciou.

“Pessoal, estamos aqui com os jogadores do Coritiba que trouxeram uns presentes pra nós".
Numa troca rápida de olhares, eu e o Horácio sabíamos que não era hora de contestar a informação. Pra que? Povo estava animado com nossa presença.

Colocamos uma camiseta promocional em cada membro da banda, o Genival colocou a camisa oficial e começou a próxima música. Durante a cantoria e o arrasta-pé, nós lançávamos camisetas lá de cima provocando uma confusão lá embaixo. O povo se estapeava para conseguir o manto.

Finda a música, nos despedimos e descemos. Para nossa surpresa, tinha uma fila de meninas querendo autógrafo dos jogadores do Coritiba!!!

Esse era o Genival. O cara que embalou o forró com a camisa do Coxa que seria o adversário do seu Corinthians no dia seguinte.

Obrigado Genival. Tenho certeza que você já está animando o céu!

AUTOR DA CRÔNICA: ADRIANO RATTMAN, jornalista de Curitiba-PR