Presidente do TJD diz que Corinthians perderá por W.O. se não entrar em campo

Olim disse que a responsabilidade pela segurança nos arredores do estádio é da Polícia Militar

por Agência Estado

São Paulo, SP, 11 - O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP), Antonio Olim, afirmou que o Corinthians perderá por W.O. se não entrar em campo na decisão do Campeonato Paulista. A declaração foi feita após o departamento jurídico do clube enviar ofício à Federação Paulista de Futebol (FPF) e à Polícia Militar avisando que não jogará a final caso o seu ônibus seja apedrejado a caminho do estádio do Morumbi.

"É uma guerrinha entre times", afirmou Olim ao Estado. "O Corinthians tem de entrar (em campo). Se não entrar, vai com derrota para o outro jogo. Vamos cumprir a lei. É W.O.. A não ser que aconteça um baita desastre, se machuque gente... Mas duvido que o Corinthians não conseguirá chegar ao estádio", declarou.

Olim disse que a responsabilidade pela segurança nos arredores do estádio é da Polícia Militar. "O Tribunal não vai se pronunciar sobre eventuais incidentes fora. Se for dentro, se houver briga entre torcedores dentro do estádio, aí tomaremos providências".

A Polícia Militar se reunirá com a FPF nesta sexta-feira para informar o número de policiais que fará a segurança e a estratégia que será adotada para evitar qualquer problema na chegada do Corinthians. "Acredito que não haverá problema. A segurança será reforçada. E o torcedor o São Paulo não vai querer fazer nada, porque tem a volta, o time dele vai ter de jogar em Itaquera depois", comentou Olim.

TEM QUE JOGAR
O presidente do TJD-SP também acredita que o Corinthians entrará em campo. "Não é perfil do clube nem do presidente fazer isso (não jogar). Não vai acontecer isso. O Corinthians não vai querer essa dor de cabeça", comentou. "Repito, acho que é uma guerrinha de clubes para dar audiência. Vamos para o sério. O torcedor sabe que se for pego vai ter de tomar conta de bombeiro, ficar na porta de pronto socorro, porque essas têm sido as penas", declarou.

O Corinthians enviou ofício porque o seu ônibus foi apedrejado na chegada ao Morumbi nos dois últimos anos. Também foi alvejado em 2013 e em 2009. Na quarta-feira, torcedores do Palmeiras apedrejaram o ônibus do próprio clube. Ao ser questionado sobre esses episódios, Olim contemporizou.

Olim garante que Corinthians levará W.O. se não entrar em campo. (Foto: Divulgação)
Olim garante que Corinthians levará W.O. se não entrar em campo. (Foto: Divulgação)
"O Tribunal não pode fazer nada sobre isso. Nosso compromisso com segurança dentro do estádio. Se acontecer (de ser apedrejado), cada um cumpra sua palavra. Não tenho nada a ver com isso. A Polícia vai dar toda segurança. Acho que também o presidente do São Paulo vai pedir para seus torcedores respeitarem", finalizou.

LADO CORINTIANO
"Nosso intuito é evitar novas agressões", declarou o diretor jurídico do Corinthians, Fábio Trubilhano, à reportagem. "É algo que está ocorrendo. Não se pode admitir em uma sociedade civilizada, em um evento desportivo que acontece para agradar a população, dar alegria se tornar cenário de violência", prosseguiu. O São Paulo ainda não se pronunciou sobre a decisão do rival.

Trubilhano disse que ainda não dá para dimensionar o que pode acontecer se de fato o Corinthians não entrar em campo. "Se acontecer (a agressão), espero que não aconteça, teria de ser apreciado pelo órgão competente para avaliar e colocar a solução. Já vimos que aconteceu até mesmo de fazer jogos fora do continente. É difícil fazer previsão. Depende da gravidade. Se quebra o vidro e lesiona o jogador será algo muito grave", comentou.

No ano passado, o veículo da delegação do Boca Juniors foi apedrejado quando se dirigia ao estádio do rival River Plate, o Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, para a decisão da Copa Libertadores. Na ocasião, jogadores do time visitante ficaram feridos, a partida foi adiada por duas vezes e acabou sendo realizada em Madri, no estádio Santiago Bernabéu.

O advogado do Corinthians acredita que o ofício pode ajudar a inibir qualquer tentativa de violência. "Espero que sim. Mesmo aqueles que são agressivos querem assistir ao jogo. Pelo menos é o que entendemos, o senso comum", disse. Segundo ele, já há uma legislação para combater esse tipo de crime. "Mas o problema é que a Justiça fica refém do cara encapuzado que foge, como estamos reféns da criminalidade. A punição depende de apuração, identificação".