Crônica de Luciano Luiz: Torcida do lado da Bélgica, mas prevaleceu força da França

Torcedores de vários países se juntaram aos belgas, mas a França mostrou mais técnica para ir à final da Copa da Rússia

por Luciano Luiz

  • A cobertura da Copa do Mundo é um oferecimento

Por LUCIANO LUIZ
Enviado Especial do
FUTEBOL INTERIOR

São Petersburgo recebe tribos das mais diversas cores e assim é sempre nas fases decisivas em Copas do Mundo. São pessoas do mundo inteiro que apostam em suas seleções e saem comprando bilhetes acreditando que seu país estará nas grandes decisões.

E aqui não é diferente, encontramos com muitos brasileiros, argentinos, uruguaios e mexicanos, além é claro dos russos que realmente abraçaram o mundial e muito mais que isso, a arte de viver e receber pessoas de todo o planeta em sua casa.

Uma hora para o jogo começar e os povos já se confraternizam dentro e fora do estádio. Desde os cantos tradicionais de cada país aos abraços e sorrisos que não possuem idioma ou mesmo regras.

É Copa do Mundo.

QUEBRA CABEÇAS
Os técnicos ainda quebram a cabeça nos vestiários, estudam a melhor forma de derrotarem o adversário mas do lado de fora é um sentimento diferente, principalmente para nós brasileiros que estamos aqui somente como espectadores dos melhores do futebol.

Nos sentimos mais soltos e menos tensos e é lógico com um pouquinho de dor de cotovelo em estarmos fora dessa linda festa.

Equipes escaladas. Teremos uma França com Griezmann, Mbappe, Pogba e tantos outros contra uma Bélgica de Lukaku, Hazard, De Bruyne e também um monte de feras.

As escalações prometem e foram feitas através de dois grandes treinadores. De um lado o campeão mundial em 98, Didier Dechamps com a França e do outro o espanhol Roberto Martinez que vem fazendo história com esse elenco mágico da Bélgica.

Que jogo está se desenhando e agora só nos resta esperar a bola rolar aqui em São Petersburgo.
Agora é com eles, contagem regressiva no telão, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1 ...rola a bola.

TORCIDA É DA BÉLGICA
O jogo começa com a maioria do estádio torcendo pela Bélgica. Mais uma vez nos deparamos com aquele fenômeno mundial de sempre quem não está envolvido no jogo tende a torcer para a equipe mais fraca, não que a Bélgica seja uma zebra mas o fato de nunca terem chegado a uma decisão desperta esse sentimento nas pessoas e ainda para ajudar os diabos vermelhos estão atacando mais nos primeiros minutos.

Os primeiros dez minutos já foram e vimos uma Bélgica muito consciente de onde está e com quem está. Já a França se guarda para o bote certeiro. Jogo bom em São Petersburgo.

Aos quinze minutos o primeiro lance de perigo claro na partida, Hazard domina sozinho na entrada da área e chuta cruzado para fora. A Bélgica tem mais posse de bola mas o goleiro Lloris pouco trabalhou até agora. Como para muitos a presença do Brasil era certa nessa semifinal os gritos da torcida brasileira desde o tradicional "Mil gols, só Pelé, só Pelé..." e o novo "Brasil Olê. olê. olê", ecoam a todo instante.

BRASILEIROS SE MANIFESTAM
A massa verde e amarela canta alto no estádio e enquanto isso vemos uma Bélgica mandando no jogo e já merecendo o primeiro gol. o Goleiro Lloris que até os quinze não tinha trabalhado, com vinte e dois minutos já fez pelo menos duas grandes defesas.
Segue 0 x 0.

O mais maravilhoso em uma Copa do Mundo é olhar para as arquibancadas e ver bandeiras que vão desde os nossos Corinthians, Flamengo, Grêmio e Guarani até países eliminados como Japão, Argentina, Brasil, Peru, Irã, Rússia, Alemanha ou mesmo alguns que nem para a competição se classificaram como Argélia, Israel, Honduras e Venezuela. É realmente fantástico.

Ah, dentro do campo...segue uma Bélgica muito bem organizada, com uma disciplina tática ímpar e sempre pressionando contra uma França que parece estar esperando uma bola para chegar a final.

Passamos dos trinta minutos do primeiro tempo e mais uma vez vemos aqueles lances que só acontecem em mundiais, Hazard faz fila pelo lado esquerdo mas sai sozinho com a bola. O público levanta e o aplaude pela plástica da jogada sem se preocupar por qual equipe estava jogando.

Goleiro francês fez grande defesa ainda quando estava zero a zero. Depois...a França marcou
Goleiro francês fez grande defesa ainda quando estava zero a zero. Depois...a França marcou

QUEM NÃO FAZ, TOMA
E na regra do quem não faz toma, quase a França abre o placar após Mbappe colocar Giroud na cara do gol mas 9 francês que não faz a Copa dos sonhos desperdiça mais uma. Segue 0 x 0.

Com trinta e sete minutos o jogo fica paralisado para atendimento do atacante francês e é a deixa para ouvirmos os gritos da torcida brasileira e absoluto protagonismo no estádio. Que coisa hein, realmente nossa torcida merecia um time melhor do que vimos nessa Copa.

Seguimos o jogo para ver o lateral Pavard da França entrar sozinho na cara do gol obrigar Cortuois a seu primeiro milagre da noite. Esse belga que defende o Chelsea é sem dúvida um dos melhores goleiros da atualidade no planeta.

Fim do primeiro tempo, tudo como começou. Se fosse no boxe a Bélgica estaria levando por pontos já que procurou mais o ataque, mas como aqui é futebol, tudo segue aberto e nada resolvido.

Vamos para o intervalo.

MAIS EMOÇÃO
Rola a bola para mais quarenta e cinco minutos de muita emoção. As duas equipes voltam com a mesma formação. Agora é emoção !!!

Festa francesa em São Petersburgo
Festa francesa em São Petersburgo

GOL, com menos de cinco minutos após cruzamento da direita Umtiti se antecipa a zaga belga e abre o placar para os franceses. É o bom e apaixonante futebol dando mais uma vez provas que volume de jogo não significa efetivamente vantagem no placar.

Hora de ouvirmos a torcida francesa cantando em São Petersburgo. A Bélgica acusa o golpe e começa a errar passes, enquanto isso o mais tranquilo time francês toca a bola e quase amplia com Mbappe.

A Bélgica busca retomar o controle do jogo e focar no toque de bola, segue dando as cartas no mas o nervosismo é claro diante de todos. Em um extremo do estádio temos a torcida francesa que canta e dança na arquibancada, no outro extremo a torcida belga que também sentiu o gol sofrido e fica quieta e angustiada, enquanto na parte central e nas cadeiras superiores seguimos ouvindo os gritos de "Brasil, Brasil, Brasil" , brasileiro realmente não desiste nunca.

Esse jogo era o nosso, ah Neymar, ah Neymar.

BÉLGICA NA PRESSÃO
Chegamos aos vinte minutos e temos um jogo aberto com a Bélgica tomando as ações do jogo mas deixando espaço para uma França muito mais consciente no campo. Em dois contra ataques franceses os belgas tiveram que matar o lance e em ambos receberam o cartão amarelo.

Temperatura baixa na Rússia, o tempo passa e o jogo segue em ótimo nível . Neste momento o placar eletrônico anuncia o público em São Petersburgo,64.286 torcedores.

Quase trinta e os belgas se atiram ao ataque, vale a passagem para disputarem a primeira final de Copa em sua história. Os franceses querem chegar em sua terceira decisão e agora contam não só com o talento de Griezmann, Mbappe e Cia, mas com um reforço que é implacável e joga do seu lado neste momento, o relógio.

Martinez faz tudo que pode, coloca mais jogadores com características ofensivas, avança a marcação mas do outro lado dessa vez encontrou uma equipe muito bem armada e principalmente comprometida tática e tecnicamente. Enquanto isso Deschamps mexe no time para ter mais posse de bola e sangue novo no meio campo.

E como tem coisas que são universais chegamos aos quarenta do segundo tempo com a França naquele tradicional "cai cai" que tanto nos irrita.

TORCIDA DE PÉ
Estádio todo de pé, falta muito pouco para presenciarmos mais uma página importante da história das Copas do Mundo. Vamos conhecendo o primeiro finalista do mundial de 2018. O placar anuncia que o árbitro vai dar seis minutos de acréscimos. Atmosfera absolutamente emocionante para quem ama o esporte e por ele esta aqui.

Franceses cantam, belgas lamentam.

Fim de jogo, a França conquista o direito de disputar sua terceira final e vai esperar o confronto de amanhã entre Croácia x Inglaterra para saber qual será seu adversário no dia quinze de julho em Moscou.

A Bélgica resta lamentar a falta de objetividade para justificar seu maior volume de jogo e seguir em São Petersburgo para a disputa de terceiro lugar no próximo dia quatorze de julho.

Foi um grande jogo de duas escolas que vivem momentos históricos com essa geração de atletas. Vence o futebol e hoje venceu a França.

 
 
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