Possíveis finalistas, França e Croácia duelaram em semi de Copa há exatos 20 anos

Em 1998, os anfitriões franceses venceram por 2 a 1 e chegaram à final contra o Brasil

por Agência Estado

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Campinas, SP, 08 (AFI) - Dia 8 de julho de 1998. Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris, abarrotado por 76 mil pessoas. Há exatos 20 anos, nesta atmosfera criada por imensa maioria de torcedores franceses, a seleção anfitriã da Copa do Mundo vencia a Croácia por 2 a 1, de virada, com dois gols do lateral Lilian Thuram, o improvável herói de um jogo que definiu o último classificado para a decisão daquele Mundial.

Artilheiro isolado daquela Copa, com seis gols, Davor Suker chegou a começar a desenhar um cenário de tragédia para a torcida local ao abrir o placar no primeiro minuto do segundo tempo. Após receber lançamento nas costas da defesa adversária, o então atacante, hoje presidente da Federação Croata de Futebol, tocou para as redes com tranquilidade na saída do goleiro Fabien Barthez.

A alegria dos visitantes, porém, durou apenas um minuto. Após provocar um erro do meia Boban na saída de bola ao apertar a marcação sobre o camisa 10 croata, Thuram viu a bola sobrar na entrada da área para Youri Djorkaeff, que tocou de volta para o lateral, infiltrado pelo lado direito da área, empatar aos 2 minutos.

Depois, aos 25, o mesmo lateral-direito foi autor de um surpreendente chute de fora da área, usando a sua perna esquerda, que acertou o canto baixo do goleiro Drazen Ladic para virar o jogo. Nesta jogada, mais uma vez ele foi premiado ao levar a melhor na disputa pela bola com um defensor ao exibir raça pelo lado direito do ataque.

Assim, o então jovem de 26 anos foi o protagonista de uma rápida reviravolta de quem foi de vilão a herói em um curtíssimo período de tempo, pois foi justamente Thuram que deu condições de jogo a Suker no lance do primeiro gol do jogo, quando apenas o seu posicionamento, muito recuado na lateral direita, não deixava o artilheiro croata impedido.

'ESPERO QUE NOS SUPEREM'
Quase exatamente 20 anos depois daquele jogo, o agora principal dirigente do futebol da Croácia comemorou neste último sábado a classificação da seleção do seu país às semifinais da Copa de 2018. A vaga veio de forma sofrida, com vitória nos pênaltis por 4 a 3 após empate por 1 a 1 no tempo normal e por 2 a 2 na prorrogação contra a Rússia, dona da casa, em Sochi, onde os croatas ainda tiveram de suportar uma enorme pressão da torcida.

A adversária da Croácia na semifinal será a Inglaterra, na próxima quarta-feira, às 15 horas (de Brasília), em Moscou, onde o time de Modric e Rakitic tentará fazer história classificando a seleção do país pela primeira vez à decisão de um Mundial. Um dia antes, a França enfrentará a Bélgica, no mesmo horário, em São Petersburgo, no duelo que definirá o primeiro finalista.

Há exatos 20 anos, ao ser derrotada pela França na semifinal, a Croácia se viu obrigada a se contentar com a luta pelo terceiro lugar da Copa de 1998. E teve êxito ao vencer a Holanda por 2 a 1, graças a um gol de Suker marcado ainda no primeiro tempo, que definiu o resultado final após Prosinecki abrir o placar para os croatas e Zenden empatar para os holandeses, no estádio Parque dos Príncipes, em Paris.

O gol decisivo, por sinal, assegurou a artilharia isolada daquele Mundial ao atacante, Chuteira de Ouro ao ficar logo à frente de Batistuta, da Argentina, e Vieri, da Itália, ambos com cinco bolas na rede cada um.

Aquele duelo entre croatas e holandeses ocorreu em 11 de julho de 1998, um dia antes de o Brasil ser batido na final pela França por 3 a 0, no mesmo Stade de France onde Zidane marcou dois gols e começou a se tornar um dos maiores carrascos do futebol canarinho em Copas do Mundo - ele exibiu atuação de gala contra os brasileiros oito anos depois, nas quartas de final do Mundial de 2006, na Alemanha, onde também cobrou a falta que resultou no gol de Thierry Henry que definiu a vitória francesa por 1 a 0.

Ao comentar neste sábado o retorno da Croácia às semifinais de uma Copa após duas décadas, Suker ressaltou: "Espero que esta geração supere a nossa". Hoje com 50 anos, o dirigente também evitou mostrar euforia em excesso ao projetar o sonhado avanço à decisão, o que já significará o maior resultado da história do futebol croata.

"Vamos passo a passo, rival a rival, mas nos encoraja saber que este grupo tem caráter, qualidade, fome e já evoluiu muito", afirmou aos repórteres depois do confronto realizado no Fisht Stadium, em Sochi.

Caso França e Croácia triunfem nas semifinais e duelem na grande decisão do próximo dia 15, o estádio Luzhniki, em Moscou, será palco de uma revanche histórica para os croatas. E também marcará o reencontro de dois eternos ídolos das duas seleções. O do próprio Suker, agora dirigente máximo do futebol do seu país, com Didier Deschamps, ex-volante e hoje técnico da seleção francesa, que era o capitão do time que ergueu a taça em 1998.

 
 
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