Estados Unidos tentam se 'livrar' de Donald Trump para sediar o Mundial de 2026

Tecnicamente, a melhor candidatura é dos Estados Unidos, México e Canadá, que prometem uma renda de US$ 15 bilhões

por Agência Estado

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São Paulo, SP, 12 - Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, se transformou em um obstáculo real para os norte-americanos e sua campanha para receber a Copa do Mundo de 2026. Nesta quarta-feira, em Moscou, os 209 delegados da Fifa vão escolher a sede do Mundial. Apesar de a Fifa ter produzido um estudo técnico sobre as diferentes candidaturas, a decisão agora será essencialmente política.

Tecnicamente, a melhor candidatura é dos Estados Unidos, México e Canadá, que prometem uma renda de US$ 15 bilhões (R$ 55,3 bilhões) com o torneio, mais de duas vezes a receita da Copa do Mundo da Rússia. Do outro lado, a campanha do Marrocos sofre diante de incertezas sobre a capacidade de o país receber 48 seleções.

Mas os organizadores têm insistido em uma tecla diferente: a política. "Há uma pessoa que se chama Donald Trump e ele é o presidente deles. Não podemos deixar que essa decisão tome esse caminho", disse Fouzi Lekjaa, vice-presidente da Confederação Africana de Futebol e presidente da Federação do Marrocos. Os comentários ouvidos pela reportagem ocorreram em uma conversa com Fatma Samoura, secretária-geral da Fifa.

A campanha norte-americana sabe da existência desse risco. Não por acaso, ao apresentar nesta segunda-feira os seus planos aos dirigentes africanos, o grupo dos Estados Unidos apelou para que a decisão seja técnica. "Essa decisão não pode ser baseada em política", disse Carlos Cordeiro, presidente da US Soccer, a federação norte-americana de futebol. "Peço a vocês para que não nos julguem pela política do momento", insistiu, em uma referência velada a Donald Trump.

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A resposta da delegação do Marrocos reforçou a necessidade de que a decisão não se limita às promessas de lucros. "Não estamos fazendo uma Copa para gerar dinheiro para as televisões. Mas sim para gerar empregos", disse uma das delegadas do Marrocos. "Claro que o dinheiro é importante. Mas não se esqueçam do futebol. Temos políticas de imigração mais simples, somos acolhedores, mais tolerantes e abertos", insistiu a delegada, em um discurso aos eleitores e também em uma referência clara a Donald Trump.

Os norte-americanos contam com seus aliados, especialmente na América do Sul. Nesta segunda-feira, a Conmebol voltou a dar garantias de que o bloco de 10 votos irá para Carlos Cordeiro, com uma promessa sigilosa de que os norte-americanos levariam os votos da América do Norte para uma candidatura da Argentina, Uruguai e Paraguai em 2030.

Se as Américas garantiriam 40 votos para os Estados Unidos, a África traria praticamente o mesmo número para o Marrocos. Na Europa, Espanha e França apoiarão o Marrocos, enquanto que a Rússia promete fazer campanha contra os norte-americanos e levar consigo os seus aliados da ex-União Soviética.

A decisão, portanto, ficaria com a Ásia, continente que está dividido entre aliados dos Estados Unidos e países islâmicos que fecharam compromisso com o Marrocos. A briga por votos é tão intensa que os africanos querem tentar impedir que federações como Guam, Porto Rico, Samoa Americana e Ilhas Virgens Americanas sejam autorizadas a votar. Na Fifa, elas têm o mesmo poder de voto que Alemanha ou Brasil. Mas, politicamente, são territórios norte-americanos.

 
 
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