'Nova casa' de Messi na Rússia, Broonitsy se transforma com seleção da Argentina

Voltando à pergunta da vendedora Nélia Vriand, é pouco provável que Messi veja a sua face no prédio russo

por Agência Estado

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São Paulo, SP, 11 - A chegada da seleção da Argentina já mudou a cara de Broonitsy, município distante 60 quilômetros de Moscou escolhido como quartel-general da equipe para a Copa do Mundo. A transformação será mais permanente que os banners impermeáveis com a palavra "boas-vindas" em espanhol. Um mural com o rosto de Messi foi pintado em um prédio de quatro andares na principal avenida. Broonitsy vai acolher Messi mesmo depois que o Mundial se for. Hóspede permanente.

O retrato foi obra do artista russo Sergey Eropheev, que fez retratos semelhantes de Cristiano Ronaldo, Garrincha e Yashin em outros pontos da Rússia. O trabalho, feito no início do mês, já faz parte da história afetiva dos moradores. "Ele veio e ficou apenas três dias para fazer tudo. Foi bonito vê-lo trabalhar", relatou a vendedora Nelia Vriand, que trabalha no mercado ao lado da obra de arte ao ar livre. "Será que o Messi vai ver?", perguntou.

A obra representa uma espécie de revitalização urbana em um ambiente marcado pelo cinza dos prédios baixos e pelo lamento das casas por uma nova camada de tinta para disfarçar o desgaste do tempo. Toda a cidade parece que parou no tempo, de certa forma. O culto ao passado está, por exemplo, na exposição de cinco veículos militares - quatro caminhões e um tanque - seguindo na mesma avenida central. Memórias do passado militar soviético.

Voltando à pergunta da vendedora Nélia Vriand, é pouco provável que Messi veja a sua face no prédio russo. A Argentina escolheu um local do outro lado de Broonitsy. É um CT de difícil acesso que já estava cheio de policiais neste domingo. Mesmo assim teve gente que foi atrás. O iraquiano Farhah Ali estava sozinho na chuva na porta do CT esperando para ver Messi. Iraquiano. "Pode ser de longe", conformava-se.

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A Argentina está precisando de calmaria. O time desembarcou no último sábado para encontrar a tranquilidade que faltou nos 19 dias de preparação. Lesões, cortes, protestos religiosos e críticas deixaram o técnico Jorge Sampaoli de cabeça quente. Romero e Lanzini perderam o Mundial, Ansaldi exagerou nas redes sociais com uma foto na banheira e o time teve de cancelar o polêmico amistoso contra Israel. A Argentina terá silêncio total e facilidade para viajar, pois a cidade fica perto de dois aeroportos, fora do trânsito da capital - essa foi a razão da escolha de Broonitsy.

Embora a reportagem tenha batido com a cara na porta, pois o primeiro treino de Messi na Rússia foi adiado por causa do mau tempo, a passagem pela cidade de 21 mil habitantes valeu, pois revelou novas faces e confirmou algumas impressões. Os russos são desconfiados. Espiam da janela, perscrutam as credenciais e baixam os olhos. Poucos posam para fotos e quase ninguém dá o sobrenome. São Tatiana, Yelena e Alexei.

Outros sorriem, são mais amistosos e observam naquela movimentação estrangeira a chance de conhecer o outro. Foi isso que disse Tatiana, organizadora de uma feira artesanal na pracinha. "Estamos felizes por receber vocês". Pareceu sincero. Mas a melhor explicação desse vilarejo que parece deslocado na Copa do Mundo foi dada por Alexei, que puxou conversa enquanto empurrava o carrinho com um dos quatro filhos. Com gesto largo, ele abriu os braços para descrever a sua gente. Nem precisou de tradução.

 
 
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