BATE-PAPO COM ARI: O dedo de Maradona

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 17 (AFI) - Quem está acostumado com hipocrisia da treinadorzada por aí que costuma atribuir favoritismo ao adversário, mesmo em circunstâncias em que seu time é claramente superior ao adversário, de certo se surpreendeu com a franqueza do técnico argentino Diego Maradona (foto). Às vésperas do jogo contra os sul-coreanos, não fez rodeio e assegurou aos jornalistas que a Argentina ganharia aquele jogo, embora respeitasse o adversário.

De fato Maradona é diferente da maioria. Foi um baita ‘cobra’ como jogador e revela-se um treinador bem acima da média. Como autêntico líder, transformou toda delegação argentina numa grande e vibrante família. Vê-se claramente um clima de alegria e comprometimento de todo grupo.

Siga o Futebol Interior também pelo Twitter!

Evidente que Maradona tem o privilégio de contar em seu grupo com o melhor jogador do planeta, caso do meia Messi. Tecnicamente sua equipe é, inegavelmente, uma das melhores da Copa do Mundo da África do Sul. Soma-se a isso a sua capacidade de grande observador e de distribuição bem equilibrada de seu time em campo.

Maradona fez da Argentina um time polivalente, com jogadores exercendo múltiplas funções em campo. Quem é o zagueiro que marca pelo setor esquerdo de seu time? Sim, é Gabriel Heinze. Quem é o lateral-esquerdo de seu time? Também é Gabriel Heinze, só que aí coadjuvado ora por Veron, ora por Maxi Rodriguez ou qualquer companheiro que perceba a necessidade de socorro no setor.

Quem é o lateral-direito do time? É o meio-campista Jonás Gutiérrez, que executa defensivamente muito bem as funções marcando pela beirada do campo ou por dentro. Entra em campo como lateral-direito, mas se transforma em um volante quando a jogada do adversário se desenvolve por dentro. E tem gente cobrando dele bom desempenho ofensivo.

Veja também:
Copa: Tricampeão e "surpresa" querem chegar às oitavas

E mais: na Argentina até o talentoso Messi volta para marcar, quando necessário. E pratica faltas para impedir a progressão do adversário. Até o atacante Tevez volta ao meio de campo para cercar espaços e ajudar na marcação. Perceberam o espírito de solidariedade no time argentino? No campo, até parece que para cada jogador adversário há sempre dois argentinos. Assim, é possível colocar em prática uma marcação sob pressão ainda na intermediária do time adversário, e assim aumenta a capacidade de desarme. É uma verdadeira blitz.

Claro que aí tem o dedo de Maradona. É coerente seu raciocínio quando escala apenas um volante de aptidão, caso de Mascherano, porque sabe que na prática acaba contando com dois e três volantes, com recuo de meias e a deslocação de Gutiérrez por dentro. Taticamente a Argentina impressiona. Do ponto de vista técnico é um time que dispensa comentários. É isso aí.

Dúvidas, sugestões e comentários? Mande um email para [email protected]