Nacional 3 x 2 Portuguesa - Emoção no clássico raíz e queda de jejum de 61 anos

Naça foi buscar a vitória com gol da vitória aos 49 minutos do segundo tempo

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 29 (AFI) - Em jogo pouco movimentado, mas emocionante nos minutos finais, o Nacional encerrou um tabu de 61 anos sem vitória sobre a Portuguesa. Com gol marcado aos 49 minutos do segundo tempo, o Naça arrancou uma virada e derrotou a Lusa, por 3 a 2, no Estádio Nicolau Alayon, em São Paulo, pela segunda rodada da primeira fase da Copa Paulista.

A última vitória do time da Barra Funda em cima da Portuguesa havia acontecido no Campeonato Paulista de 1958 no mesmo Nicolau Alayon. De lá para cá, a Lusa não conhecia derrota para o rival. É bem verdade que na maioria dos anos, eles ficaram em divisões diferentes e pouco se encontraram. Mesmo assim, os rubro-verdes ainda mantém grande superioridade em cima do adversário. São 27 vitórias contra nove do Naça.

O resultado, porém, mostrou um abismo entre os dois times. Isto porque o Nacional manteve 100% de aproveitamento na Copa Paulista, com seis pontos, na liderança do Grupo 03, com seis pontos, enquanto a Lusa é a lanterna, com zero.

O JOGO
Dois dos times mais tradicionais do futebol paulista. Um fundado por operários das linhas ferroviárias de São Paulo, o outro abraçado pelos descendentes portugueses espalhados na maior cidade do Brasil. Apesar de origens tão diferentes, eles têm muito mais em comum hoje em dia, especialmente, pelo futebol praticado no primeiro tempo do clássico entre Nacional e Portuguesa.

Debaixo de 27º do inverno paulistano, as equipes sofreram com o irregular gramado do Nicolau Alayon, tal qual os craques das seleções da América do Sul na Copa América. Messi, Arthur, Cavani e Alexi Sanchez unidos por um mal comum com Matheus Lu, Gerley, ex-Palmeiras, João Gurgel e Denner. Nomes poucos conhecidos, mas que também sofrem em uma realidade mais dura do que a exposta no torneio continental.

Quando teve jogo, a Portuguesa tentou assumir o controle da partida e criou a primeira chance de gol logo aos três minutos em cobrança de falta de João Gurgel. Felipe Lacerda caiu para fazer a defesa. A Lusa teve outra chance de marcar, mas Vilares, mesmo sozinho, fez desvio de cabeça para fora.

O gol veio aos 21 minutos. Depois de bola cruzada, a bola passou pelo primeiro poste. Antes que o gramado pudesse atrapalhar, Gerley emendou de primeira, sem chances para Felipe Lacerda. O sol forte da Barra Funda obrigou o árbitro Thiago Lourenço de Mattos a fazer uma parada para hidratação.

A paralisação mudou o ritmo do jogo, principalmente pelo lado lusitano, que tentou cadenciar a partida esperando o final do primeira tempo. Quem se aproveitou dessa postura foi o Nacional. Em velocidade, os donos da casa empataram aos 40 minutos. Matheus Lu recebeu lançamento por cobertura e cruzou. Éder Paulista apareceu livre na área para completar de cabeça para o gol.

Pouco antes do intervalo, Lu escapou novamente pela direita e cruzou para trás. Na marca do pênalti, Éder Paulista carimbou Léo Fioravanti em cima da linha. A bola ainda sobrou para Gabriel Mendes, dentro da área, mas o meia acertou novamente o zagueiro lusitano.

Gol do Nacional que decretou a primeira virada da partida
Gol do Nacional que decretou a primeira virada da partida

NA MESMA
Tal qual a avenida que margeia o lendário Nicolau Alayon, o segundo tempo foi agitado, mas não no bom sentido. A volta do intervalo foi mais parecida, na verdade, com a especulação imobiliária que assola a região onde os dois clubes estão instalados. Ou seja, agressiva, descontrolada e sem sentido. Os dois times esqueceram de tentar jogar futebol e se agrediram.

Faltas duras, confusões e três cartões amarelos com dez minutos de "futebol" jogado no segundo tempo. O frescor da partida só voltou aos 14 minutos, quando o Nacional, por um lapso, esqueceu de tentar o embate físico e arriscou um lançamento no ataque. Danilo Negueba cruzou, Hudson falhou ao tentar o corte e Caio Mendes ficou com a sobra. O lateral finalizou, mas parou em Rafael Pascoa.

O goleiro da Lusa voltou a brilhar aos 24 minutos. Ele havia tentado iniciar a jogada em velocidade, mas a defesa se atrapalhou e o Nacional roubou a bola no campo de ataque. Éder Paulista recebeu em velocidade dentro da área e finalizou cruzado. Com uma das mãos, Rafael Pascoa caiu para fazer a defesa e levantar em seguida para abafar o rebote.

AÍ SIM

A emoção, que andou sumida durante toda segunda etapa, reapareceu em grande estilo nos minutos finais do clássico com gols em sequência e duas viradas do Nacional. A primeira veio aos 43 minutos. Em jogada que parecia morta, após cruzamento a meia altura da esquerda, Rogério Maranhão se desmarcou ao deixar a bola passar em um belo corta-luz em cima de Cesinha e ficou de frente para Rafael Pascoa. Com estilo, o meio-campista concluiu para o gol.

A Portuguesa, como não poderia deixar de ser, foi para o tudo ou nada e arrancou o empate aos 47 minutos. Em jogada pela direita, Hudson colocou na cabeça de Luiz Thiago, que não desperdiçou a mandou para o fundo das redes. O empate, no entanto, não persistiu por muito tempo, já que o Nacional voltou a ficar na frente no último lance da partida.

Vinícius recebeu pela esquerda, passou por dois marcadores e finalizou de canhota, no contrapé de Rafael Pascoa. Um golpe duro para a Lusa, que reclamou bastante e cercou o árbitro após o gol. A reclamação foi por conta de um choque de João Gurgel. No início da jogada, o atacante estava caído na área do Nacional e a arbitragem autorizou o reinício da partida.

Confusões a parte, um final digno de um clássico que times que moram no coração e no imaginário dos torcedores, mas que anda refutado e esquecido pelo novo modelo do futebol.

PRÓXIMOS JOGOS

O Nacional volta a campo contra o Desportivo Brasil, na próxima sexta-feira, às 15 horas, no Ernesto Rocco, em Porto Feliz. Na segunda-feira, dia 08, véspera de feriado, a Portuguesa enfrenta o Corinthians, no José Liberatti, em Osasco, às 20 horas.

Ficha Técnica

Fase
Primeira Fase
Rodada
2ª rodada
Data
29/06/2019
Horário
15h00
Local
Nicolau Alayon - São Paulo (SP)
Árbitro
Thiago Lourenço de Mattos

Assistentes
Fabio Rogerio Baesteiro e Enderson Emanoel Turbiani da Silva

Público
553 pagantes
Cartões Amarelos
Nacional: Rogério Maranhão, Caio Mendes, Gabriel Mendes, Allan Cristian, Éder Paulista, Rodrigo San
Portuguesa: Hudson, Jonatas Paulista

Gols
Nacional: Éder Paulista 40' 1T, Rogério Maranhão 43' 2T, Vinícius 49' 2T
Portuguesa: Gerley 21' 1T, Luiz Tiago 47' 2T
Nacional
Felipe Lacerda;
Danilo Negueba, Guilherme (Felipe Gregório), Rodrigo San e Caio Mendes (Vinicius);
Rogério Maranhão, Allan Cristian, Matheus Lu e Gabriel Mendes;
Denner e Éder Paulista (Washington)
Técnico: Ricardo Perpetuo
Portuguesa
Rafael Pascoa;
Hudson, Léo Fioravanti, Patrick e Cesinha;
Jonatas Paulista, Vilares (Caique Felix), Luiz Thiago e Gerley;
João Gurgel e Matheus Rodrigues (Naná depois Maicom)
Técnico: Zé Maria