Ao lado de hospital de campanha, futebol carioca retorna em Maracanã vazio

Arrascaeta, Bruno Henrique e Pedro Rocha marcaram os gols da vitória do Flamengo sobre o Bangu

por Agência Estado

Rio de Janeiro, RJ, 18 - Enquanto 258 pessoas convalesciam pela covid-19 no Hospital de Campanha do Maracanã, a poucos metros daí a bola voltou a rolar pelo Campeonato Carioca. Nesta quinta-feira, dois dias depois de completar 70 anos, o mais icônico estádio do País não teve um único torcedor em seus 78 mil assentos para assistir Flamengo x Bangu. No campo, o jogo acabou 3 a 0 para os rubro-negros.

A primeira partida oficial em solo brasileiro desde o início da pandemia só foi confirmada na terça-feira e sob a promessa do cumprimento de uma série de medidas de segurança, mas nem todas foram seguidas ao pé da letra, incluindo a que tem servido de mantra aos que defendem o retorno do futebol: a de que todos os envolvidos com a partida passariam por testes para detecção de infecção por coronavírus. O problema é que nenhum laboratório do Rio conseguiria entregar o resultado do exame mais seguro a tempo da partida. Com isso, restou a alguns o uso dos testes rápidos, cuja eficácia é incerta em quem não apresenta nenhum sintoma.

Ao lado de hospital de campanha, futebol carioca retorna em Maracanã vazio
Ao lado de hospital de campanha, futebol carioca retorna em Maracanã vazio
Outras medidas foram de fato cumpridas. Na entrada do estádio, jornalistas tiveram que passar por uma cabine de desinfecção para roupas e equipamentos e receberam máscaras e álcool em gel, que também ficou disponível no acesso às tribunas. Funcionários da limpeza podiam ser vistos a todo momento desinfectando corrimãos. Junto ao gramado, bolas que saíam pelas laterais durante o jogo eram higienizadas pelos gandulas.

Com as arquibancadas vazias, o distanciamento social foi fácil de controlar. Estafe de Flamengo, Bangu e funcionários da Federação de Futebol do Rio (Ferj), além de jornalistas, mantiveram afastamento de pelo menos um metro. No reservado, nenhum atleta pôde se sentar junto a outro, e todos utilizaram máscaras. Elas foram retiradas, contudo, quando eles foram aquecer atrás da meta no segundo tempo. Os técnicos dos dois times, por sua vez, não usaram a proteção em nenhum momento.

DUELO DENTRO DE CAMPO
Entre os jogadores, claro, o contato foi inevitável. E isso aconteceu mesmo nas vezes em que se tentou ter precaução. Quando Arrascaeta marcou 1 a 0, em chute da entrada da área, a comemoração com os colegas foi contida e sem abraços, dando lugar ao tradicional toque de cotovelos. Ainda assim, alguns cumprimentaram o autor do gol com um toque de mãos fechadas.

Já Bruno Henrique pareceu mais à vontade. Ao marcar 2 a 0 na etapa final, ele abraçou dois companheiros no fundo de campo com a mesma naturalidade dos tempos pré-pandemia. O ato, temerário e que não deveria acontecer, serviu ao menos para diminuir a melancolia de um Maracanã de arquibancadas vazias e que mais parecia um centro de treinamento. Pedro Rocha, com direito a tapinha dos companheiros na comemoração, fechou o placar por 3 a 0.

PROTESTOS
Do lado de fora do estádio também não pareceu noite de jogo. A movimentação, pequena, foi apenas de pessoas que aproveitaram o calçadão do entorno para a prática de exercícios. O policiamento parecia o de um dia como qualquer outro. A diferença só foi notada antes do início da partida, quando um grupo de 15 torcedores dos quatro grandes clubes do Rio estendeu faixas contra o presidente Jair Bolsonaro. A manifestação durou poucos minutos.