Adeus a Henrique, ex-bugrino que desbancou o volante Dunga no Vasco

Adeus a Henrique, ex-bugrino que desbancou o volante Dunga no Vasco

por ARIOVALDO IZAC - -

Convenciona-se dizer que os desígnios de Deus não são compreendidos, que por vezes precisa-se de maturação para aceitá-los. Pois neste contexto enquadrada-se o então meio-campista Henrique de Guarani e Vasco, morto neste 20 de fevereiro em Campinas (SP), aos 57 anos de idade, vitimado por câncer na língua.

Enquanto línguas afiadas continuam soltas por aí, o campineiro Carlos Henrique Kupper, sem 'boca pra nada', foi 'alvejado' exatamente na língua por um câncer, que pode se manifestar sob forma de aftas ou feridas dolorosas que não cicatrizam, aumentam de tamanho e não melhoram com tratamentos.

Literatura médica indica que os principais fatores de risco para desenvolvimento da doença são consumo excessivo de cigarro, bebida alcoólica, prótese dentária mal ajustada, má higiene bucal e fatores genéticos. Curas são frequentes quando do diagnóstico precoce do tumor, requerendo cirurgia e radioterapia.

SANTO DE CASA

Henrique foi o típico santo de casa que não fez milagre. Revelado como ponta-de-lança pelo Guarani em meados da década de 80, foi tido como jogador técnico que pecava pela lentidão.

Foi um reserva que entrava no transcorrer de partidas até se transferir ao Comercial de Ribeirão Preto em 1984, juntamente com atacante Luís Carlos, zagueiro Cavalcanti e lateral Pacheco. De lá vieram a Campinas lateral Paulinho Pereira e zagueiro Nei.

O estágio seguinte foi Santa Cruz (PE), até que em 1986 chegou ao Vasco, quando o treinador Joel Santana - por considerá-lo participativo - o recuou para a função de volante, com adaptação rápida à marcação.

E Henrique ficou no Rio de Janeiro durante três anos, desbancando o titular Dunga na segunda temporada, em ano de conquista do Campeonato Carioca.

CAMPEÃO EM 87

Na ocasião, o time vascaíno era formado por Acácio; Paulo Roberto, Donato, Marôni e Mazinho; Henrique, Geovani e Tita; Mauricinho, Roberto Dinamite e Romário, os dois últimos como principais artilheiros da competição com 15 e 16 gols, respectivamente.

Igualmente nas passagens subsequentes por Louletano e Nacional de Portugal, e Fujitsu Kawasaki do Japão ele continuou como volante.

Trabalhou como treinador em Goiás no Novo Horizonte e Goiano. Posteriormente integrou escritório que empresaria jogadores ao exterior. Antes de adoecer, participou de campeonatos para amadores em Campinas.