Amaral, zagueiro que o Guarani cedeu à Seleção Brasileira

Zagueiro de Campinas começou no Guarani, passou pelo Corinthians e brilhou na Seleção na Copa de 1978

por ARIOVALDO IZAC - -

Em 1976, quando morava em apartamento de condomínio simples no bairro Jardim Baronesa, em Campinas, o então zagueiro Amaral era muito mais de que um baita jogador bugrino: já integrava a Seleção Brasileira, com legado de 56 partidas.

Diferentemente da 'becaiada' de hoje que chuta a bola para o lado que o nariz está virado, o campineiro João Justino Amaral dos Santos tinha impressionante tempo de bola para antecipar atacantes adversários. E ao desarmá-los, adorava driblá-los.

Em bola alçada contra a sua área, em vez de interceptá-la de cabeça sem mirar o rumo, quando desmarcado procurava amortecê-la no peito, mesmo dentro de sua área, e elegantemente fazia a distribuição da jogada.

Inspiração? Havia mirado nos talentosos zagueiros Ramos Delgado, Roberto Dias, Joel Camargo e Djalma Dias, todos falecidos, e de cada um deles extraiu um pouco para criar estilo próprio.

DRIBLOU DARIO

Por isso foi abusado em um dos últimos - se não o último dérbi que disputou em 1978 - quando tomou a bola do então atacante Dario, da Ponte Preta, aplicou-lhe um drible seco, e saiu sorrindo para delírio da torcida bugrina.

Na jogava seguinte, sobrou-lhe bola espirrada. Aí, ao se aproximar para combatê-lo, o já impaciente Dario o advertiu: 'Toca a bola menino, toca bola menino, se não eu tomo e complico a sua vida'.

O estágio no juvenil do Guarani foi relâmpago. Com 16 anos de idade, ainda franzino, foi lançado na equipe principal pelo saudoso treinador Armando Renganesch, contra a Ferroviária, no Estádio Brinco de Ouro.

Em excursão do Guarani ao continente asiático, o treinador Zé Duarte - já falecido - improvisou o zagueiro de centroavante, e como resposta ele marcou dois gols contra equipe de segunda divisão do Irã.

Aí, a tentativa de repetir a experiência em Campinas não foi bem sucedida, pois o treinador foi duramente criticado pela torcida bugrina.

CORINTHIANS

A trajetória de Amaral no Guarani se estendeu até 1978, quando o passe dele foi negociado para o Corinthians, ano em que foi titular absoluto da Seleção Brasileira, na Copa do Mundo da Argentina, na dupla de zaga com Oscar Bernardes, à época na Ponte Preta.

Depois ainda jogou no Santos, futebol mexicano e encerrou a carreira aos 34 anos de idade no Blumenau (SC).

No próximo dia de Natal ele completará 65 anos de idade e mora na cidade de São Paulo.