Fifi, o ídolo dos tempos do óleo elétrico

Fifi, o ídolo dos tempos do óleo elétrico

por ARIOVALDO IZAC - -

Na quente tarde da quarta-feira de cinco de março de 1967, a A.A. Votuporanguense cumpriria apenas um amistoso preparatório para o Campeonato Paulista de Acesso contra a Ponte Preta, no Estádio Moisés Lucarelli.

Na prática dois aspectos sobressaltaram: condescendência do então árbitro Albino Zanferrari ao tolerar nove minutos de injustificáveis acréscimos, justamente no período em a Ponte chegou ao gol de empate: 1 a 1.

A Votuporanguense dificultou demais aquela partida porque o seu camisa dez, o Fifi, desfilava seu repertório de dribles e criava tormento pra defesa pontepretana.

Na ocasião, sem obrigatoriedade das caneleiras, Fifi entrava em campo de meias arriadas, e assim dava mais visibilidade às pernas massageadas com óleo elétrico, que provocava brilho intenso com incidência do sol.

O tal óleo, que provocava cheiro forte, do tipo eucalipto, ajudava no aquecimento, para se evitar lesões musculares. Por isso foi usado com frequência nas décadas 50 e 60.

DRIBLES

Pois a característica principal desse Fifi era o drible. E abusava do individualismo desde os tempos de juvenil do Guarani, quando convocado pelo selecionado olímpico brasileiro para participar de torneio na Colômbia.

À época, jogador juvenil basicamente se apresentava em seu clube de origem em dias de jogos, e quando isso não ocorria Fifi trabalhava como entregador de carne, através de sua bicicleta.

Fominha por bola, ele arrumava um jeitinho de também atuar no primeiro tempo de jogos do extinto time varzeano E.C. Gazeta de Campinas, aos domingos pela manhã.

Na ocasião, encostava a 'magrela' na porta do vestiário, com as devidas encomendas no bagageiro, e as vigiava à distância, jamais contando que o amigo alheio levasse todo filé.

PRIMEIRO DÉRBI

O primeiro dérbi campineiro dele como atleta profissional do Guarani foi em 1957, pela Taça Amizade, no empate por 1 a 1, no Estádio Moisés Lucarelli, num time bugrino formado por Nicanor; Waldir e Sávio; Dalmo, Joe e Benê II; Friaça, Fifi, Villalobos, Benê I e Jansen. E no clube ficou até 1960, com histórico de 84 gols.

Francisco Santana, o Fifi, que completou 79 anos de idade, passou pelo XV de Piracicaba, Fluminense e Votuporanguense, de onde ainda é considerado o melhor jogador de todos os tempos. Ao encerrar a carreira de atleta, ele ficou radicado na cidade e até morou em alojamento do Estádio Plínio Moraes até 2010.