Washington, compararação equivocada com Pelé; morte há oito anos

Washington, compararação equivocada com Pelé; morte há oito anos

por ARIOVALDO IZAC - -

Washington Luís de Paula, atacante do Guarani no início dos anos 70, morreu em 15 de fevereiro de 2010, aos 57 anos de idade, em decorrência de complicações renais. Antes de adoecer vivia no ostracismo como coordenador de futebol da Associação Luso Brasileiro de Bauru.

A princípio foram inevitáveis projeções da mídia como sucessor de Pelé. O ponta-de-lança em questão, revelado pelo juvenil do Guarani, encantava pelos dribles desconcertantes e facilidade para colocar companheiros de equipe na ‘cara’ do gol.

O rótulo de bailarino da bola era justificado pelo balanço do tronco magrelo de um lado e saída com a bola no sentido oposto.

Embora pegasse bem na bola, priorizava arremates em distância quase nunca superior ao limite da grande área adversária.

Claro que pecava pela falta de ambição para marcar gols. Sequer se habilitava às cobranças de faltas e pênaltis, e assim ignorava a importância de se pontuar entre os artilheiros. Também teve mísero aproveitamento no cabeceio.

Em compensação, a matada no peito era elegante e objetiva. Logo, esse conjunto de valores foi recompensado ao integrar o selecionado brasileiro juvenil que sagrou-se campeão do Torneio Internacional de Cannes, na França. Depois participou da Olimpíada de Monique, na Alemanha, no mesmo ano: 1972.

SELEÇÃO PRINCIPAL

Aquele foi o ano de ouro para Washington, convocado até à Seleção Brasileira principal pelo treinador Zagallo à Copa Independência no Brasil, ocasião em que se quebrou uma escrita: pela primeira vez um jogador do interior do Brasil recebeu tal chamamento.

Nem por isso houve mudança em seu patamar salarial. Enquadrava-se no chamado padrão definido pelo Guarani, e não se rebelava.

Tímido, recorreu ao então supervisor do Guarani, Dorival Geraldo dos Santos, para discussão de salário no contrato por empréstimo ao Corinthians, em 1974.

Na ocasião, o saudoso presidente corintiano Vicente Matheus lhe deu chá de cadeira, enquanto se submetia a sessões de sauna e massagens.

Naquela passagem, Washington jamais justificou o investimento, e acabou devolvido ao Guarani. Depois, repasses a clubes como Vitória (BA), Coritiba, Bahia, Ferroviária, Noroeste, Rio Branco de Andradas e Marcílio Dias (SC).

Em uma das voltas a Campinas, Washington constatou que havia sido ludibriado por uma imobiliária da cidade que tinha procuração para administrar o seu apartamento em conjunto habitacional da periferia.

Dinheiro de aluguéis não foram repassados, nem por isso ele denunciou os culpados à polícia.

 
 
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