Dadá: "Eu me preocupo tanto em fazer gols que não tive tempo de aprender a jogar futebol”

Dadá: "Eu me preocupo tanto em fazer gols que não tive tempo de aprender a jogar futebol”

por Agência Futebol Interior

Em recente programa de televisão, as primeiras palavras do ex-centroavante Dario, o Dadá Maravilha, foi agradecimento a Deus no seu estilo folclórico. “Eu disse ao senhor que ele está me dando até demais. Pedi pra que me dê um pouco menos”.


Essa espontaneidade foi logo assimilada pelos torcedores da Ponte Preta na passagem pelo clube em 1978. Foi uma constatação de um marqueteiro que sabia promover jogos com promessas de gols, aliada ao batismo dos nomes deles.

Perplexo com o sofrimento de torcedores pontepretanos ‘durangos’ que assistiam às partidas na linha do trem, em morrinho atrás do gol da cabeceira sul do Estádio Moisés Lucarelli, topograficamente em plano acima do gramado, prometeu homenageá-los com o ‘gol Fepasa’, nome da antiga companhia ferroviária estadual.

Dadá havia sido informado que aqueles torcedores têm visão de apenas metade do campo. E após jejum de umas duas rodadas, cumpriu a promessa.

Evidente que alguns adversários nem sempre encaravam tais promessas como promoção do evento. Alguns interpretavam como provocação e combustível na fogueira, mas isso não mudou a postura de Dadá, conhecida desde os tempos em que se despontou no futebol no Atlético Mineiro em 1968, e lá repetiu mais três passagens.

Hoje, aos 71 anos de idade, está radicado em Belo Horizonte e atua como comentarista esportivo de televisão.

PERSONAGEM

Como artista em referência ao personagem, Dadá tem o hábito de falar dele na terceira pessoa do singular, exagerando no autoelogio. "Garrincha, Pelé e Dadá têm que ser currículo escolar”. E faz questão de ser incluído entre os principais cabeceadores do futebol mundial de todos os tempos. “Só existem três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá”.

Embora desengonçado, Dadá era artilheiro nato. Explorava a estatura de 1,85m de altura para marcar gols de cabeça. E isso se estendeu até 1986 no Comercial de Registro, entremeado em clubes de notoriedade como Flamengo, Inter (RS), Sport Recife, Náutico, Santa Cruz, Paysandu, Bahia, Goiás e Ponte Preta.

Quando os críticos o rotulavam de caneleiro, o recado era curto e grosso: "Eu me preocupo tanto em fazer gols que não tive tempo de aprender a jogar futebol”. E os gols ‘brotavam’ de todo jeito, até de bico na bola: “Não existe gol feio; feio é não fazer gol”.

Quando questionado sobre o grau de dificuldade de determinado adversário, intuitivamente ou não criava palavra fora do dicionário da língua portuguesa na padronização da resposta: “Não venham com a problemática porque eu tenho a solucionática”.