Pai se intrometia demais na carreira de Marcelo Vitta

Pai se intrometia demais na carreira de Marcelo Vitta

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

Se empresário do futebol é calcanhar de aquiles de dirigentes, no passado ingerência de pais de atletas também atormentava a ‘cartolada’.

Aristides Vitta, pai do centroavante Marcelo, foi uma pedra no sapato da diretoria bugrina até fora da discussão para renovação de contrato.

Aristides saía frequentemente de Mococa - cidade em que residia a família no interior paulista - para chegar de surpresa no Estádio Brinco de Ouro e cobrar reajuste salarial ao filho, após contrato como profissional.

Marcelo chegou nos juniores do Guarani no início da temporada de 1980 e, ao se destacar, o saudoso treinador Zé Duarte puxou-o para treinar entre os profissionais e até o escalou na vitória por 4 a 2 sobre o Comercial de Ribeirão Preto em Campinas, pelo Campeonato Paulista, dia 28 de setembro.

Na ocasião, Marcelo Vitta substituiu o finado Jorge Mendonça, num time formado por Birigui; Chiquinho, Júlio César, Edson e Miranda; Edmar, Henrique e Jorge Mendonça (Marcelo Vitta); Capitão (Roldão), Careca e Bozó.

CAMPO GRANDE

Chance para iniciar partida o treinador lhe deu dois meses depois, em amistoso contra o Campo Grande, no Estádio Hemenegildo Barcellos, o Arraial do Lobo, na ausência do titular Careca. Dois a zero para o Guarani, com gols de Marcelo e Paulo Borges.

A partir de então, Marcelo se transformou em reserva de luxo na equipe, substituindo quaisquer companheiros do meio de campo pra frente.

A fixação como titular ocorreu somente em 1983, quando Careca já havia se transferido ao São Paulo. Paradoxalmente, a carreira no Guarani se estendeu até o dia 25 de abril daquela temporada, quando se despediu após derrota para o Flamengo por 2 a 0, no Estádio do Maracanã.

Foi uma época em que pessoas endinheiradas - a exemplo de empresários de futebol - podiam contratar jogadores e repassarem a clube. E Márcio Papa, que adquiriu o passe de Marcelo, tinha intenção em repassá-lo por empréstimo ao Palmeiras, que vetou a transação.

VASCO

Logo, o destino do atleta foi Vasco, carreira internacional na Udinese da Itália, e cinco anos dourados no Inter (RS), com o bi estadual no biênio 1986-87.

A partir de 1991 Marcelo iniciou trajetória descendente na carreira em equipes do interior paulista, até o encerramento quatro anos depois no Pelotas (RS).