Ponte Preta já teve o seu Alziro Zarur

Ponte Preta já teve o seu Alziro Zarur

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

É usual referência a zagueiros da Ponte Preta de décadas passadas, quando se atribui notoriedade ao falecido Samuel ainda no final da década de 60, os selecionáveis Oscar Bernardes e Polozi nos anos 70, sucedidos pela dupla Juninho Fonseca e Nenê Santana em meados da década de 80.

Costumava-se dizer que a Ponte Preta era uma escola de zagueiros formados na base, mas na prática ignoram que uma leva formada em juvenis e juniores do clube era razoável e fraca.

O saudoso Eugênio Mexerica não inspirava confiança e não se firmou como titular. No começo da década de 80, quando Polozi e Nenê já haviam deixado o clube, foram feitas várias tentativas de reposição.

Foi buscado no Rio de Janeiro o zagueiro Orlando Fumaça, um rebatedor que sequer ficou seis meses no clube.

A partir de 1981, o prata-da-casa Zarur começou a ganhar as primeiras oportunidades na quarta-zaga.

Zarur foi um canhoto com dificuldade para usar o pé direito para desarme. Era o típico jogador torto, mas levava fé em seu taco.

Em entrevista à revista Placar, na época, avisou que poderia vir Serginho Chulapa, Casagrande, Baltazar e Careca, pois nenhum deles o colocaria medo.

Com Juninho Fonseca frequentemente convocado às seleções olímpica e principal do Brasil, Zarur passou a ter companheiros vulneráveis na zaga. Um deles Rudnei.

Zarur foi mais um exemplo de pais que veneram líderes religiosos e repassam os nomes deles aos filhos.

LBV

No caso específico, o lembrado foi o saudoso fundador da LBV (Legião da Boa Vontade), no Rio de Janeiro, em janeiro de 1950, o radialista Alziro Zarur, que tinha programa na Rádio Globo afinado com caridade aos menos favorecidos.

O líder religioso da LBV morreu em 1979, quando o zagueiro Alziro Zarur Gabrielli havia completado o quarto ano de Ponte Preta, com início na categoria dente de leite.

Como Zarur não prosperou, a Ponte trouxe de volta Polozi, que não havia repetido no Palmeiras as atuações conviventes.

E mesmo após a saída de Juninho, transferido ao Corinthians, Zarur perdeu espaço no elenco pontepretano com a promoção do também prata-da-casa Valdir, zagueiro de caixa torácica avantajada.

Como Valdir igualmente não vingou, dirigentes da Ponte buscaram o experiente Osmar Guarnelli no Atlético Mineiro, na expectativa que a nova safra de zagueiros pudesse sucedê-lo, posteriormente.

Nada feito. Heraldo, filho do então treinador Diede Lameiro e Júnior Curau, recém-saídos dos juniores, não deram a segurança projetada.