ESPECIAL SÉRIE D: Pancadaria, abelhas e domínio nordestino

Entre acontecimentos peculiares no decorrer da competição, três dos quatro times a conseguirem o acesso foram nordestinos

por João Vitor Nicodemus

Campinas, SP, 25 (AFI) – Emocionante do começo ao fim, o Campeonato Brasileiro Série D 2018 teve um pouco de tudo. Em meio a briga entre times rivais, entre jogadores do mesmo time, grandes decepções do sudeste, foi a região nordeste do país quem dominou a competição. Com toda a honra e glória do título, o Ferroviário-CE foi um dos quatro a conseguirem o sonhado acesso, acompanhado por São José-RS e por outros dois nordestinos: Imperatriz-MA e Treze-PB.

O ano foi de ineditismos. 2018 foi justamente a 10ª edição do Brasileiro Série D, pela primeira vez, o Nordeste conseguiu embalar três dos quatro acessos. Os bons números fizeram com e o estado passasse a deter 40% dos acessos de toda a história da competição.

As marcas não se limitaram só às regiões, mas também alcançaram os estados. A conquista feita pelo São José fez com que o Rio Grande do Sul se igualasse a Rio Grande do Norte e São Paulo como os estados que mais conquistaram acessos na Quarta Divisão nacional, com quatro cada um.

(Foto: Divulgação/Ferroviário)
(Foto: Divulgação/Ferroviário)

O Ferroviário se tornou o primeiro time da capital cearense a conquistar um título nacional, atingindo a marca antes de Ceará e Fortaleza. O Ferrão, no entanto, não é o primeiro do estado a ser campeão nacional, já que o Guarany de Sobral já havia levantado o caneco da Série D. Com isso, o estado do Ceará passa a ser o primeiro a ter dois títulos na divisão. O feito também foi alcançado de maneira inédita por Marcelo Vilar, comandante do Ferroviário, primeiro treinador a conquistar a Série D por duas vezes.

TEVE DE TUDO DENTRO DE CAMPO
Se foram alcançados números curiosos pelos times, o que não faltou dentro de campo foram ocorrências surpreendentes. Começando pela primeira partida da final, que contou com a chamada “lua de sangue”, evento raro, por um momento na Arena Castelão, em Fortaleza-CE. Além disso, um enxame resolveu fazer morada em uma das traves da decisão e o corpo de bombeiros precisou agir para que o duelo entre Ferroviário e Treze acontecesse normalmente.

(Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
(Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Outros acontecimentos que marcaram o torneio foram as pancadarias. Na semifinal, jogo de volta entre Caxias-RS e Treze-PB, no Rio Grande do Sul, as coisas desandaram para o Caxias e o Treze caminhava para uma classificação sem maiores problemas. Até que uma briga generalizada começou, envolvendo funcionários dos times, jogadores e torcedores. A partida foi finalizada antes dos 90 minutos e o Galo ficou classificado.

As emoções foram tantas que teve até briga entre jogadores do mesmo time. Leone, zagueiro, e Manoel, atacante, ambos do Altos-PI “saíram na mão” durante o jogo da segunda fase do time piauiense contra o Moto Club-MA. Classificado para a próxima fase, o Altos ficou sem a dupla, que recebeu punição de quatro partidas.

PERSONAGENS
O que não faltaram foram personagens no torneio e, para ressumir alguns dos mais marcantes, nada melhor do que um nome de cada finalista. Dentro de campo, o atacante Edson Cariús, do Ferroviário, se sagrou como um dos artilheiros do Brasil no ano, e o goleiro do Treze, Mauro Iguatu, viveu superação e foi um dos heróis do acesso da equipe.

(Foto: Divulgação/Treze)
(Foto: Divulgação/Treze)

Entretanto, o grande destaque mesmo fica para Marcelinho Paraíba, aquele mesmo, do Treze-PB, e para Juninho Quixadá, do Ferrão. Marcelinho teve ano conturbado, tendo passado por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e sido preso por atraso no pagamento de pensão. Mas o meio-campista voltou aos gramados e foi o camisa 10 no ano de glórias do Treze, vestindo a faixa de capitão e cobrando faltas com qualidade, como de costume.

Já Juninho Quixadá brilhou tanto que nem esperaram ele conquistar o título para tirá-lo do Ferroviário. O atacante jogou demais nas partidas do acesso do time cearense e, antes das finais, foi contratado pelo Ceará. O jogador se firmou no Alvinegro e ainda foi importante para ajudar o Vovô a fugir do rebaixamento na elite nacional.

 
 
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