Sonho de chegar à Série C passa por maratona de viagens de norte a sul do país

O São José sairá do Sul do país para enfentar o Atlético no Acre; O Maranhão vai até Pontra Grossa-PR

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 10 (AFI) - O sonho de disputar o Campeonato Brasileiro da Série C está a quilômetros de distância para os oito participantes ainda vivos na Série D. Devido o tamanho do território brasileiro e a diversidade da competição, os times são obrigados, em um certo momento, a fazer longas viagens, como aconteceram nos jogos de volta das quartas de final.

Uma verdadeira maratona, que despende muitas horas de viagem, mudanças bruscas de temperatura e inclui até a diferença de fuso horário.

Somente as duas primeiras fases tiveram confrontos regionais. Depois disso, valia a pontuação. Fala-se em duelo dos extremos. O gaúcho São José, que pode disputar a Série C pela quinta vez na história, vai até o Acre para enfrentar o Atlético. A viagem também é longa para o Maranhão, que terá que deixar o calor nordestino para enfrentar o frio do interior do Paraná. O adversário é o Operário.

Os outros dois confrontos são entre América-RN e Juazeirense, e Globo-RN diante do URT. Os vencedores estarão nas semifinais e garantirão o acesso à Série C.

Globo é o primeiro a conquistar o acesso á Série C
Globo é o primeiro a conquistar o acesso á Série C

O percurso é longo e a logística precisou ser feita com antecedência. Como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) banca as despesas com viagens, todas as equipes farão o trajeto de avião, mas às vezes com parte do trajeto de ônibus. Aquela equipe que não enfrentar escala, precisará pegar ônibus para chegar a um ponto de encontro mais adequado.

Confira o trajeto dos quatro visitantes da Série D nas quartas de final:

Globo x URT
Um dos confrontos aconteceu na sexta-feira à noite. Aproximadamente 2.500 km separam a cidade de Ceará-Mirim (RN), local do duelo, à Patos de Minas (MG), onde fica localizada a sede do URT. É o segundo menor trajeto das quartas de final, porém, não deixa de ser longo.

O time mineiro, que venceu o jogo de ida por 1 a 0, saiu de Patos de Minas e seguiu para Uberlândia de ônibus. Percorreu 225 Km pela BR 365. De lá, a delegação viajou de avião para o São Paulo, ou seja, desceu para a o sul.

Do aeroporto de Guarulhos embarcou no voo direto para Natal (RN), cidade que ficará hospedada até horas antes da partida. Isso porque Ceará-Mirim fica bem perto da capital potiguar, apenas 35 km percorridos de ônibus numa viagem de 40 minutos.

América-RN x Juazeirense
O duelo entre América-RN e Juazeirense é a viagem mais amena das quartas de final. O Juazeirense enfrentará um percurso de mil quilômetros desde o norte da Bahia para chegar até Natal (RN), onde enfrentará o tradicional time do América domingo.

América de Natal ainda sonha com o 'acesso impossível'
América de Natal ainda sonha com o 'acesso impossível'

O voo para a capital do Rio Grande do Norte ocorreu na madrugada de sexta-feira do Aeroporto de Petrolina, já em Pernambuco, cidade próxima de Juazeiro (BA). Elas estão separadas por apenas seis quilômetros, praticamente basta atravessar o lendário Rio São Francisco. Muita gente faz a travessia de balsa, mas a delegação a percorreu pela rodovia BR 407 e atravessou a ponte Presidente Dutra que liga os dois Estados.

O clima também não afetará as equipes, já que o clima é quente em todo o Nordeste. Natal ainda é mais ameno por estar no litoral. Único fato que chamou a atenção foi que o Juazeirense treinou no CT do ABC, uma vez que o rival América-RN vetou que utilizasse as dependências da Arena das Dunas.

No confronto de ida, o Juazeirense venceu por 3 a 0, ficando assim em grande vantagem na briga pela vaga. O time baiano pode perder por até dois gols de diferença para avançar, justamente, em cima do time mais tradicional nesta fase.

Atlético Acreano x São José-RS
O São José-RS, chamado carinhosamente de Zezinho, é que fez a viagem mais cansativa. A delegação saiu do sul do país exatamente para o outro extremo, no norte, até a cidade de Rio Branco, onde enfrentará o Atlético. São mais de 4 mil quilômetros. Por terra, esse percurso seria realizado em 55 horas.

No entanto, o time gaúcho fez o percurso de avião, com escalas por Brasília e Porto Velho, capital de Rondônia, com saída de Porto Alegre (RS). A viagem é cotada para ser realizada em oito horas, mas com as esperas em aeroportos costuma durar até 12 horas. A equipe do São José saiu às 6h de sexta-feira e só chegou em Rio Branco, na capital acreana, depois das 16 horas.

O time acreano sofreu na semana passada, quando foi do Acre até o Rio Grande do Sul. Uma cansativa viagem que durou mais de 13 horas. A delegação saiu de madrugada (3h da manhã da quinta-feira) e chegou aproximadamente às 18h em Porto Alegre-RS, sendo que existe o fuso de menos duas horas entre o Acre e o Rio Grande. Houve escalas em Brasília e Rio de Janeiro.

Mas valeu a pena para o campeão acreano. O Atlético Acreano conquistou uma leve e importante vantagem por ter vencido o rival, no Sul, por 1 a 0. Com isso, joga pelo empate para carimbar o tão sonhado acesso à Série C dentro da Arena da Floresta. Os gaúchos vão enfrentar uma temperatura em torno de 35 graus, diferente dos 15 de Porto Alegre.

Operário-PR x Maranhão
A viagem do Maranhão para o jogo mais importante do ano também não foi fácil. O time saiu do calor de 38 graus de São Luis (MA) para encarar o frio de Ponta Grossa (PR), em torno de 12 graus, e mais de três mil quilômetros de distância. O adversário é o Operário, que vem despontando como a quarta potência do Estado do Paraná.

O Maranhão pôde 'conhecer' várias cidades pelo trajeto. Na sexta-feira, a delegação saiu de São Luis, passou por Brasília e Curitiba (PR), antes de terminar a viagem, de ônibus, até Ponta Grossa – distante 120 km, num ‘voo rasteiro’ que dura perto de uma hora e meia.

O desafio dentro de campo para o Maranhão também é grande. O time perdeu em casa por 3 a 1 e precisa vencer por três gols de diferença para eliminar o Operário e carimbar o acesso.

Como se pode constatar, para brigar por acesso dentro do Brasileiro da Série D, é preciso ser bom de bola e ter uma boa resistência para superar longas e cansativas viagens de norte à sul do país.