Sucesso de Jesus e estilo de Sampaoli motivam novas apostas em estrangeiros

Hoje, pelo menos três clubes definiram como prioridade a contratação de profissionais de fora do País para 2020

por Agência Estado

Campinas, SP, 04 - O sucesso do português Jorge Jesus, campeão da Copa Libertadores e do Campeonato Brasileiro com o Flamengo, e do argentino Jorge Sampaoli, segundo colocado no torneio nacional com o Santos, vem causando dois movimentos no mercado interno de técnicos. O primeiro foi o aumento da procura por treinadores estrangeiros. Hoje, pelo menos três clubes definiram como prioridade a contratação de profissionais de fora do País para 2020. São eles: Internacional, Palmeiras e Athletico-PR.

A segunda consequência é a pressão nos treinadores com bons resultados recentes, mas que apresentaram esquemas defensivistas e pouco vistosos. Isso acontece com Fábio Carille, Luiz Felipe Scolari, Mano Menezes e Abel Braga.

O técnico Dorival Junior, que esteve afastado nos últimos meses para a retirada de um tumor, prefere esperar a movimentação do mercado para fazer uma análise mais aprofundada. "O interesse pelos estrangeiros é um movimento natural, a gente tem de entender", afirmou o treinador que levou o Flamengo ao vice-campeonato brasileiro no ano passado, mas acabou demitido com a chegada da nova gestão ao clube.

Sucesso de Jesus e estilo de Sampaoli motivam novas apostas em estrangeiros
Sucesso de Jesus e estilo de Sampaoli motivam novas apostas em estrangeiros
Marcelo Paz, presidente do Fortaleza de Rogério Ceni, considera legítima a busca por estrangeiros. "Esse interesse é legítimo e é válido. Há espaço para técnicos estrangeiros e para brasileiros. Quem for melhor vai estabelecer seu trabalho", disse o dirigente.

Depois de uma temporada sem títulos, o Palmeiras tem mostrado grande determinação em contratar um estrangeiro. A prioridade é o próprio Sampaoli. Segundo fontes ligadas à diretoria, a negociação está encaminhada e pode ser anunciada no final do Brasileirão. Os planos B e C também são estrangeiros. O clube sondou o colombiano Juan Carlos Osorio, que deve permanecer no Atlético Nacional, da Colômbia, e até Carlos Queiroz, português que está na seleção colombiana.

No final do mês de novembro, o argentino Eduardo Coudet afirmou que deu prioridade ao Internacional quando sair do Racing no próximo dia 15. Falta apenas tornar o negócio oficial. A dois jogos do fim do ano, a diretoria evita comentar o tema publicamente para não correr risco de interferência sobre o trabalho atual na disputa da vaga na Libertadores. Coudet está no Racing desde 2018, clube pelo qual conquistou a Superliga Argentina de 2018/2019.

O nome do argentino Sebastian Beccacece ganhou força no Athletico-PR para substituir Tiago Nunes. A imprensa argentina noticiou o encontro do ex-comandante de Independiente e Defensor y Justicia com o diretor de futebol, Paulo André. As conversas estão em andamento. O movimento oposto - o interesse dos estrangeiros em trabalhar no Brasil - também é verdadeiro. O espanhol Miguel Angel Ramirez, atual treinador campeão da Copa Sul-Americana, por exemplo, foi oferecido ao Atlético-MG. O nome do técnico do Independiente Del Valle não despertou grande interesse.

PRESSÃO
Outro efeito colateral do sucesso dos estrangeiros é a pressão sobre treinadores brasileiros medalhões. Mesmo com bons resultados recentes ou altos índices de aproveitamento, vários técnicos serão cobrados por ofensividade, intensidade e maior apetite pelas vitórias. Mano Menezes sentiu esse efeito na pele ao ser demitido do Palmeiras. Mesmo na disputa do vice-campeonato e depois de ter conquistado a Copa do Brasil com o Cruzeiro no ano passado, ele foi criticado pela má qualidade do jogo palmeirense.

Depois do título paulista, Fábio Carille foi demitido do Corinthians após protestos da torcida, que queria o fim do estilo retranqueiro. O time briga pela Libertadores, mas não conseguiu mostrar um jogo que agradasse. Por isso, Carille caiu. No Cruzeiro, Abel Braga não conseguiu nem resultados nem o jogo bonito e pediu demissão com o time na zona de rebaixamento.

"Acredito que isso (interesse pelos estrangeiros) é decorrente de uma nova metodologia de treino e planejamento que esses treinadores estrangeiros aplicam. Saímos da mesmice, temos uma nova geração de treinadores brasileiros mas devido a diversos fatores eles não têm oportunidade e tempo para implantar o trabalho com sucesso", Emílio Miranda, presidente do Sindicato dos Treinadores do Estado de São Paulo.

PASSAGENS CURTAS
Exemplos recentes mostram que a contratação de estrangeiros não pode ser vista como sinônimo de receita de sucesso. Um dos principais problemas é a falta de continuidade. Em geral, os estrangeiros ficam pouco tempo por aqui. Em 2015, Osorio deixou o São Paulo para ir à seleção do México. Vale lembrar que o clube vivia uma crise política brava que dificultou seu trabalho. O argentino Edgardo Bauza também deixou o clube do Morumbi para assumir a seleção de seu país.

O colombiano Reinaldo Rueda assumiu o Flamengo em agosto de 2017 como campeão da Libertadores com o Atlético Nacional no ano anterior. O treinador, no entanto, não obteve o mesmo sucesso e acabou se desligando do clube após receber uma proposta para comandar a seleção do Chile. Foram 31 partidas, com 13 vitórias, 10 empates e oito derrotas - aproveitamento superior aos 50%.

A experiência do Cruzeiro com um treinador estrangeiro durou apenas 75 dias. Em 2016, Paulo Bento teve um desempenho frustrante, sendo demitido deixando a equipe celeste na penúltima colocação do Campeonato Brasileiro. Em 17 jogos, conseguiu seis vitórias, três empates e oito derrotas. Após sua saída, o português assumiu o Olympiacos, da Grécia, em agosto.

Curta também foi a passagem de Ricardo Gareca no Palmeiras. Com grandes expectativas, em função de uma boa bagagem, conquistando três títulos argentinos com o Vélez Sarsfield, o argentino não obteve sucesso no Palmeiras. À frente do time paulista foram apenas 13 jogos. O aproveitamento foi de 38,46%. Posteriormente, teve êxito com a seleção peruana, levando a equipe a uma Copa do Mundo depois de 36 anos e ao vice-campeonato da Copa América.

Por outro lado, o uruguaio Diego Aguirre talvez seja o que mais teve tempo para trabalhar. No ano passado, ele foi responsável por conduzir o São Paulo à melhor campanha do primeiro turno do Brasileirão em 2018. O rendimento acabou caindo drasticamente na segunda metade de competição e o treinador acabou sendo demitido. Antes, havia sido técnico do Internacional, em 2015, onde conquistou o Campeonato Gaúcho. Depois comandou o Atlético-MG, faturando o título da Flórida Cup, torneio de pré-temporada nos Estados Unidos. Acabou sendo demitido após eliminação na Libertadores.