Base paulista: caminho do primeiro título do Brasil tinha início há 101 anos

Jogadores do futebol paulista serviram de base para a conquista inédita da Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1919

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 11 (AFI) - Há exatos 101 anos, tinha início o Campeonato Sul-Americano, a primeira competição conquistada na história da Seleção Brasileira. E o torneio foi memorável para o futebol paulista, que serviu de base para o escrete canarinho.

CENÁRIO!
Em 1918, ano do fim da Primeira Guerra Mundial, o mundo foi assolado pela pandemia do vírus influenza, denominada como Gripe Espanhola, similar ao que enfrentamos hoje com o Coronavírus. Na época, estima-se que cerca de um quarto da população mundial tenha sido infectado pela doença durante dois anos.

Apesar da epidemia, o Campeonato Sul-Americano, realizado no Rio de Janeiro, marcou o primeiro evento esportivo a nível internacional da história do Brasil. Para tal, foi construído o estádio das Laranjeiras, casa do Fluminense, inaugurado justamente no dia 11 de maio de 1919, data da estreia brasileira na competição diante do Chile.

Fotos: Arquivo Nacional
Fotos: Arquivo Nacional
Naquela oportunidade, além dos donos da casa, Argentina, Uruguai e Chile disputaram o título do torneio, realizado no próprio estádio das Laranjeiras, o principal palco futebolístico da América Latina na época, com capacidade para 25 mil espectadores.

SELEÇÃO PAULISTA!
A base do time selecionado para representar o Brasil no Sul-Americano, percursor da atual Copa América, era formado por jogadores que atuavam no estado de São Paulo. Todos os 12 gols do escrete canarinho na competição foram anotados por atletas do futebol paulista.

O Brasil iniciou a campanha do título com o pé direito diante do Chile. O destaque do confronto foi Friendreich, um dos principais jogadores brasileiros da época. O jogador do Paulistano foi responsável por três dos seis gols na goleada por 6 a 0. Outra peça fundamental no duelo foi Neco, ídolo do Corinthians, autor de dois tentos. Haroldo, atleta do Santos, fez o sexto canarinho.

Foto: Arquivo Nacional
Foto: Arquivo Nacional
Na segunda partida, contra a Argentina, Heitor, maior artilheiro da história do Palmeiras, Amílcar, um dos primeiros ídolos do Corinthians, e Millon, do Santos, anotaram no triunfo por 3 a 1. No terceiro confronto, o Brasil ficaria com o título em caso de vitória diante do Uruguai, bicampeão sul-americano na época, porém o placar terminou empatado por 2 a 2, com dois gols de Neco.

DESEMPATE!
Com a mesma pontuação, Brasil e Uruguai se enfrentaram em jogo-desempate para conhecer o mais novo campeão. Do time que entrou em campo na decisão, oito atletas jogavam em clubes paulistas. Após empate sem gols no tempo normal, o jogo se estendeu para a prorrogação, mas como o placar não foi alterado, houve a necessidade de mais um tempo extra, já que não havia disputa de pênaltis na época.

Já na segunda prorrogação, Neco invadiu a área pelo lado direito e cruzou para Heitor que chutou. O goleiro uruguaio Saporiti defendeu, mas Friedenreich se aproveitou do rebote e marcou o gol do título brasileiro, tornando-se um ídolo nacional. Nesta partida, o jogador recebeu o apelido de “El Tigre” por parte dos uruguaios.

CURIOSIDADES!
A primeira conquista da história da Seleção Brasileira serviu de inspiração para o samba “1 x 0”, de Pixinguinha, que se tornou a trilha sonora daquela campanha. Foi também a primeira vez que o futebol serviu como ferramenta para unir todas as camadas sociais.

Naquela época, ainda não existia a figura do treinador na Seleção Brasileira. As equipes eram escaladas por comissões técnicas, formadas por jogadores. No Brasil, por exemplo, Arnaldo da Silveira (capitão), Amílcar, Mário Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vianna Netto eram os responsáveis pela escalação nacional.

LUTO!
Por conta do forte calor que assolava o Rio de Janeiro, Cayetano Saporiti, goleiro do Uruguai foi poupado no segundo jogo da Celeste, dando lugar para o suplente Roberto Chery. Aos 23 anos, a promessa uruguaia se chocou com um jogador chileno e sofreu uma lesão inguinal. Hospitalizado, o jogador não resistiu e faleceu ainda durante a competição.

FICHA TÉCNICA
Brasil 6 x 0 Chile
Local: Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro;
Data: 11 de maio de 1919
Árbitro: Juan Pedro Barbera (ARG);
Gols: Friendreich (3), Neco (2) e Haroldo (1).

Brasil: Marcos de Mendonça; Píndaro e Bianco; Sérgio Pereira, Amílcar e Gallo; Friedenreich, Arnaldo Silveira, Luiz Menezes, Haroldo Domingues e Neco.

Chile: Manuel Guerrero; Poirier e Francisco Gatica; Aurelio Domíinguez, Héctor Baeza e Oscar González; Alfredo France, Víctor Varas, Telésforo Báez, Horácio Muñoz e Eufelio Fuentes.