Após tempos difíceis na Rússia, Willian e Thiago Silva chegam no auge para Copa

Thiago Silva dava os primeiros passos no futebol profissional quando viveu os piores momentos da sua vida

por Agência Estado

São Paulo, SP, 12 - Na seleção brasileira do técnico Tite, a chegada à Rússia para a disputa da Copa do Mundo traz lembranças ruins, mas também a expectativa de consolidação de um momento de redenção para dois jogadores. São os casos do zagueiro Thiago Silva e do meia-atacante Willian, que passaram por maus bocados no país, mas conquistaram o status de titular da seleção nacional às vésperas do início do torneio.

Thiago Silva dava os primeiros passos no futebol profissional quando viveu os piores momentos da sua vida. Em 2005, o então jogador do Dínamo Moscou sofria com o frio russo e teve problemas respiratórios que acabaram se transformando em uma tuberculose, ficando seis meses internado em um hospital. Na época, então, se cogitou até mesmo a retirada de parte do pulmão do zagueiro, algo que foi evitado pela intervenção de Ivo Wortmann, que era o seu treinador no time russo.

Depois, então, Thiago Silva brilhou pelo Fluminense, dando a volta por cima após anos iniciais difíceis na sua carreira, também se destacando com a camisa de gigantes do futebol europeu como o Milan e o Paris Saint-Germain. Mas ele mesmo reconhece que essa volta à Rússia para a Copa do Mundo lhe desperta sensações diferentes.

"Retornar para mim é tristeza e felicidade ao mesmo tempo, por tudo o que passei em 2005. O Ivo foi meu anjo da guarda no país por não permitir uma cirurgia no pulmão. Já tive a possibilidade de disputar um amistoso lá, mas uma Copa certamente vai ser um sentimento diferente para mim", relembrou Thiago Silva em recente entrevista coletiva.

A redenção que o zagueiro passou na sua vida pessoal também se deu, ainda que em outras proporções, dentro de campo. Afinal, apesar de já consagrado no cenário internacional, ficou marcado pelo fracasso da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, mesmo que estivesse suspenso na acachapante derrota por 7 a 1 para a Alemanha, pois seu choro na disputa dos pênaltis contra o Chile foi visto como descontrole emocional inaceitável para um capitão.

Após tempos difíceis na Rússia, Willian e Thiago Silva chegam no auge para Copa
Após tempos difíceis na Rússia, Willian e Thiago Silva chegam no auge para Copa
O martírio em campo durou ainda mais algum tempo, o que incluiu um erro decisivo para a eliminação brasileira nas quartas de final da Copa América de 2015. Esquecido por Dunga, foi resgatado aos poucos por Tite, tendo disputado apenas cinco dos 18 jogos da seleção nas Eliminatórias. Mas foi só às vésperas da Copa do Mundo que o treinador lhe devolveu, de fato, a titularidade com a camisa do Brasil.

Ao lado de Miranda, teve atuações seguras nos amistosos contra Croácia e Áustria - vencidos por 2 a 0 e 3 a 0, respectivamente -, ampliando a grande fase de um sistema defensivo que só sofreu cinco gols nos 19 jogos em que foi comandado por Tite. E ele não esconde o desejo de concluir a fase derradeira da sua volta por cima a partir do próximo domingo, quando a seleção encara a Suíça na sua estreia na Copa do Mundo, a terceira da sua carreira.

"Tivemos um aprendizado muito grande, por isso estamos numa Copa do Mundo, que é o auge. Temos a possibilidade de reescrever a nossa história. Não temos que prometer título, mas boas atuações porque estamos nos preparando da maneira que tem que ser", comentou.

WILLIAN

Assim como Thiago Silva, Willian também não guarda as melhores lembranças da Rússia. Mas foi para lá que ele foi em janeiro de 2013, quando acabou sendo adquirido pelo Anzhi Makhachkala, que o tirou do Shakhtar Donetsk. A transferência, mais do que um passo esportivo, foi uma ação para deixar o clube ucraniano, que só aceitava negociá-lo pelo valor da multa rescisória.

Só o milionário Suleiman Kerimov aceitou pagar, mas a aventura russa de Willian durou até o empresário decidir reduzir os seus investimentos no clube. E o meia-atacante, hoje no Chelsea, encerrou a sua passagem pelo país da Copa do Mundo de 2018 com apenas um gol marcado em pouco mais de seis meses no Anzhi Makhachkala.

Sempre elogiado por Tite, Willian disputou 19 dos 21 jogos em que o treinador dirigiu o Brasil, mas vinha tendo status de 12.º titular após perder disputa direta com Philippe Coutinho por uma vaga na equipe. Mas a queda de rendimento de Renato Augusto fez o treinador trocar um jogador de confiança por outro. E Willian chega à Copa como titular, contando com sua velocidade e habilidade para abrir espaços nas defesas adversárias.

Hoje, o seu concorrente, inclusive, é Fernandinho, que realiza uma função tática diferente, o que faz Willian tentar fugir da pecha de titular absoluto. "Me sinto um jogador importante que pode ajudar a seleção brasileira. Claro que estou preparado para continuar jogando", afirmou.

De qualquer forma, ele sabe que pode mostrar bem mais agora do que nos tempos de Anzhi Makhachkala. Além disso, espera apagar a decepção do Mundial do Brasil, quando só foi titular uma vez, na melancólica disputa do terceiro lugar, vencida pela Holanda por 3 a 0. "Depois da Copa de 2014, tiveram muitos altos e baixos. Hoje a seleção está bem madura, sabendo o que tem de fazer dentro de campo", disse o meia-atacante do Chelsea, pronto para enfim brilhar, de fato, nos campos russos.

 
 
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