Bate Papo com Ari na Copa: Enxergar o jogo

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 3 (AfI) - Jorginho, auxiliar técnico da Seleção Brasileira, tem se revelado um fiel escudeiro do comandante Dunga. Uma das últimas posições bombásticas foi a citação, nesta quinta-feira, na África do Sul, de que “cerca de 300 jornalistas brasileiros estão torcendo contra a Seleção, para poder dizer que tinham razão quando criticavam a comissão técnica”.

Evidente que Jorginho exagerou, mas com certeza tem gente da caneta e do microfone torcendo contra. Coisa de poucas dezenas de jornalistas, radialistas e intrusos no meio que não conseguem sequer disfarçar, se bem que também não têm obrigação de torcer a favor.

Pau e pau!
Se Dunga restringe o número de entrevistas, ‘leva pau’. Se fecha os portões durante treinos, para se preservar de verdadeiros espiões, as críticas são pesadas. Aí, ironicamente, ele escancara as portas dos locais de treinamento quando o planejamento prevê atividade física ou trabalho técnico leve, sem comprometimento dos olhares oportunistas.

A rigor, fatia considerável daqueles que cobram liberdade absoluta para acompanhamento de treinos da Seleção Brasileira em Joanesburgo, capital da África do Sul, assistiu in loco o jogo amistoso do Brasil contra Zimbábue sem ‘enxergar’ o jogo da bola, como manda o figurino.

Como reclamar de portões fechados em treinos quem é incapaz de flagrar o amadurecimento tático do atacante Robinho, que transportou à Seleção o aprendizado de voltar sistematicamente para marcar avanços de laterais adversários. Essa virtude foi incorporada nesta segunda passagem pelo Santos.

Os movimentos em campo
Aos olhos de quem observa apenas o ‘basicão’, o amistoso contra Zimbábue serviu exclusivamente para ritmo de jogo aos jogadores brasileiros. Quem se pautou para enxergar o jogo da bola flagrou Felipe Mello como homem da cobertura quando Michael Bastos se mandou ao ataque.

Viu este mesmo Felipe Mello se posicionar além do segundo pau em cobranças de escanteio de seu time, para finalizar de primeira as bolas que ultrapassaram a chamada ‘zona do agrião’.

Obediência tática
É incrível a obediência tática de Elano. Posiciona-se como terceiro volante quando o Brasil é atacado, e segue à risca a orientação para virar o jogo em sentido radicalmente oposto, com a finalidade de surpreender o time adversário.

Postura igualmente obediente é do atacante Luís Fabiano, que na maior parte do jogo contra o Zimbábue se fixou no comando do ataque. Com isso, evitou suas habituais deslocações pelos lados do campo, para buscar bola.

Subsídios para se debater o jogo da bola com o técnico Dunga não faltam. Na prática, isso não é aproveitado como deveria. Uma pena.