Avaí sofre com elenco barato, mas crê em equilíbrio financeiro para o time reagir

A equipe comandada pelo técnico Alberto Valentim amarga uma campanha de seis empates e oito derrotas

por Agência Estado

Florianópolis, SC, 15 - Atual campeão catarinense, o Avaí continua sem conseguir engrenar no cenário nacional nesta temporada. Ao empatar por 2 a 2 com o Cruzeiro no último domingo, em Florianópolis, o time acumulou 14 partidas sem vitórias no Campeonato Brasileiro e se manteve como único clube que ainda não ganhou um jogo nesta edição da competição.

Lanterna da tabela de classificação, com seis pontos, a equipe comandada pelo técnico Alberto Valentim amarga uma campanha de seis empates e oito derrotas. O desempenho ruim pode ser explicado por uma série de motivos, e um deles é o elenco de nível modesto para as exigências da elite nacional e com muitos jogadores novos.

COMPLICADO
Os próprios dirigentes do clube admitem que a inexperiência de boa parte do plantel é um fator importante que colaborou para a péssima fase no Brasileirão.

"O que eu vejo é que os nossos jogadores, na maioria, são jovens, tem uns quatro ou cinco mais 'cascudos', e o resultado muitas vezes não vem por causa da ansiedade dos atletas mais novos", afirmou o presidente do Avaí, Francisco José Battistotti, em entrevista ao Estado.

"Mas, vindo a primeira vitória, a confiança vai voltar e as coisas vão acontecer", reforçou.

JOVEM, MAS NEM
O elenco profissional da equipe catarinense conta atualmente com 38 jogadores e a média de idade do mesmo é de 25,9 anos, que nem pode ser considerada tão baixa, sendo que o grupo tem alguns veteranos como o meia Douglas, ex-Corinthians, Grêmio e Vasco, de 37 anos, e o zagueiro Betão, de 35, outro atleta com passagem marcante pelo time corintiano.

POUCO DINHEIRO PARA INVESTIMENTO
E o que parece pesar de maneira mais determinante para este logo jejum do time de Santa Catarina são as próprias limitações técnicas da equipe, cujo orçamento é considerado baixo se comparado aos demais clubes da elite nacional.

Foto: André Palma Ribeiro/Avaí F. C.
Foto: André Palma Ribeiro/Avaí F. C.
"O Avaí é um clube que não tem condição de combater financeiramente outros grandes clubes do Brasileirão", reconheceu Battistotti, que depois enfatizou:

"A folha salarial do elenco é de R$ 1,8 milhão, que é uma das mais baixas da Série A, mas estamos até pagando os salários com 15 a 20 dias de antecedência".

FOCO
O dirigente exaltou a importância de o Avaí se manter com os pés no chão e continuar honrando os seus vencimentos, trabalhando com a meta principal de continuar na primeira divisão e de consequentemente seguir reduzindo a dívida do clube.

"O Avaí está no mercado para tentar reforçar este elenco, mas que seja com jogadores que venham trazer algum resultado, que cheguem para 'resolver'. Não adianta contratar apenas por contratar. E os salários dos jogadores hoje estão supervalorizados", disse.

"O planejamento inicial do Avaí era a permanência na elite. É o que nós vamos buscar. Precisamos de 13 vitórias até o final do campeonato. Temos um porcentual não muito folgado e esperamos alcançar 55% dos pontos que teremos em disputa até o fim do campeonato. Acho que se somarmos mais 44 ou 45 pontos, a gente se livra do rebaixamento, até porque esse grupo de baixo, entre os últimos colocados, está todo equilibrado", destacou Battistotti.

GANGORRA NO BRASILEIRO
O mandatário assumiu a presidência do clube catarinense em abril de 2016, quando teve de começar a lutar contra uma grande crise financeira. Naquele ano, o time obteve o acesso ao terminar a sua campanha na Série B como vice-campeão, mas foi rebaixado em 2017, ano em que fechou o Brasileirão em 18º lugar. O retorno à elite veio no ano passado, quando garantiu o terceiro lugar da segunda divisão nacional.

"Quando assumi o cargo, estávamos com um déficit passivo de R$ 80 milhões. Hoje temos um passivo de cerca de R$ 30 milhões. Em 2016, 2017 e 2018, foram abatidos pelo menos R$ 50 milhões. Hoje você tem de fazer com que esse equilíbrio financeiro aconteça. Tem de 'fechar a torneira'", defendeu o dirigente, para depois projetar:

"Se permanecermos na Série A, em meados de 2021 estaríamos com o clube completamente saneado. Tendo uma cota de TV de R$ 40 milhões ao ano e outras receitas que virão com o time na elite, é perfeitamente possível quitar estes R$ 30 milhões até lá".

VAI CAIR?
O equilíbrio das contas do Avaí, porém, está longe de ser refletido em bons resultados dentro de campo. Ao todo, a equipe acumula 17 jogos consecutivos sem vencer, sendo que essa sequência ruim começou em 10 de abril, quando perdeu por 1 a 0 para o Vasco e deu adeus à Copa do Brasil. São nove derrotas e oito empates neste longo período.

SEQUÊNCIA
A nova chance de encerrar este incômodo jejum ocorrerá neste domingo, quando o time enfrentará a Chapecoense, às 19 horas, em Chapecó, pela 15ª rodada do Brasileirão. O último triunfo do clube foi conquistado justamente na Arena Condá, no dia 7 de abril, quando bateu a equipe da casa na rodada final da primeira fase do Campeonato Catarinense.

Depois disso, acabou levando o título do Estadual com vitórias em disputas por pênaltis, na semifinal e na decisão, após empates por 1 a 1 com o Criciúma e com a própria Chapecoense, que ficou com o vice do torneio.