Argentino: River Plate empata e cai ao ritmo de um tango dramático

O clube se junta a Quilmes e Huracán, que já estavam rebaixados anteriormente

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 26 (AFI) – O último jogo do River Plate como um time da elite argentina esteve longe de ser um espetáculo. No entanto, teve todos uns ingredientes dramáticos de uma apresentação de tango. Os torcedores do maior campeão argentino não estavam em nenhuma luxuosa casa de tango de Buenos Aires, mas não conteram as lágrimas no amargo empate contra o Belgrano, por 1 a 1, na tarde deste domingo, no Monumental de Nuñez. O jogo pela repescagem do Campeonato Argentino.

Na partida de ida, o clube de Córdoba havia vencido, por 2 a 0, e poderia perder por até um gol de diferença. O empate foi mais que o suficiente para confirmar seu retorno à elite. Os “Millionarios”, por sua vez, amargam o primeiro rebaixamento em 110 anos anos de história, que já contou com grandes craques como Di Estéfano, Fillol, Perfumo, Passarella, entre outros.

E olha que para ser rebaixado na Argentina é necessário esforço tremendo dos grandes clubes. Afinal, os hermanos adotam um sistema chamado de “promedio”, que soma os pontos conquistados nas últimas três temporadas dividida pelo número de jogos disputados no mesmo período. A classificação levando em consideração esta média é quem define o rebaixado.

O clube se junta a Quilmes e Huracán, que já estavam rebaixados. O quarto sairá do confronto entre Gimnasia y Esgrima e San Martin. Neste domingo, o San Martin venceu, por 1 a 0, e joga pelo empate na volta, quinta-feira, em La Plata.

O clube portenho também repete o feito de alguns grandes clubes brasileiros, como Palmeiras, Botafogo, Fluminense, Atlético-MG, Grêmio, Corinthians e Vasco, que também já amargaram a queda.

Drama em Nuñez
A partida foi dramática desde de seu início. Nem mesmo os quase 60 mil torcedores presente no Monumental foram suficientes para empurrar o River à vitória. E o apoio não foi pouco. Em praticamente os 90 minutos, os fanáticos argentinos empurraram, mesmo nos momentos mais dramáticos.

Logo aos cinco minutos de jogo, o atacante Pavone abriu o placar para o River, criando uma falsa esperança para a torcida mandante. Daí em diante, foi um drama só. O Belgrano suportou a pressão e saía sempre em velocidade na esfacelada zaga advsersária.

E foi desta maneira, em um contra-ataque nas costas da defesa, que o atacante Farre empatou o jogo, aos 16 minutos do segundo tempo. Para aumentar o drama, o mesmo Pavone teve uma chance de ouro de incendiar o jogo, aos 23. Mas ele, como em um roteiro já escrito, chutou nas mãos do goleiro.

A partir daí não teve mais jogo. Nervoso, o time da casa esbarrou na marcação adversária. Aos 40 minutos, as arquibancadas vieram abaixo em uma explosão de violência e o jogo teve de ser finalizado antes do tempo, para que a polícia pudesse espantar os torcedores que queriam invadir o campo.

Mesmo antes do apito final do árbitro Sergio Pezzotta, o gramado virou um lago de lágrimas. Os torcedores do River Plate se desesperaram e tentavam rasgar as próprias roupas. Os do Belgrano gritavam como loucos, sem acreditar na classificação histórica para a divisão de elite.

Outros transformaram a dor em ódio e, armados com pedaços de madeira retirados dos bancos, tentavam invadir os vestiários. Os policiais fizeram um círculo de proteção e conduziram o grupo de 11 jogadores para o vestiário. Esses vão levar a cicatriz de terem rebaixado o time depois de 110 anos de história. O time era um dos três que nunca haviam caído - os outros são Boca Juniors e Independiente.

O River Plate não caiu neste domingo. Foi despencando um pouquinho a cada rodada. O time terminou o campeonato com uma sequencia de nove jogos sem vitória. Desde 2008, ano em que ficou em 20.º lugar, o clube passou pelas mãos de cinco técnicos (Diego Simeone, Nestor Gorosito, Leonardo Astrada, Angel Cappa e Juan José López).

Mais do River Plate
Este rebaixamento mancha a história de mais de 110 anos do maior campeão argentino. Fundado em 25 de maio de 1901, o Club Atlético River Plate desde seu início teve grande influência da aristocracia de Buenos Aires. Com a profissionalização do futebol argentino, na década de 30, isso ficou ainda mais evidente.

Um exemplo para os clubes argentinos e de toda América do Sul, o River se transformou em uma instituição esportiva respeitável, já em 1931, quando tinha quase 15 mil sócios, um recorde e um estádio de luxo, em Palermo. Mais tarde, construiu o grandioso Monumental Antonio Vespucio Liberti, mais conhecido como Monumental de Nuñez, por ficar na região do nobre bairro de Nuñez.

Seu apelido mais famoso, Los Millonarios, também advém de uma de suas glórias financeiras. Isso também aconteceu no início da década de 30, devido a compra do ponta-direita Carlos Desiderio Peucelle por 10 mil pesos.

Desde seu início até os dias de hoje, o River sempre foi destaque, sobre tudo em terras argentinas. São 34 títulos argentinos, sendo cinco a mais que o arquirrival Boca Juniors. O Boca, porém, pode gabar-se de ter mais tradição internacional, já que tem seis títulos da Libertadores e três mundiais, contra dois continentais e um mundial do River.

A tragédia que é a queda dos “Millionarios” pode ser medida pelo que representa a torcida do River. Segundo as últimas pesquisas, o time de Nuñez possui 32,6% dos 40 milhões de argentinos. Junto com o rival Boca (que tem a maior torcida) representa quase 73% dos torcedores em território argentino. Números que, em proporções, deixam Flamengo e Corinthians no chinelo, já que ambos possuem pouco mais de 30% da torcida brasileira.