Presidente do Manaus questiona TJD e luta pela paralisação do Amazonense

Está mais do que comprovado que Carlinhos Rocha estava no banco de reservas do Fast

por Agência Futebol Interior

Manaus, AM, 07 (AFI) - O Campeonato Amazonense pode ser paralisado antes da final do primeiro turno. Ainda na segunda rodada, o zagueiro Carlinhos Rocha foi relacionado pelo Fast Club e ficou no banco de reservas durante a vitória por 2 a 0 contra o Rio Negro na Arena Amazônia. O problema é que o jogador não estava inscrito no Boletim Informativo Diário (BID) e por isso é considerado como escalação irregular. O Manaus entrou com um mandado de garantia no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) para suspender o campeonato.

“Vou te explicar, porque o que estão fazendo por aqui não existe. O Fast entrou com um jogador no banco que não estava no BID e sempre me falaram ‘jogador que não está no BID nem existe’. O cara estava lá tem prova, súmula, só que o TJD daqui baixou uma portaria que só pode fazer denúncia com prazo de três dias. Isso não existe, o STJD tem prazo de 60 dias, a gente já entrou com uma medida pra parar o campeonato”, afirmou o presidente do Manaus, Giovanni Silva.

De fato está mais do que comprovado que Carlinhos Rocha estava no banco de reservas. O jogador aparece na súmula, tem foto oficial do Fast e ainda material divulgado para a imprensa com o seu nome entre os relacionados. Além disso, o zagueiro só apareceu no BID dia 13 de janeiro, quatro dias após a partida. Caracterizada a infração, o clube deveria perder três pontos como punição, além dos três conquistados na vitória, totalizando seis.

Giovanni Silva promete lutar pela suspensão do estadual. (Foto: Divulgação / Manaus FC)
Giovanni Silva promete lutar pela suspensão do estadual. (Foto: Divulgação / Manaus FC)
“Temos um recurso no STJD, no Rio de Janeiro, que ainda vai ser julgado. O certo seria parar o campeonato agora, antes da final do primeiro turno, mas estamos esperando. Não faltam provas pra sustentar a denúncia, a gente está pleiteando uma vaga na semifinal, que também já foi. Não queremos tumultuar o campeonato, só estamos defendendo o nosso interesse. Houve irregularidade na escalação do jogador e isso é errado”, avaliou Giovanni.

Se punido, o Fast perde seis pontos e ficaria na sexta posição, com sete pontos e fora da fase final. Além disso, o Manaus, que terminou a primeira fase na quinta posição com 11 pontos, ganharia uma vaga na semifinal para enfrentar o Penarol – Princesa de Solimões e Nacional fariam o outro jogo.

“O presidente do TJD (Edson Rosas Júnior) é muito conhecido por aqui. Já foi diferente do Fast, já foi vice-presidente do clube, ainda tem bom relacionamento com os diretores, a maioria é desembargador, então são todos amigos. A gente quer entender qual o fundamento pra não aceitar uma denúncia tão clara de irregularidade, em meio a toda essa bagunça. Recentemente deixaram um jogador que estava suspenso atuar por erro deles”, completou o mandatário.

OUTRO LADO
Em contato por telefone com o Portal Futebol Interior, Edson Rosas, presidente do TJD-AM, explicou. “A denúncia foi arquivada porque houve um erro processual no pedido. Quem entrou com o processo foi um torcedor e não o clube. O Procurador Geral ainda vai julgar, mas provavelmente vai ser arquivado por isso. Não está sendo analisado se há ou não irregularidade na escalação, mas se houve erro processual”.

Carlinhos esteve no banco do Fast contra o Rio Negro. (Foto: Divulgação / Fast)
Carlinhos esteve no banco do Fast contra o Rio Negro. (Foto: Divulgação / Fast)
“O Procurador Geral, mesmo se arquivar o pedido, ainda pode entender que houve irregularidade e abrir um inquérito para analisar. Se realmente for constatada, aí se abre uma nova denúncia para ser julgada pelo Pleno”, completou o presidente do Tribunal Desportivo. Edson Rosas também falou sobre o mandado de garantia do Manaus: “Nós não vamos julgar para não ter decisões conflitantes. O STJD quem vai decidir porque é a instancia superior”.

Ainda assim, Edson Rosas garantiu a final do Campeonato Amazonense para sábado. “Independente do mandado de garantia, a final do primeiro turno está mantida, tudo vai seguir normalmente. O STJD vai julgar o pedido só na semana que vem. Se, lá na frente, for constatada a irregularidade, o clube (Fast) perde os planos na classificação geral, que é o que vale para o rebaixamento. A gente não pode parar o campeonato agora”.

Por fim, ele também comentou sobre o prazo para a abertura do processo. “A gente fez isso, de determinar o prazo de três dias após a publicação da súmula para denúncia, porque antigamente os times tinham a informação de uma irregularidade, mas guardavam. E aí, lá na frente, quando ficava de fora das fases finais, entrava com o pedido e paralisava o campeonato, era uma bagunça. Ainda assim, a Federação e o Tribunal podem denunciar todos os clubes a qualquer momento, o prazo é apenas para os times”.