Ex-árbitro e vistoriador da FPF lança livro sobre estádios de futebol

A Fifa e os Estádios Brasileiros – quando o padrão é ser fora do padrão foi escrito por Ansel Lancman

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 24 (AFI) - Todo apaixonado por futebol sonhou em um dia vivenciar o mundo da bola mais de perto. Diversas profissões fazem parte do mercado futebolístico, que para muitos vai além de um simples esporte.

Pouco conhecida, porém importante para o bom andamento do futebol, a vistoria de estádios tomou forma no País nos anos 90 e ganhou notoriedade com o passar dos anos, dada a necessidade de se garantir a segurança de todos que frequentam as partidas.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
E, quis o destino, que um dos mais renomados vistoriadores do Brasil fosse um ex-árbitro, o paulistano Ansel Lancman.

Há cerca de 40 anos, o então recém-formado engenheiro decidiu levar a carreira de árbitro em paralelo à engenharia. Apitou e bandeirou partidas em todo o Brasil entre 1980 e 1996.

"Gostava muito de futebol, mas nunca me imaginei árbitro. Um belo dia achei que poderia ser um negócio diferente, que eu podia fazer e fui em busca desse desafio", conta Ansel. "Sofri bastante, porque para mim se tratava de um mundo completamente novo. Até então eu participava do futebol apenas como torcedor", relembra.

Neste meio tempo, em 1991, Ansel recebeu um convite de Eduardo José Farah, presidente naquela época da FPF (Federação Paulista de Futebol), para trabalhar como vistoriador de estádios. A meta principal naquele momento era identificar a capacidade real de cada estádio paulista, se tinha condições de receber jogos e público condizente com a divisão à qual pertencia.

"Farah me chamou. Ele sabia que eu era engenheiro e perguntou se eu não queria montar uma equipe para vistoriar estádios. Ele tinha visto isso em outros países e resolveu implantar em São Paulo, que sempre foi pioneiro entre os estados brasileiros. Eu pegava a trena e corria os estádios inteiros. Checava as arquibancadas, os gramados, as traves e suas alturas, para ver se estava tudo dentro do padrão", explica Ansel.

Ao longo da carreira de árbitro, Ansel foi ainda diretor do Sindicato dos Árbitros e, quando parou, trabalhou como avaliador de arbitragem da FPF por cerca de 5 anos. O fato mais marcante foi que o final da carreira de árbitro coincidiu com o crescimento da profissão de vistoriador de estádios. Uma pós-graduação em Avaliações e Perícias de Engenharia e o fato de ser referência entre clubes e prefeituras do País, alavancou a carreira de Ansel.

"A ideia do Farah foi montar uma equipe de cinco pessoas, composta por um engenheiro, no caso eu, um oficial da Polícia Militar, um árbitro, um treinador e um atleta. Cada um indicado pelo respectivo sindicato. Cumpridas as primeiras finalidades, a equipe pode ser diminuída até que sobrou apenas o engenheiro", comenta.

O LIVRO
Entre 2018 e 2019, Ansel Lancman escreveu um livro independente com um assunto inédito na bibliografia do futebol brasileiro: “A Fifa e os Estádios Brasileiros – quando o padrão é ser fora do padrão”. A obra será lançada no dia 19 de junho no SP Tap House, em São Paulo-SP.

Abordando todas as áreas dos estádios, dentro e fora do campo, a produção de Ansel faz um detalhamento nunca antes visto no Brasil sobre os palcos que recebem os jogos no país: o gramado e seu entorno, como as placas de publicidade e bancos de reservas, segurança da arquibancada, entrada e saída do estádio, iluminação e energia elétrica, vestiários e higiene, quiosques de alimentação, além do conceito de hospitalidade e o formato multiuso que estádios e arenas podem e devem ter.

"A ideia deste livro surgiu na época da Copa do Mundo Brasil 2014. Eu queria escrever, mas não sabia exatamente o que. Quando teve a Copa do Mundo, com a história do padrão Fifa, as coisas ficaram mais claras. Foi nessa época que deu para formatar mais ou menos o que eu queria com isso. O padrão Fifa impõe uma série de exigências que não atendem ao mercado interno daqui, principalmente nos centros menores. Mas eu acho que têm coisas interessantes que podem ser adaptadas e utilizadas. Então fiz o livro pensando em discutir o padrão Fifa e trazer pra realidade do Brasil", conta.