Novo colunista do Portal Futebol Interior,Albino Castro, revela segredos da TeleMonteCarlo

Albino Castro sempre foi um 'craque' do jornalismo, mas sempre acompanhou o futebol, mesmo quando estava fora da área

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 5 (AFI) - Num papo descontraído e levado 'na boa' entre dois amigos, o jornalistas e publicitário Edgard Soares extraiu do experiente Albino Castro algumas informações sobre a sua carreira e sua trajetória desde os primeiros passos na Imprensa.

Da sua vida como correspondente na Europa, suas passagens por grandes jornais e depois a sua participação direta na criação da TeleMonteCarlo, uma pioneira que serviu de ponte para a comercialização dos produtos da Rede Globo pelo mundo todo.

O novo colunista do Portal FI se junta a um time de especialistas como Dalmo Pessoa, de texto brilhante, Sérgio Carvalho, figura marcante na imprensa, sendo atual presidente da Aceisp - Associação dos Cronistas do Interior de São Paulo - e vice-presidente da ABRACE - Associação Brasileira dos Cronistas Esportivos - além de Ariovaldo Izac, um especialista em futebol com o BLOG DO ARI, com comentários diários.

Vale a pena conferir !

FUTEBOL INTERIOR:
Você começou como jornalista esportivo e depois galgou os mais altos postos em sua carreira e continua até hoje um jornalista multidisciplinar. Como é estrear paralelamente uma Coluna sobre futebol na Internet ?

ALBINO CASTRO:
É o tal negócio. A gente pensa que sai do futebol, mas ele nunca sai da gente. Senti isso quando fui para o exterior e lá fiquei uma longa temporada. Sempre acompanhei o futebol local, mas também o futebol do Brasil. Mesmo quando participei da criação da TeleMonteCarlo e trabalhava 12, 14 horas por dia, sempre encontrava tempo para me inteirar do futebol brasileiro.

FI:
E como você se atualizava?

ALBINO:
Boa pergunta. Relembremos que estávamos na década de 80, portanto não era uma atualização imediata. Como correspondente de O Globo, por exemplo, lia os jornais e a parte de esporte, logicamente, com defasagem de dois ou três dias. Nós nos acostumamos rapidamente com o avanço da tecnologia. Os mais jovens vão perguntar: por que você não acessava a internet?

Talvez não se lembrem que só a partir da metade dos anos 90 ela começou a engatinhar no Brasil. O FI, interior, que é praticamente pioneiro como Portal voltado para o futebol é de 1998. Que maravilha seu eu tivesse nosso FI na Europa.

FI:
Você ia aos estádios na Europa?

ALBINO:
Sem dúvida, tanto na Espanha, terra dos meus pais, como em Roma. Morei nos dois países e vi jogos memoráveis.

FI:
Você falou rapidamente aí em cima da TeleMonteCarlo? Como foi esta experiência.

ALBINO:
Incrível. Marcante. Algo de que me orgulho de ter ajudado a conceber e ter sido minha primeira experiência como diretor de jornalismo na TV. Na prática, um diretor de todas as áreas.

FI:
É verdade que a geração era de Roma e não de Mônaco?

ALBINO:
Isso era quase um segredo, mas já que você tocou no assunto, sim, a maior parte, na realidade, era de Roma. Mas tínhamos toda a estrutura técnica em MonteCarlo. O que ocorria era que nosso escritório em Roma era bem mais completo, uma redação composta de repórteres, editores, cinegrafistas, enfim, uma equipe completa. Mandávamos matérias para MonteCarlo e a TeleMontCarlo rebatia para Roma e para todos os outros países do velho continente.

FI:
A TeleMonteCarlo era da Globo.

ALBINO:
Sim, um projeto de internacionalização da empresa, apoiado com entusiasmo por José Roberto Marinho. Foi a TeleMonteCarlo que abriu as portas para a venda de tanto conteúdo da Globo no exterior. O que hoje é uma realidade. Veja quantos países não compram e exibem as telenovelas. Era igualmente uma forma de colocar na vitrine o grau de qualidade que a emissora já exibia no Brasil.

FI:
Você acha que esta experiência profissional única para um jornalista brasileiro o ajudou, o credenciou quando da sua volta ao Brasil?

ALBINO:
Sem dúvida. Sempre trabalhei felizmente em grandes empresas de mídia impressa: Folha, Editora Globo, Jornal do Brasil, O Globo. O que, aliás, acontece até hoje com os jornalistas que migram para a TV. Porém, aqui, a TV está consolidada. O Brasil é dono de um pioneirismo histórico. A TV comercial nos Estados Unidos, o país que inventou o formato comercial para a TV, é de 1948.

O Brasil inaugurou sua primeira emissora de TV em 1950, somente dois anos depois!

Chateaubriand foi um visionário, um homem super do futuro para seu tempo. A TV primeiramente se alicerçou no rádio, que era uma realidade entre nós e um veículo repleto de talentos: Hebe Camargo, Chacrinha, Silvio Santos, Jota Silvestre, Aurélio Campos, Homero Silva, Walter Foster, só para ficar em alguns que já faziam sucesso no rádio.

Só posteriormente a TV foi buscar profissionais nos jornais. Mas esse pioneirismo deu à TV brasileira uma maioridade e fez com que ela alcançasse um nível de desenvolvimento maravilhoso. A ida de José Bonifácio Oliveira, o Boni, para a TV, então foi histórica.

Boni foi o grande 'inventor' da moderna tv brasileira
Boni foi o grande 'inventor' da moderna tv brasileira

Boni veio de Agência de Propaganda. Mas ele criou uma TV extraordinariamente moderna na Excelsior e, depois com o fim da Excelsior, tendo se mudado para o Rio de Janeiro, foi além. Ao fazer parceria com Walter Clarck na TV Rio e, principalmente, na TV Globo, ele deu status internacional à TV brasileira.

FI:
Achei ótima esta reminiscência e lembrança. Mas você não respondeu: como a TeleMonteCarlo o auxiliou a desenvolver e a deslanchar sua carreira em TV no Brasil na área de jornalismo?

ALBINO:
Eu ia chegar lá, mas você não deixou. O que eu iria completar é que, jornalistas da mídia impressa da minha geração, quando iam para a TV, já encontravam uma estrutura de TV desenvolvida. Já havia gente muito boa para treiná-los, orientá-los na nova mídia.

Comigo foi diferente. Participei da criação mesmo, departamento por departamento, da TeleMonteCarlo, tendo como referência uma das três melhores TVs do mundo, que era Globo. Só que com um oceano a nos separar. Então, Ricardo Pereira que já estava há bastante tempo na Europa e me levou para lá foi muito importante.

FI:
Foi uma fase importante do SBT no jornalismo, não?

ALBINO:
Ouso dizer que foi a mais importante. Com mais de 10 anos de sua TV montada, Sílvio Santos resolveu investir de verdade no jornalismo. Trouxe Marcos Wilson e Luiz Fernando Emediato, que eram do Estadão, mas que não tinham experiência em TV e eu, que, modestamente, já conhecia o veículo. Agora, vê você como o jornalismo impresso não sai da gente. Sugeri algo arriscado e inovador. Explico: naqueles dias, os apresentadores de telejornal tinham que ter uma qualidade: ser bonitos. Cid Moreira era um galã na década de 70 e fez muito sucesso.

A Globo então dobrou a aposta e trouxe Sérgio Chapellin, mais moço e que era mais bonito ainda. Os dois apresentaram por anos o Jornal Nacional, o mais importante da TV. A Globo fez escola e todas as emissoras a imitavam. Pensei: se trouxermos uma carinha bonita, voz boa e empostada, será exatamente o que o Globo já faz. Mas será sempre uma cópia.

Então, também notei, que apesar de excelentes locutores, nenhum deles tinha uma experiência jornalística, no sentido completo do termo. Eram belas vozes, de estúdio. Para comerciais. E se limitavam a ler o que estava no teleprompter. Não faziam qualquer comentário sobre a notícia, até por não estarem preparados para tal. Era um jornalismo de visual impecável, mas engessado. Então sugeri Boris Casoy, que nunca havia trabalhado em televisão, um profissional talentoso, inteligente, culto, bem informado, mas, convenhamos, não era nenhum modelo, nenhum David, de Michelângelo. Confesso que não foi fácil, mas consegui vender a ideia.

E Boris Casoy foi o primeiro âncora da TV brasileira. Seus comentários tinham peso e ilustravam a notícia. Também fizemos um jornalismo vespertino com a cara da emissora, bastante popular, como ela é até hoje: o Aqui, Agora, na linha de O Povo na TV, que o antecedeu deu picos enormes de audiência. Mas já para o jornal noturno, trouxemos Lilian White Fibe, a Primeira Dama da notícia da TV por muitos anos. Acho que ela, que se afastou por vontade própria, faz muita falta hoje em dia na telinha. Volta, Lilian!

FI:
Bem, obrigado pela aula. Quero que você saiba que, em nome do Futebol Interior, lhe desejo muito boas vindas e estamos orgulhosos de tê-lo como nosso Colunista. É realmente uma honra para nós ter alguém com sua experiência e talento entre nós.

ALBINO:
Eu é que estou me sentindo como quando tinha 18 anos e cheguei da Bahia para trabalhar em São Paulo.

FI:
Uma última pergunta: porque MUNDO ESPORTIVO para nome de sua coluna?

ALBINO:
Não seja dissimulado. Esta, você sabe. Era o nome do jornal criado por Geraldo Brêtas, que viu em nós, você eu, seus legítimos sucessores. Editamos com garra, independência e sucesso, juntos, o Mundo Esportivo, por um bom tempo. Um tempo que ficou lá atrás e que era maravilhoso.

CONHEÇA UM POUCO DE ALBINO CASTRO

Albino Castro foi diretor de Jornalismo do SBT (1988 - 1998), TV Gazeta SP (2002 - 2006) e da TV Cultura SP (2006 - 2007). Chefiou a redação italiana da Telemontecarlo, em Roma, de 1986 a 1988, e comandou a TV Brasil (da EBC) em 2015 e 2016.

Dirigiu também o serviço eletrônico do diário econômico Gazeta Mercantil (de 1999 a 2001).

Albino Castro: craque do jornalismo
Albino Castro: craque do jornalismo

Esteve por 12 anos na Europa, entre 1976 e 1988, em Madri e Roma, onde, antes de ingressar na emissora do Principado de Mônaco, foi correspondente de O GLOBO, Istoé e do semanário português Expresso.

Passou ainda pela redação carioca de O GLOBO, entre 1972 e 1976, como repórter e redator, depois de ter atuado na Editoria de Esportes da Folha da Tarde(1968) e A Gazeta (1968 - 1969), ambos de São Paulo. Também comandou a Editoria de Esportes da Tribuna da Bahia, em Salvador, onde nasceu.

É, hoje, produtor independente, colunista do semanário Portugal em Foco e dirige, na Rádio Trianon de SP, o programa de debates políticos, Contraponto, de segunda-feira a sexta-feira, das 17 às 18 horas.

Tem grande paixão pelo universo do futebol.

 
 
" />