Ex-Palmeiras analisa futebol chinês que voltará com tudo neste sábado

Na primeira fase do torneio, os clubes serão divididos em dois grupos

por Agência Estado

Campinas, SP, 25 (AFI0 - O Campeonato Chinês começará neste sábado, após cinco meses de atraso, no país que foi o primeiro do mundo a registrar casos da covid-19. Com a disseminação do vírus controlada, a Associação Chinesa de Futebol determinou uma protocolo rígido para que, enfim, a bola pudesse voltar a rolar.

Na primeira fase do torneio, os clubes serão divididos em dois grupos. Oito times se concentrarão em Suzhou, localizada ao norte do país, e os outros oito em Dalian, mais ao sul do território. Os critérios de escolha dessas cidades foram feitos a partir do nível de transmissibilidade do vírus, considerado em ambos os locais, baixo.

Tanto jogadores, quanto membros das comissões técnicas, ficarão isolados em quartos em um complexo hoteleiro por dez semanas, em um rígido esquema de isolamento, semelhante ao executado pela NBA, no Estados Unidos.

Hora de voltar a jogar. (Foto: Divulgação)
Hora de voltar a jogar. (Foto: Divulgação)
BRASUCA POR LÁ!
O meia-atacante Ricardo Goulart, ex-Palmeiras, que atualmente defende por empréstimo o Hebei China Fortune, disse que, apesar de ser diferente, essa foi a melhor maneira encontrada para que a competição pudesse ser iniciada.

"É diferente, mas foi uma forma que eles encontraram de fazer o campeonato acontecer da maneira mais segura, então nós todos gostamos. Queremos estar em campo, jogando, fazendo o que a gente ama. E essa foi a forma que encontraram de fazermos isso", explicou.

Goulart, que jogou por quatro anos ininterruptos na China, entre 2015 e 2019, e naturalizou-se chinês, no final do ano passado, disse que o longo período de quarentena, decretado enquanto a propagação do vírus estava fora de controle, foi complicado. Ele ficou isolado em um hotel, longe de sua família e amigos.

"Foi difícil, né? Fiquei isolado em um hotel, não tinha muito o que fazer. Foi bastante filme, série, falando sempre com a minha família, com a minha esposa, vendo meus filhos. Foi um período complicado, mas necessário", disse o jogador.

ANSIEDADE!
Agora, como chinês, Goulart afirma estar mais ansioso ainda para voltar a jogar. De acordo com o atleta, a nova concentração, que será feita com os demais jogadores dos oito clubes, continuará rígida, porém, ao mesmo tempo, será mais tranquila.

"Está tudo sendo muito bem feito, bem restrito mesmo. Agora a gente está concentrado juntos, então isso facilita. Mas estamos sempre higienizando as coisas, fazendo tudo que é recomendado", afirmou.

O brasileiro Alex Teixeira, que joga há quatro anos no Jiangsu Suning, também partilha da opinião de Goulart. De acordo com o atacante, todos os critérios de segurança estão sendo respeitados e as entidades envolvidas na organização do torneio trabalham com seriedade.

"Tudo está sendo feito com muito cuidado mesmo. Todas as normas de segurança são respeitadas, acho que aqui ainda mais. Estamos fazendo tudo como manda as autoridades de saúde, tanto pré-treinos, como pós. Acho que está sendo muito bom, como deve ser mesmo", explicou Teixeira.

EVOLUÇÃO!
O atacante afirma que o futebol chinês tem evoluído com o passar dos anos. Ele sente que a cada nova temporada a competição nacional está mais equilibrada e competitiva. Aliás, para o atacante, é justamente a qualidade de cada equipe que fará diferença dentro dos gramados, já que ausência de torcedores propiciará uma espécie de "campo neutro".

"Creio que (os jogos) serão decididos mais dentro de campo. O fator torcida sempre ajuda. Vai ser diferente, nunca joguei um campeonato inteiro sem torcida, acho que ninguém nunca passou por isso. Então, acho que a qualidade das equipes e dos jogadores vai ser determinante", explicou Teixeira.

Sete meses após o primeiro caso de covid-19 ser detectado, o país, aos poucos, restabelece sua rotina. O futebol está inserido nessa paulatina retomada da normalidade. Ao todo, 42 brasileiros estarão em campo, mas, mesmo assim, para Alex Teixeira, a vida ainda não voltou completamente ao normal.

"Enquanto a pandemia não tiver totalmente ultrapassada, vai sempre ser diferente, com mais cuidado, com mais restrições. Já esperava que fosse assim".