Sem a chancela da Fifa, futebol na Abkházia é independente e sem estrelas

A Copa do Mundo de Nações Independentes acontece neste domingo, em Londres

por Agência Estado

São Paulo, SP, 10 - A situação política da Abkházia não impede a torcida de vibrar com o futebol. Tanto é que há dois anos a nação foi sede e venceu a competição mundial voltada especificamente para territórios que se encontram na situação de busca por reconhecimento internacional ou minorias étnicas - a Copa do Mundo de Nações Independentes.

O torneio é realizado a cada dois anos e tem decisão marcada para este domingo em Londres, entre Chipre do Norte, uma província separatista, e Kárpátalja, que representa a minoria étnica de origem húngara residente na Ucrânia. A Abkházia começou bem o campeonato ao bater o Tibete na estreia, mas depois acabou superada em confrontos diante dos dois finalistas. A Fifa não chancela torneios paralelos.

"O futebol é uma das formas de mostrar ao resto do mundo que a Abkházia merece reconhecimento", disse à reportagem o diretor da seleção local, Astamur Ashleiba. Assim como os outros times participantes do Mundial, a Abkházia tem metade do elenco formado por amadores.

Sem a chancela da Fifa, futebol na Abkházia é independente e sem estrelas
Sem a chancela da Fifa, futebol na Abkházia é independente e sem estrelas

O torneio conta com eliminatórias para definir os 16 participantes entre os 46 filiados. Organizar a disputa em Abkházia foi um desafio, até pela dificuldade de se entrar no país. "A competição ajuda as fronteiras políticas a se enfraquecerem. Os jogadores não são estrelas, mas apenas pessoas que querem vivenciar experiências", disse o secretário-geral da organização, Sascha Düerkop.

O título de 2016 veio nos pênaltis sobre Panjab, seleção que representa a diáspora de paquistaneses e indianos. A vitória de Abkházia resgatou no público da capital, Sukhumi, o prazer de ver futebol. Desde o início da guerra com a Geórgia, na década de 1990, a região não tem mais clubes profissionais.

A edição deste ano da competição de países independentes teve como curiosidade a presença do zagueiro Etimoni Timuani, de Tuvalu. O defensor foi o único representante enviado pelo conjunto de ilhas do Oceano Pacífico para a disputa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. A participação dele foi nos 100 metros rasos. A nação não é filiada à Fifa por não ter campos com medidas oficiais.

 
 
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