Ricardo Teixeira diz que foi perseguido pelo FBI e que convocou Romário em 1994

Ex-dirigente banido do futebol pela Fifa fala de convocações, corrupção e de sua vida tranquila aos 73 anos

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 12 (AFI) – O ex-presidente da CBF – Confederação Brasileira de Futebol – Ricardo Teixeira concedeu uma entrevista exclusiva ao Canal CNN Brasil à jornalista Monalisa Perrone gravada em março e reproduzida neste domingo à noite.

Banido do futebol pela Fifa desde 2015, ele garantiu que encontrou a CBF com os cofres vazios, negou denúncia de corrupção, confirmou que algumas vezes indicou jogadores para a Seleção Brasileira, como Romário em 1994, e fez questão de esclarecer que deixou o comando da entidade em 2012 porque estava com sérios problemas de saúde.

Teixeira: abatido em 2011
Teixeira: abatido em 2011

“Já em 2011 eu vinha com problemas e teria que fazer o transplante de rim. Por isso sai da CBF e me mudei para os Estados Unidos” – explicou o ex-dirigente.

Ele não aceitando a afirmação de que sua mudança teria ocorrido devido investigações em cima dele por órgãos como o Ministério Público Federal (MPF), além de uma CPI na Câmara Federal.

PERSEGUIDO PELO FBI

Desde 2015, o ex-presidente da CBF, está morando no Brasil, de onde não pode sair. Ele teve um mandato de prisão expedido nos Estados Unidos e não pode viajar para países que tenham acordo de extradição com os americanos.

Para Teixeira, a perseguição aconteceu depois de 2010 quando ele votou pelo Catar para sediar a Copa de 2022 ao invés dos Estados Unidos, cujo diretor honorário da campanha era o ex-presidente Bill Clinton.

Teixeira e Blatter
Teixeira e Blatter

Teixeira confirma ter sido perseguido pelo Departamento de Justiça americano:

“Ricardo Teixeira foi um dos caras que realmente matou a Copa deles (Estados Unidos). Ricardo Teixeira foi um deles. Eu matei a Copa dele (Bill Clinton), ele sabe disso...Foi vingança, e todo mundo diz que Clinton é muito vingativo”, afirmou o ex-dirigente.

Segundo ele, na época, ele chegou a ser ameaçado por Joseph Blatter, presidente da Fifa, com insinuações do tipo de que “você tem propriedade nos Estados Unidos, sua filha estuda lá...”.

DENÚNCIA DE HAWILLA

Em 2013, Teixeira foi denunciado pelo empresário brasileiro J. Hawilla, responsável por intermediar negociações de transmissões de direitos de jogos no Brasil e América do Sul, de ter recebido uma propina de 10 milhões de dólares.

O acordo, segundo Hawilla, seria para que a seleção brasileira participasse da Copa América com seus principais jogadores. A defesa de Teixeira assegura que a negociação foi feita através de contratos, com o dinheiro entrando na contabilidade da CBF.

Hawilla: denúncias contra dirigentes
Hawilla: denúncias contra dirigentes

Mas em 2015, Teixeira foi banido do futebol pela Fifa junto com Marco Polo del Nero, seu sucessor na CBF, e José Maria Marin, ex-vice-presidente da entidade, e que ainda cumpre prisão domiciliar nos Estados Unidos.

Marin, de 89 anos, foi preso na Suíça e extraditado para os Estados Unidos, onde chegou a ficar preso por um ano perto de Nova York.

INDICAÇÕES À SELEÇÃO
Sem constrangimento, Teixeira confirmou que por diversas vezes indicou jogadores para a seleção brasileira, mas não de maneira impositiva.

“Claro que indiquei nomes, mas de forma natural. Era feita com um 'aprouch' (conversa) adequado, sugerindo que este ou aquele seriam interessantes para a seleção” – disse o ex-cartola.

Romário: decisivo em 1994
Romário: decisivo em 1994

Confirmou, por exemplo, que foi decisivo na convocação de Romário para a fase final das eliminatórias da Copa de 1994 e que chegou até a recomendar a não chamada de Rivaldo antes de 2002.

“Ele tinha ido mal nas Olimpíadas e não gostava dele. Mas, depois, voltou a jogar bem e foi normalmente convocado” pelo Felipão antes da Copa de 2002 Ásia.

GRANDES PROFISSIONAIS

Parreira com Ricardo Teixeira em 1994
Parreira com Ricardo Teixeira em 1994

Entre aqueles que ele elogiou na seleção, citou Zagallo, ex-jogador e técnico da seleção brasileira, para quem Teixeira diz que ‘merece um pedestal”.

Disse que Parreira é ‘um exemplo de profissional” e diz que Felipão ‘foi bastante oportuno em 2002 naquele momento do futebol brasileiro”.

INÍCIO COM HAVELANGE
Ricardo Teixeira presidiu a CBF durante 23 anos, entre 1989 até 2012. O seu mandato iria até 2015, mas antecipou sua saída com os problemas de saúde. Ele chegou ao comando da entidade com o apadrinhamento de João Havelange, ainda presidente da FIFA, e seu sogro. Na época, o ex-agente financeiro, tinha 41 anos.

“Ele (Havelange) queria ter alguém de confiança lá dentro. Não tinha gostado dos que passaram lá antes como o Otávio Pinto Guimarães, o Nabi Chedid e o Giulite Coutinho” – diz ele.

CBF DE COFRES VAZIOS

Na realidade, a sua campanha começou bem antes, na Copa do Mundo de 1986, no México, quando Havelange teria promovido um ‘Bonde da Alegria”, patrocinando a viagem de muitos dirigentes para acompanhar a Seleção no Mundial. Mas Teixeira, diz que quando chegou na CBF encontrou a entidade com os cofres vazios.

Havelange presidiu CBD e Fifa
Havelange presidiu CBD e Fifa

“O financeiro me disse que não tinha dinheiro para fazer a folha de pagamento. O caixa estava no vermelho.

Eu passei a emprestar dinheiro para a entidade, porque tinha vendido minha corretora por 4 milhões de dólares” – explicou.

Mas por que ele teria feito isso:

“Ou eu fazia isso ou iria virar mais um no cargo”.

SÓ O FLAMENGO
O ‘novo’ Ricardo Teixeira, aos 73 anos, tem uma vida sossegada, segundo ele, de ‘paz, amor, uma vida de tranquilidade”. Diz que pouco acompanha os jogos da seleção brasileira, mas que não perde na televisão todos os jogos do Flamengo.

“Eu vejo na televisão, mas os meus filhos sempre vão aos jogos” – lembrou.

De forma arrogante, prefere ignorar a goleada de 7 a 1 sofrida pela seleção brasileira para a Alemanha na Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Mas lembra que ‘foi algo indescritível” e que “nunca passei por uma situação desta”.