Roque Júnior destaca relação do racismo na sociedade com o futebol

Ex-zagueiro, campeão mundial em 2002, destaca relação do racismo na sociedade com o futebol

por Federação Paulista (FPF)

São Paulo, SP, 05 - A Federação Paulista de Futebol organizou nesta sexta-feira (5) uma live em seu canal no YouTube intitulada 'Vidas Negras e o Futebol', com o objetivo de debater a relação dos negros com o esporte, com cinco convidados especiais: Aline Pellegrino, diretora de futebol feminino na FPF; Mauro Silva, vice-presidente da FPF; Suellen Rocha, jogadora do Corinthians; Roque Júnior, executivo de futebol, e Breiller Pires, jornalista. Repórter da BandNews FM, Luiz Teixeira foi o mediador.

Roque Júnior conta que seu primeiro técnico no São José foi negro, mas foi a única vez.

"Tive a felicidade de ter um treinador negro na minha carreira, que foi o Marião, que jogou no São Paulo. Quando cheguei ao São José, ele era o treinador do Sub-20 e a minha história na equipe começa com ele. Mas foi o único que eu tive."

Roque Júnior
Roque Júnior
O ex-atleta ainda destacou que o futebol é reflexo da sociedade e que, historicamente, o Brasil é racista, levando em conta a primeira Constituição que tivemos até hoje.

"Não consigo diferenciar uma coisa da outra. O futebol traz o que é a sociedade, que o negro está no futebol ou na música, mas que não ocupa cargos de liderança. Isso também vale na nossa história, se você pegar na nossa primeira Constituição falava em segurança, educação, direitos civis, mas só para aqueles que eram livres e, naquela época, a maioria da população era negra e escrava. Isso mostra o nosso passado e porque nós chegamos dessa forma aqui."

"Se você pensar que nosso país tem 500 anos e, por mais de 300 tivemos escravidão, nós estamos ai com 130 anos que acabou realmente a a escravidão. Mas isso no papel, porque na estrutura, você vê até hoje a falta de oportunidade que o negro tem. Acho que é importante falar de racismo estrutural porque parece normal você não ver um treinador negro, um dirigente negro, um CEO negro, um reitor de faculdade negro, mas isso é a nossa sociedade", completou.