Para Aline Pellegrino, luta antirracista tem de ser de todos

Diretora de Futebol Feminino vê que o racismo só poderá ser combatido com a ajuda de todos

por Federação Paulista (FPF)

São Paulo, SP, 05 - Nessa sexta-feira (5), a Federação Paulista de Futebol promoveu o debate ‘Vidas negras e o futebol’. O encontro que abordou os movimentos atuais e a luta antirracista no Brasil e no mundo, contou com as presenças do vice-presidente Mauro Silva; Aline Pellegrino, diretora de Futebol Feminino; Roque Jr., ex-atleta e executivo de futebol; e Suellen Rocha, jogadora do Corinthians. Também fizeram parte da conversa os jornalistas Breiller Pires, do El País, e Luiz Teixeira, da BandNews FM.

Aline Pellegrino, diretora de Futebol Feminino da FPF, acredita que apenas quando a sociedade como um todo se unir, o racismo será combatido.

“Essa mudança não vai ocorrer só através da gente. Fico imaginando a Aline negra, mulher, dirigente e com uma baita responsabilidade de desenvolver uma modalidade que é machista e sexista, e ainda precisar resolver tudo isso (racismo). Não somos só nós negros que vamos fazer essa mudança, enquanto todos não entenderem essa questão do privilegio, enquanto todos os dados estatísticos mostram isso”, disse antes de complementar.

Aline Pellegrino
Aline Pellegrino
“Todas as vidas importam, mas exatamente por isso que todos deveriam ter os mesmos direitos e oportunidades. Eu só tenho formação universitária por uma bolsa de estudos, porque se não fosse isso, não teria tido essa oportunidade”, revelou.

A diretora ainda ressaltou mais uma vez que a mudança tem que partir de todos, não só dos negros.

“Essa mudança precisa acontecer e só vai acontecer, se for todos juntos. Quem está hoje com essa situação de privilegio, parar com essa história de ‘meritocracia’. Não existe. Precisamos parar com relativização. Também temos que parar de falar que essa mudança vai partir do negro. O problema não é nosso, o problema está no outro, e ainda temos que carregar essa mudança”, concluiu.