LUTO: Morre goleiro que entrou para história por causa de milésimo gol de Pelé

O fato imortalizado aconteceu no dia 19 de novembro de 1969 no Maracanã, num jogo entre vasco e Santos

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 6 (AFI) – Morreu nesta noite de quarta-feira, em Buenos Aires, o ex-goleiro Andrada, que entrou para a história do futebol mundial por ter sofrido o milésimo gol de Pelé, consagrado como ‘o maior jogador de futebol de todos os tempos’. A causa da morte não foi confirmada, mas teria sido uma parada cardio-respiratória aos 80 anos.

O fato imortalizado aconteceu no dia 19 de novembro de 1969 no Maracanã , com um público de 65.175 torcedores, num jogo fraco tecnicamente e que valia pelo torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Brasileiro daquela época.

VEJA O MILÉSIMO GOL DE PELÉ !

JOGO HISTÓRICO, MARCA INÉDITA
O Santos venceu o Vasco da Gama por 2 a 1. Mas empatava por 1 a 1 até que o zagueiro Renê, do Vasco, cometeu um pênalti. O curioso é que Pelé não queria marcar seu GOL 1000, num lance que era considerado fatal para os goleiros.

Por outro lado, Andrada temia por seu futuro no Brasil se ficasse marcado como o goleiro que levou o milésimo gol de Pelé. O pênalti foi cobrado exatamente às 23h23 de uma quarta-feira em que toda a Imprensa esperava pela inédita marca mundial.

E saiu aos 33 minutos do segundo tempo, com dezenas de repórteres e cinegrafistas atrás do gol de Andrada.

Pelé bateu seco, no canto esquerdo do goleiro, que saltou certo, porém, sem chances de impedir o gol. Pelé entrou no gol, pegou a bola e a beijou. Depois, com o gramado todo invadido, vestiu uma camisa com o número 1000.


Andrada, El Gato, reprodução Sportv
Andrada, El Gato, reprodução Sportv

EL GATO
O goleiro começou a carreira no Rosário Central e até hoje detém a marca de goleiro com mais partidas disputadas pelos Canallas, como é chamado o time da Argentina.

Disputou 284 jogos e ganhou o apelido de El Gato. Ele defendeu a seleção de seu país na Copa América de 1963.

No Brasil brilhou com a camisa do Vasco da Gama entre 1969 até 1975. No time carioca foi campeão carioca de 1970 e brasileiro de 1974 e disputou a primeira Copa Libertadores com o time cruzmaltino.

Ainda no início da década de 70, a imprensa carioca chegou a pressioná-lo para se naturalizar brasileiro para vestir a camisa da seleção brasileira, tamanha era a grande fase que Andrada atravessava com a camisa do Vasco.

ATUOU NO VITÓRIA
Andrada, ainda em final de carreira, teve uma boa passagem pelo Vitória da Bahia, em 1976, levado pelas mãos do técnico Elba de Pádua Lima, o Tim, que depois chegou a dirigir o Guarani de Campinas.

as em novembro daquele mesmo ano optou por voltar à Argentina, onde jogou pelo Colón a partir de 1977. E ele só encerrou a sua carreira aos 43 anos, em 1982, então pelo desconhecido clube Renato Cesarini, também do seu país.

Pelé e Andrada: reencontro no Pacaembu
Pelé e Andrada: reencontro no Pacaembu

PERSEGUIDO E INOCENTADO
Pouco depois de se aposentar, Andrada viu a sua importante biografia como jogador ser manchada pelo seu envolvimento com a ditadura militar argentina.

Em 1983, ele chegou a cooperar com o PCI (Pessoal Civil de Inteligência), órgão que reunia civis que agia em práticas de espionagem e repressão para o governo autoritário da época.

DOIS TERRORISTAS
O ex-goleiro ainda chegou a ser acusado de ter participado da execução de dois militantes políticos contrários ao regime vigente, mas negou envolvimento nos assassinatos de Osvaldo Agustín Cambiaso e Eduardo Pereyra Rossi.

Muitos anos depois disso, em 2007, Andrada voltou a fazer parte do mundo do futebol profissional ao trabalhar como preparador de goleiro do Rosario Central. E em fevereiro de 2012, o juiz federal Carlos Villafuerte Ruzo considerou o ex-jogador inimputável, em decisão justificada por falta de provas contra ele.

CARÊNCIA DE GOLEIROS

Ao contrário de hoje, que o Brasil tem alguns dos melhores goleiros do mundo, como Alisson (Liverpool) e Ederson (Manchester City), o país era carente na posição.

A ponto de ser tricampeão mundial no México tendo debaixo das traves um contestado Félix, do Fluminense.

Ele era paulista, tendo atuado pelo Nacional, Juventus e Portuguesa de Desportos antes de se transferir para as Laranjeiras em 1968.

Felix: tricampeão contestado
Felix: tricampeão contestado

BEM NO MÉXICO
Ele não fez feio no Mundial. Falhou em apenas um gol, na goleada por 4 a 1 sobre a extinta Tchecoslováquia.

No final, acabou coroado ao lado de grandes ídolos que formaram o ‘escrete canarinho’ ao lado de Pelé, como Tostão, Jairzinho, Gerson e Carlos Alberto.

Todos sob o comando do ‘mago’ Zagalo, Mário Jorge Zagalo, que tinha sido bicampeão como jogador em 1958 na Suécia e no Chile em 1962.