A história do futebol no Brasil

A versão mais aceita é que ela chegou por aqui em 1894 graças ao imigrante inglês Charles William Miller

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 13 (AFI) - A história do tão amado esporte em nosso país é alvo de muitas controvérsias. A versão mais aceita é que ela chegou por aqui em 1894 graças ao imigrante inglês Charles William Miller e, na época, ela era restrita à elite branca, sendo que os negros e as camadas mais pobres da população só passaram a ter acesso ao esporte a partir da década de 20.

No entanto, historiadores defendem que a primeira partida de futebol foi em 1874, quando marinheiros estrangeiros usavam suas horas de lazer praticando o esporte em praias do Rio de Janeiro. Quatro anos depois, tripulantes do navio Criméia realizaram uma partida que foi assistida pela Princesa Isabel.

Já a chegada do esporte ao Brasil oficialmente veio, segundo o Bangu Atlético Clube, do escocês Thomas Donohoe, que teria feito uma viagem a Inglaterra no ano de 1894, quatro meses antes do Miller. Além dessas há diversas outras não comprovadas, como Mr.Hugh tendo levado o esporte para Jundiaí em 1882 e várias.

No entanto, o que se sabe é que, depois da chegada do esporte em nosso território, ele rapidamente se difundiu por todo o país e, em pouco tempo, se tornou uma paixão nacional. O primeiro clube de futebol foi o São Paulo Athletic Club, fundado pelo já citado Charles Miller, em 1894 e, ao longo dos anos seguintes, diversos estados passaram a ter um time de futebol.

Em 1901 houve o primeiro confronto entre Rio de Janeiro e São Paulo, sendo que em 1933 houve a estreia do Torneio Rio-São Paulo, que contava com a participação de diversos times, incluindo alguns que existem até hoje como Vasco, Corinthians e Fluminense. A última partida contou com 25.000 torcedores, mas apesar do sucesso, foi somente na década de 50 que começou a ter partidas regulares.

Em 1902 foi realizado o primeiro campeonato oficial do Brasil, o Campeonato Paulista de Futebol, cujo vencedor foi o São Paulo Athletic Club e, aos poucos, clubes foram surgindo em todo o país, assim como diversos campeonatos.

Já nos anos 20 ele era considerado o esporte favorito dos brasileiros, mas na época ele não era visto com “bons olhos” pela elite. Muitos argumentaram que o esporte era a prova de que os europeus estavam se provando “superiores aos brasileiros” e que os esportes nascidos no próprio Brasil não eram valorizados. O renomado escritor Graciliano Ramos disse em um texto de 1921 que o esporte era apenas “fogo de palha” passageiro.

A história do futebol no Brasil
A história do futebol no Brasil
“Temos esportes em quantidade. Para que metermos o bedelho em coisas estrangeiras? O futebol não pega, tenham a certeza. Não vale o argumento de que ele tem ganho terreno nas capitais de importância. Não confundamos.

As grandes cidades estão no litoral; isto aqui é diferente, é sertão. As cidades regurgitam de gente de outras raças ou que pretende ser de outras raças; não somos mais ou menos botocudos, com laivos de sangue cabinda ou galego.

Nas cidades os viciados elegantes absorvem o ópio, a cocaína, a morfina; por aqui há pessoas que ainda fumam liamba. (...)

Estrangeirices não entram facilmente na terra do espinho. O futebol, o boxe, o turfe, nada pega.

Desenvolvam os músculos, rapazes, ganhem força, desempenem a coluna vertebral. Mas não é necessário ir longe, em procura de esquisitices que têm nomes que vocês nem sabem pronunciar.

Reabilitem os esportes regionais que aí estão abandonados: o porrete, o cachação, a queda de braço, a corrida a pé, tão útil a um cidadão que se dedica ao arriscado ofício de furtar galinhas, a pega de bois, o salto, a cavalhada e, melhor que tudo, o cambapé, a rasteira”.

A história do futebol no Brasil
A história do futebol no Brasil
Outro escritor famoso, Lima Barreto, acreditava que o esporte era um “primado da ignorância e da imbecilidade”, chegando a criar a “Liga Contra o Foot-Ball” para proibir o esporte no país alegando que ele causava brigas e mortes. A Academia Nacional de Medicina estudou a possibilidade de restringir os jogos para maiores de 18 anos, visando proteger a integridade física dos mais jovens.

Os líderes sindicais da época, incluindo membros do partido comunista, acreditavam que o esporte era uma forma de alienação para desviar a atenção das pessoas perante a causa operária, sendo uma forma dos donos de fábricas alienarem seus trabalhadores. Esse pensamento só começou a mudar quando os comunistas perceberam que podiam incluir membros para o partido através do próprio esporte.

Apesar das críticas e os movimentos dos intelectuais, o esporte continuou se popularizando e ganhando “ares” cada vez mais profissionais ao longo das décadas seguintes. Nos anos 50, atualmente chamado pelos brasileiros como “A era clássica do Futebol”, surgiram diversos nomes que entraram para a história do país, como Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Didi, Vavá, Zagallo e Djalma Santos.

Atualmente, há diversos clubes surgindo e todos eles buscam crescer e entrar em processo de profissionalização. Para estimular a popularidade do esporte no país, foi criada uma loteria, a Timemania, para arrecadar dinheiro com apostas e, assim, auxiliar financeiramente os principais clubes nacionais.

 
 
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