Acusado de matar palmeirense, ex-presidente da Gaviões é absolvido pelo TJ-SP

Cheira impunidade, mas a absolvição apertada é fruto da falta de provas concretas sobre o disparo do tiro

por Agência Estado

São Paulo, SP, 26 - O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) absolveu, nesta quarta-feira, o ex-presidente da torcida Gaviões da Fiel Rodrigo de Azevedo Fonseca, o Diguinho, pela acusação de homicídio do palmeirense Diogo Borges, que era membro da torcida Mancha Alviverde, ligada ao Palmeiras. A Promotoria informou que vai recorrer da decisão.

O julgamento estava previsto para ser prolongado até sexta-feira, mas após cerca de nove horas de sessão plenária, o réu foi inocentado por quatro votos a três.

Não houve provas para condenar Diguinho, que estava armado na briga
Não houve provas para condenar Diguinho, que estava armado na briga
TIROS APÓS CONFUSÃO
Diogo foi vítima de um tiro durante uma briga entre as duas torcidas organizadas no dia 16 de outubro de 2005. O caso ocorreu na estação Tatuapé do metrô, zona leste da capital paulista, aproximadamente três horas antes do clássico entre Palmeiras e Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro.

Foram 13 anos até o julgamento em primeira instância ser concluído. Neste período, Diguinho aguardou a sentença em liberdade.

Marcos Borges, pai de Diogo, disse, com a voz embargada de choro, que por um lado está aliviado pelo julgamento ter sido concluído, mas por outro "triste por ele (Diguinho) ter sido absolvido". O pai da vítima confessou que perdeu as esperanças de que a decisão seja revertida em segunda instância.

"Mais quantos anos vai demorar para recorrer? Para julgar levou 13 anos. Acho que é muito difícil ele ser condenado da próxima vez", diz.

ARMA NA MÃO
Imagens do circuito de segurança mostram Diguinho supostamente com uma arma na mão atirando de cima para baixo. A defesa apresentou um laudo técnico confirmando que é Diguinho quem aparece nas imagens.

Mas esse mesmo laudo atesta que o tiro fatal teria sido disparado de baixo para cima. Segundo o pai da vítima, o laudo teve grande peso na decisão dos juízes.

Procurado, o advogado de Diguinho, Davi Gebara, não quis comentar a decisão "em respeito à família da vítima". O TJ-SP não informou o que foi alegado pelos juízes que tomaram a decisão.