ESPECIAL NORDESTE: Com um time na elite e vários fracassos, 2014 foi ano para se esquecer!

O bom momento da economia do Nordeste não se reflete nos gramados de futebol. Pelo contrário, o futebol nordestino termina 2014 em crise

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 01 (AFI) – Assim como grande parte do planeta, o Brasil vive tempos de recessão econômica. Considerada há anos a região mais pobre do país, o Nordeste parece remar na contramão dos Estados do Sul e Sudeste. Com crescimento bem acima da média nacional (4% contra 0,6% nos primeiros cinco meses do ano*), a região tem conseguido destacar-se economicamente do restante do país. Tal feito, contudo, não se reflete nos gramados de futebol. Pelo contrário, o futebol nordestino termina 2014 em crise.

Embora muitas empresas, do setor industrial e de serviços sobretudo, estejam migrando para o Nordeste, o crescimento econômico da região ainda não parece contribuir com os clubes de futebol. A prova disso é que em 2015 apenas o Sport representará o futebol nordestino na elite nacional.

Economia do Nordeste cresceu, mas tal fato não refletiu-se no futebol da região
Economia do Nordeste cresceu, mas tal fato não refletiu-se no futebol da região
Campeão pernambucano e da Copa do Nordeste, o Leão da Ilha entrou no Brasileirão com o saldo altamente positivo. Isso, mesmo com a queda precoce na Copa do Brasil contra o Paysandu, na segunda fase.

Com um departamento de futebol bem organizado para os padrões da região e bem comandado pelo técnico Eduardo Baptista, o Rubro-negro em momento algum correu risco de queda e ainda flertou com o G4 em diversos momentos. No final, perdeu fôlego e acabou na 11ª colocação, com 52 pontos.

Rebaixamentos de Vitória e Bahia foram emblemáticos para péssimo ano do Nordeste
Rebaixamentos de Vitória e Bahia foram emblemáticos para péssimo ano do Nordeste
O fim de Brasileirão do Sport foi completamente diferente dos rivais Bahia e Vitória. O Tricolor, mais uma vez, sofreu com seus problemas políticos e pecou na montagem do time e das comissões técnicas. Foram três treinadores na competição (Marquinhos Santos, Gilson Kleina e Charles Fabian), além de 35 jogadores. O Esquadrão sentiu a perda do meia Anderson Talisca, sua grande promessa, ao Benfica-POR por R$ 12 milhões.

Do outro lado, está o Vitória que sempre julgou-se um dos (se não o mais) organizado clube nordestino. Na prática, o que se viu foi um clube tão desorganizado quanto os demais. Primeiro, a diretoria rubro-negra apostou na demissão de Jorginho e na contratação de Ney Franco, que vinha de péssimos trabalhos. Na competição, o clube usou nada menos que 43 jogadores, ficando atrás apenas do Palmeiras, com 46.

NEM NA SÉRIE B?
Se a elite contará com apenas um clube nordestino em 2015, é porque o desempenho na Série B foi ainda pior. É a primeira vez depois de cinco anos que nenhum clube da região consegue subir à Série A. Neste ano, conquistaram o acesso Joinville, Ponte Preta, Vasco e Avaí. A última vez que tal fato acontecera foi em 2008, quando ficaram no G4 da Série B Corinthians, Avaí, Santo André e Barueri.

Oitavo colocado, Ceará foi o melhor do Nordeste na Série B
Oitavo colocado, Ceará foi o melhor do Nordeste na Série B
Ao todo, sete clubes do Nordeste disputaram a competição. E o único que brigou, de fato, pelo acesso foi o Ceará. O Vozão foi o melhor colocado da competição, ocupando apenas a oitava posição. Santa Cruz, Sampaio Corrêa e Náutico até chegaram a sonhar com acesso, mas acabaram apenas em posições intermediárias.

Não bastassem ter ficado distantes do G4, os nordestinos ainda amargaram dois rebaixamentos. América-RN e Icasa acabaram voltando à Série C juntamente com os tradicionais Vila Nova e Portuguesa. A situação só não foi pior porque o ABC conseguiu uma arrancada final e terminou afastado dos últimos.

SÓ DOIS ACESSOS
Fortaleza perdeu para o Macaé e foi a grande decepção da Série C
Fortaleza perdeu para o Macaé e foi a grande decepção da Série C
Na Série C, a situação não foi muito melhor. A grande decepção ficou por conta do Fortaleza. Após uma primeira fase arrasadora, com 35 pontos e apenas uma derrota, o Tricolor de Aço pipocou. Mesmo contando com o apoio de mais 60 mil torcedores, acabou perdendo a vaga na Série B para o modesto Macaé.

O único clube que teve êxito foi o CRB, que carimbou seu passaporte de volta à Série B. Por outro lado, o Treze decepcionou seus torcedores caindo para a Série D. Salgueiro, Botafogo-PB e ASA lutaram, mas acabaram ficando na Terceirona para 2015.

Os três clubes, assim como o Fortaleza, terão a companhia do Confiança-SE. O Dragão Proletário foi o único dos 11 times do Nordeste que disputaram a Série D a conquistar o acesso. Clubes tradicionais como Central-PE, Campinense-PB, Ríver-PI e Moto Club-MA ficaram pelo caminho.

ALENTO... SÓ QUE NÃO!
Campanhas de ABC e América-RN na Copa do Brasil foram um dos poucos pontos positivos do futebol nordestino em 2014
Campanhas de ABC e América-RN na Copa do Brasil foram um dos poucos pontos positivos do futebol nordestino em 2014
Nas quatro competições nacionais, o desempenho deixou e muito a desejar. Na Copa do Brasil, ABC, América-RN, Ceará e o surpreendente Santa Rita-AL (antigo Corinthians-AL) salvaram a pátria. Mesmo assim, a chegada da dupla potiguar nas quartas parece ter sido obra do acaso, já que ambos naufragaram na Série B. Na Copa, os alvinegros pararam no Cruzeiro, enquanto o Mecão foi eliminado pelo Flamengo.

O Ceará morreu nas oitavas contra o combalido Botafogo. A eliminação no torneio, aliás, foi um dos fatores que influenciaram na queda de rendimento do Vozão na reta final da Série B. Outro motivo foi o “desaparecimento” do presidente Evandro Leitão, que focou em sua eleição como deputado estadual pelo PDT-CE. Por fim, o Santa Rita valeu-se do fato de ter encarado uma chave menos complicada e acabou parando no Cruzeiro.

Se 2014 foi um ano para esquecer, ao menos em 2015 há expectativa de que os clubes tradicionais presentes nas Séries B, C e D conquistem mais acessos. Falta de dinheiro de empresas no Nordeste não é mais problema. Faltam, agora, planejamento e credibilidade para os dirigentes conseguirem bons parceiros. Afinal, retorno de marketing não faltará já que times como Sport, Bahia, Vitória, Santa Cruz, Sampaio Corrêa, Ceará e Fortaleza são capazes de manterem médias acima dos 30 mil torcedores.

*Dados do Banco Central