Santos vencia Palmeiras e chegava ao seu 11º título paulista há 52 anos

Maior campeão estadual da década confirmou a conquista diante do rival, com três rodadas de antecedência

por Federação Paulista (FPF)

São Paulo, SP, 19 (AFI) - A década de 1960 foi especial na história do Santos. Maior campeão paulista do período, o clube da Baixada Santista conquistou nada menos do que sete conquistas regionais -61, 62 - 64 e 65, 67, 68 a 69 - além de inúmeras taças nacionais e internacionais. E um desses títulos, o de 1968, completa 52 anos nesta terça-feira (19).

Não apenas defensor do título paulista do ano anterior, o Santos também era multicampeão da década. Dono de diversos títulos como o bicampeonato Mundial e da Libertadores em 62 e 63, o penta campeonato da Taça do Brasil (atual Campeonato Brasileiro) de 61 a 65, três conquistas consecutivas do Torneio Rio-São Paulo, de 63 a 66, além das conquistas estaduais já mencionadas.

O Campeonato Paulista de 1968 seguia o sistema de pontos corridos e a equipe da Vila Belmiro foi soberana, como de costume à época. Logo na estreia venceu o Guarani, na Vila Belmiro, pelo placar mínimo, com gol de Rildo. Em seguida, goleou a Portuguesa Santista por 6 a 0. Também se sobressaiu nos três jogos da sequência, contra São Bento, XV de Piracicaba e Ferroviária.

Santos vencia Palmeiras e chegava ao seu 11º título paulista há 52 anos
Santos vencia Palmeiras e chegava ao seu 11º título paulista há 52 anos

A próxima partida seria diante do Corinthians, no Pacaembu. Fazia mais de uma década que o clube do Parque São Jorge não vencia a equipe da Baixada Santista, em partidas válidas pelo Campeonato Paulista. Então, no dia 6 de março daquele ano, o Corinthians, do técnico Lula, que fez história no Santos, derrotou o time de Pelé e companhia, por 2 a 0. Ao final daquela partida, a torcida contiana entoou o canto: “Com Pelé, com Edu, nós quebramos o tabu”.

Embora tenha sofrido derrota para o rival, colocando fim ao tabu que durava 11 anos, o time da Baixada Santista não se abalou e seguiu a competição de forma invejável. Na partida, o Botafogo foi a vítima ao ser superado por 5 a 1, em Santos. Depois disso, o esquadrão santista acumulou 11 vitórias consecutivas, incluindo a vitória sob o rival São Paulo, por 5 a 2, uma a goleada de 8 a 2, diante do Comercial, e a vitória contra o Corinthians, por 2 a 0, pelo segundo turno. A sequência vitoriosa só teve pausa frente à Ferroviária. Mas ainda assim, não houve derrota, pois o jogo terminou em um empate sem gols.

Depois do empate, o Peixe ainda se sobressaiu sobre Portuguesa e Botafogo, até sofrer sua segunda derrota no estadual. Desta vez, contra a Portuguesa Santista, jogando diante de sua torcida. Apesar disso, era necessário apenas mais uma vitória para se confirmar o bicampeonato e o próximo adversário seria o Palmeiras.

JOGO DO TÍTULO
Dia 19 de maio de 1968: Palmeiras e Santos se encontravam no antigo Parque Antárctica, em partida válida pelo segundo turno do Campeonato Paulista. Bastava uma vitória para o time santista conquistar mais um título.

O primeiro tempo comandado pelo árbitro Roberto Goicochea terminou sem gols. Já na segunda metade, com menos de um minuto de bola rolando, China abriu o placar para o Palmeiras. Mas isso era cutucar a onça com vara curta. Ou melhor, o Peixe. Oito minutos mais tarde, Edu, um dos maiores ponteiros-esquerdos do Santos, empatou em cobrança de falta violenta, que o goleiro Maidana não conseguiu defender.

Aos 15 minutos, Edu achou passe para Pelé, que aplicou o drible da vaca no marcador, invadiu a área com velocidade e bateu cruzado para colocar o Santos à frente do resultado. Aos 21, Pelé tentou finalizar, mas a bola desviou no defensor palmeirense e sobrou para Toninho Guerreiro, que estufou as redes e decretou a vitória e o título santista.

O time da Vila Belmiro ainda sofreu mais uma derrota, logo após a consagração do título, para o América, por 3 a 1. Depois, goleou o Comercial por 5 a 0, e venceu o São Paulo, na última rodada, por 3 a 1. Com isso, o Santos chegava ao seu 11º título estadual, somando em sua campanha, 22 vitórias, um empate e apenas três derrotas.

FICHA TÉCNICA:
Palmeiras 1x3 Santos
Local: Parque Antarctica;
Data:
19 de maio de 1968;
Público:
16.276;
Renda:
NCr$ 68.122,00;
Árbitro:
Roberto Goicochéa;
Gols:
China 1’, Edu 9’, Pelé 14’ e Toninho Guerreiro 21’ do 2ºT;
Palmeiras: Maidana; Djalma Santos, Baldochi, Minuca e Jorge; Zequinha e Júlio Amaral; Suingue, China, Cabralzinho (Moraes) e Gildo.
Técnico: Alfredo González.
Santos: Claudio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Clodoaldo e Lima; Toninho Guerreiro, Douglas, Pelé e Edu.
Técnico: Antoninho.
Números do campeonato:
Jogos:
182
Gols marcados: 528
Média: 2,90 gols por partida
Artilheiro: Téia, da Ferroviária, 20 gols
Melhor ataque: Santos, 71 gols marcados
Melhor defesa: Santos, 22 gols sofridos
Pior ataque: Guarani, 27 gols marcados
Pior defesa: Comercial, 56 gols sofridos
Público pagante: 987.714.096 pessoas
Média de público por jogo: 5.427
Jogo de maior público: Santos x Corinthians, 21/04/1968, 55.084

Mateus Bezerra, especial para a FPF