Trio de Ferro e Santos investem pouco dinheiro para reforçar seus elencos para 2020

No ano passado, por exemplo, os clubes haviam feito 16 contratações neste primeiro mês sem calendário de jogos

por Agência Estado

São Paulo, SP, 10 - A janela de transferências dos clubes brasileiros completou um mês nesta quinta-feira e o número de contratações feitas pelos quatro grandes do futebol paulista é bem pequeno. Do dia seguinte ao fim do Campeonato Brasileiro até agora foram somente cinco novos jogadores, o menor número dos últimos cinco anos.

Considerando-se os anúncios oficiais de reforços, o Corinthians acertou com Luan, Sidcley e Cantillo e o Santos com Raniel e Madson. Palmeiras e São Paulo não contrataram ninguém. Em janelas anteriores, o volume chegou a ser até três ou quatro vezes maior.

No ano passado, por exemplo, os clubes haviam feito 16 contratações neste primeiro mês sem calendário de jogos. Somente o Palmeiras tinha contratado cinco jogadores: Carlos Eduardo, Matheus Fernandes, Zé Rafael, Arthur Cabral e Felipe Pires. Somadas as aquisições, o time alviverde gastou R$ 58 milhões.

O dinheiro investido, no entanto, não trouxe o retorno esperado e por isso neste ano a diretoria palmeirense colocou o pé no freio. O responsável pelas contratações até o ano passado, Alexandre Matos, foi demitido.

Anderson Barros chegou para substituí-lo com a missão de fazer aquisições pontuais. A intenção da diretoria é ainda cortar 14% dos gastos referentes ao futebol. O clube já liberou vários jogadores e está em negociações abertas para a saída de outros, como Deyverson.

Após ser ousado na última janela, o São Paulo mudou de estratégia. No ano passado, o tricolor havia gastado R$ 42 milhões com as contratações de Pablo, Hernanes, Léo, Pato, Biro Biro, Willian Farias e Igor Vinícius. Em 2020, Fernando Diniz comemorou o fato de não ter perdido jogadores.

MUDANÇA
O empresário Eduardo Uram acredita que a redução no número de contratações dos principais clubes de São Paulo está ligada a uma conjunção de fatores.

"Há uma maior responsabilidade fiscal dos clubes. Há uma responsabilidade orçamentária, equivalente ao fair play financeiro da Europa, que é imposto pela Uefa. Aqui, por enquanto, está sendo estabelecido por órgãos internos dos clubes e isso é positivo", disse.

Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net - Foto: Rubens Chiri Foto:/ saopaulofc.net
Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net
O dado negativo é a dificuldade de os clubes encontrarem atletas que cheguem para resolver.

"Existe também uma baixa disponibilidade de jogadores que agreguem valor aos clubes e isso complica", opinou Uram.

A alta das moedas estrangeiras também contribui para os clubes investirem menos.

O Corinthians, que mais contratou entre os paulistas, desistiu do atacante Michael, do Goiás. Depois de oferecer 5 milhões de euros (R$ 22,6 milhões), em nota oficial a diretoria informou que chegou ao limite e que "não fará nenhuma extravagância financeira que possa prejudicar a administração do clube".

Neste ano, o Corinthians tenta cortar em R$ 60 milhões a folha salarial. Para começar, está tentando negociar Ralf e Jadson. O técnico Tiago Nunes já disse que não vai contar com a dupla.

As contratações do Corinthians até agora só vieram por causa de uma nova parceria com o já patrocinador master, o BMG. Além de pagar para expor a marca na camisa, o banco está fazendo empréstimos ao clube. Somente o atacante Luan custou R$ 20 milhões.

No Santos, as duas contratações feitas até agora foram viabilizadas por trocas. Raniel veio como parte do negócio com Vitor Bueno, do São Paulo. O lateral Victor Ferraz foi para o Grêmio e o time recebeu Madson.