Futebol em tempos de pandemia: exercícios físicos e saúde mental dos atletas

A ciência mais recente sugere que, estar em forma atlética, estimula o sistema imunológico e melhora a capacidade do organismo

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 18 (AFI) - Em tempos de pandemia do Covid-19, o futebol mundial também sofre um duro golpe: treinamentos interrompidos nos clubes, campeonatos suspensos por tempo indeterminado, com o retorno às atividades ainda incertas.

Atletas passaram a treinar individualmente, cada um em suas respectivas casas, sob as cartilhas e protocolos da fisiologia e preparação física dos clubes.

A segurança, saúde e imunologia dos atletas aos riscos de infecções e contágios tornam-se, a partir de agora, aspecto de fundamental importância e de primeira ordem no futebol.

BOA FORMA É FUNDAMENTAL
Em um artigo recente do “New York Time” denominado “Does exercise help or hinder our bodies’ ability to fight off infections? It depends” (“O exercício ajuda ou atrapalha a capacidade do nosso corpo de combater infecções? Isto depende”), destaca o contexto do novo surto de coronavírus com as práticas dos exercícios físicos.

Futebol em tempos de pandemia: exercícios físicos e saúde mental dos atletas
Futebol em tempos de pandemia: exercícios físicos e saúde mental dos atletas
A ciência mais recente sugere que, estar em forma atlética, estimula o sistema imunológico e melhora a capacidade do organismo combater os agentes nocivos à saúde.

Alguns estudos indicam que os tipos e a quantidade de exercícios físicos podem influenciar nas respostas imunológicas.

RESPEITO À INTENSIDADE
Algumas pesquisas sugerem que até mesmo um único exercício físico extenuante pode diminuir “temporariamente” as respostas imunológicas do organismo humano, colocando-se em “risco aumentado” de infecções oportunistas.

Neste sentido exercícios físicos tem um impacto profundo no funcionamento normal do sistema imunológico dos atletas.

O dia a dia do futebol atual vêm exigindo cada vez mais performance e respostas psicofísicas satisfatórias dos atletas nos treinamentos físicos e nos jogos.

Fisiologistas, preparadores físicos e treinadores planificam o trabalho de periodização anual do desenvolvimento atlético, técnico e de performance, juntos aos atletas, de acordo com os campeonatos que o clube disputa no ano, projetando-se assim os chamados “macrociclos”, “mesociclos” e “microcilcos”.

TREINOS PERSONALIZADOS
Todo o planejamento é dimensionado para trabalhos específicos personalizados, já que atletas se diferem nas respostas psicofísicas.

O planejamento do treinamento físico se baseia fundamentalmente no desenvolvimento da capacidade aeróbia; força, equilíbrio e reforço muscular, explosão muscular, agilidade e velocidade de deslocamentos, em função das posições táticas de jogo.

Desgastes com treinamentos extremamente intensos, jogos e viagens excessivos, bem como uma forma insuficiente ou inadequada de recuperação psicofísica do atleta, podem afetar de forma importante e significativa sua imunologia corpórea.

INDICAÇÕES DE QUEDA
Muitas vezes atletas acometidos de gripes frequentes, baixo rendimento físico e até recuperação atlética “demorada” podem estar indicando um declínio imunológico corporal muito grande, cuja investigação deve ser monitorada constantemente pelos profissionais da área física e médica do clube.

Imunologistas, hematologistas e médicos do Esporte alertam para os riscos que atletas podem vivenciar no dia a dia dos clubes no tocante ao Excesso de Treinamento (SET) ou “overtraining”: “quanto mais o atleta se esforça e treina intensamente, maior poderá ser a queda da sua imunologia”.

Para o médico Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia e coordenador da Clínica CardioEsporte do Hcor (Hospital do Coração-SP) essa queda da imunidade ocorre por diminuição dos níveis da glutamina nos músculos, um aminoácido não essencial que tem um fluxo direto e contínuo dos músculos para o fígado, intestino, rins e sistema imunológico, facilitando o surgimento de doenças respiratórias.

Assim, os exercícios com intensidades excessivas e recuperações insuficientes e inadequadas podem reduzir drasticamente a imunidade geral dos atletas do futebol.

TREINOS SOB SUPERVISÃO
Por outro lado, treinamentos com exercícios físicos de intensidades, volumes e frequências adequadas e seguras, específicas e personalizadas, recuperações compatíveis e suficientes dos atletas, bem como elaborações de campeonatos mais adequados, equilibrados e racionais no tocante ao quantitativo de jogos e deslocamentos em viagens, que gerem menos desgastes aos atletas, são ingredientes fundamentais e imprescindíveis a serem adotadas, a partir de agora, no futebol.

A relação treinamentos/jogos de competição (“Dano/Fase Degenerativa/Trauma”) e recuperação ativa/passiva (Reparo/Fase Regenerativa/Remodelamento) estão representadas abaixo: 1) na forma não adaptativa, queda de performance e queda da imunologia (Síndrome Overtraining-OTS); 2) na forma adaptativa, ganho de performance e de ganho ou manutenção da imunologia.

TODOS DE OLHO
Fisiologistas, preparadores físicos, treinadores, dirigentes de clubes, federações e confederações focam grande atenção e preocupação sobre o tema, buscando um equilíbrio entre performance física e saúde dos atletas do futebol.

A pandemia do Covid-19 vêm mudando o modo de “pensar” e o modo “comportamental” das pessoas no mundo, vêm mudando também o conceito “organizacional” no universo do futebol.

Colaboração - Clodoaldo Dechichi