Luto! Ex-técnico revolucionário de Ponte Preta e São Paulo morre em Campinas

Ele tinha 80 anos e já estava em situação delicada há dois anos, realizando tratamento especial e utilizando cadeira de rodas

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 28 (AFI) - Com trabalhos marcantes no São Paulo, Ponte Preta, XV de Jaú, entre vários outros, o ex-técnico Cilinho faleceu no início da tarde desta quinta-feira (28) na casa dele em um condomínio em Sousas, distrito de Campinas. Ele tinha 80 anos e já estava em situação delicada há dois anos, realizando tratamento especial e utilizando cadeira de rodas. Teria morrido na varanda de casa.

Cilinho há dois anos, quando saiu do coma
Cilinho há dois anos, quando saiu do coma

O velório será realizado no Salão Nobre (Pedro Pinheiro) do estádio Moisés Lucarelli a partir das 23 horas desta quinta-feira até 14h30 de sexta-feira. O velório será aberto ao público e imprensa somente amanhã a partir das 7 horas.

O enterro está confirmado para o Cemitério da Saudade, na sexta-feira, às 15 horas.

Para alguns ele era chamado de 'chefe', para outros de 'mestre'.

Ele já vinha acamado nos últimos dois anos, depois de sofrer dois AVC – Acidente Vascular Cerebral. Num deles ficou meses entre a vida e a morte no leito do Hospital da PUCC, em Campinas.

UM INOVADOR
Otacílio Pires de Camargo, o Cilinho, foi apontado como um revolucionário no interior paulista e atingiu o auge no São Paulo no final dos anos 80 com o chamado time ‘Menudos do Morumbi’.

Ele fazia treinamentos diferenciados, gostava de improvisar e não era novidade escalar algum zagueiro grande como atacante para forçar o jogo aéreo em determinado jogo.

BOTÕES E MOTIVADOR
Costumava usar botões para orientar os seus jogadores na movimentação em campo, o que lhe valeu a fama de um grande estrategista. Foi também um motivador nato. Escrevia frases motivacionais e pregava cartazes em cartolinas nos vestiários para os jogadores.

Na prática, introduziu a neurolinguística no futebol. Indicava aos amigos o livro: "O Poder do Pensamento Positivo", de Norman VIncent Peale. Foi lançado no Brasil em 1957.

Às vezes optava por trabalhar em clubes de menor expressão onde poderia executar o 'trabalho a seu modo' e sem pressão da diretoria e da torcida. Fez isso, por exemplo, no XV de Jaú e América.

OS MENUDOS
Este time contava com alguns craques e um ataque poderoso formado por jovens como Muller, Silas e Sidney e tinha ainda o centroavante Careca.

Já experiente, o meia Pita, revelado no Santos, impulsionava o ataque veloz e mortal do tricolor, campeão paulista de 1985.

"REI DE ROMA"
Neste ano, ocorreu um fato curioso. A diretoria queria dar um toque especial no elenco e contratou o volante Falcão, que fez fama na Itália onde foi consagrado com o título de “Rei de Roma’. Em 1982, Falcão formou a grande seleção brasileira que disputou o Mundial da Espanha, sob o comando de Telê Santana.

Falcão brilhou na Seleção de 1982
Falcão brilhou na Seleção de 1982

Cilinho não gostou da ideia e relutou em escalar Falcão em alguns poucos jogos. Ora falava que ele tinha problemas médicos, ora alegava que ele não tinha o ritmo necessário para entrar no time.

O técnico insistia em escalar o volante Márcio Araújo, por coincidência, hoje atuando como auxiliar de Fernando Diniz na comissão técnica do São Paulo.

Mas ele se rendeu à pressão nos dois jogos finais contra a Portuguesa, ambos vencidos pelo time do Morumbi: 3 a 1 e 2 a 1. O time no jogo final formou com: Gilmar, Zé Teodoro, Oscar, Dario Pereyra e Nelsinho; Márcio Araújo, Silas (Pita) e Falcão (Freitas); Müller, Careca e Sidnei.

NEGOU A SELEÇÃO
Depois do sucesso em São Paulo, Cilinho chegou a ser convidado para assumir a seleção brasileira pelo então vice-presidente da CBF, Nabi Abi Chedid. O técnico, acompanhado do amigo de infância Peri Chaib, então dirigente, foi até a CBF para se acertar detalhes do planejamento.

Para surpresa geral, não houve acordo. Cilinho, na época, não apenas queria comandar o time principal como coordenar toda o trabalho de base. Algo que soou mal na época pelos cartolas, mas que ao longo do tempo se mostrou necessário: ter um trabalho planejado desde a base. Em seu lugar foi escolhido Carlos Alberto Silva.

CARREIRA
Cilinho começou como treinador na Ponte Preta no fim da década de 1960 e, posteriormente, treinou a Macaca em diversas oportunidades, alcançando 345 partidas. Foi vice-campeão paulista pelo time campineiro em 1970.

Rio Branco: último clube
Rio Branco: último clube

Pela Macaca ele passou nove vezes. A sua estreia aconteceu no dia 15 de agosto de 1965 diante do Taubaté. No total, ele venceu 144 vezes, empatou 108 e perdeu 93 jogos. Um aproveitamento de 52,17%.

MUITOS CLUBES

Teve passagem marcante também no XV de Jaú. A principal passagem de Cilinho foi em 1981, quando o Galo terminou na quarta colocação do Campeonato Paulista e garantiu vaga na Taça Ouro (equivalente à primeira divisão do Campeonato Brasileiro) de 1982.

Em 1985, ganhou ainda mais destaque com o título do Campeonato Paulista pelo São Paulo, que tinha jogadores como Silas, Pita, Muller, Careca, entre outros.

Portuguesa, Sport, Santos, Guarani, Corinthians, Bragantino e América-SP também estão no currículo de Cilinho. Seu último clube foi o Rio Branco, de Americana, em 2011 e 2012.

Cilinho instruindo time do São Paulo
Cilinho instruindo time do São Paulo


Cilinho (à direita). (Foto: Tiago Pavini/XV de Jaú)