Sonho de escrever livro e respeito em Jaú: Roberval relembra momentos de Cilinho

Hoje técnico, o ex-meia foi comandando pelo inovador treinador no fim da década de 70, jogando pelo XV

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 28 - A morte de Cilinho, icônico ex-treinador com passagens marcantes por São Paulo, Ponte Preta e XV de Jaú, emocionou muita gente que teve a oportunidade de trabalhar com ele. O técnico e ex-meia Roberval Davino, por exemplo, não poderia deixar de prestar suas homenagens ao professor, responsável por trazê-lo ao XV de Jaú no fim da década de 70.

Na época, Roberval era jogador do CRB e teve grande atuação em um empate por 2 a 2 com a Ponte Preta, no Moisés Lucarelli. Cilinho estava presente no estádio e pediu a contratação do então meio-campista para integrar o elenco do seu XV de Jaú.

”Ele me trouxe para o XV. Ele assistiu a um jogo entre Ponte Preta e CRB, um empate por 2 a 2, em Campinas. Eu fui muito bem e ele me levou para o XV. Eu posso dizer que foi um dos melhores treinadores que vi. Ele amava futebol, respirava futebol, e eu tive muito aprendizado com ele, não só como técnico, mas aprendizado pessoal. Minha linha de pensar como técnico é baseada no que eu vi dele, ele era é um técnico fantástico”, relembrou Roberval em entrevista ao Portal Futebol Interior.

Cilinho tinha forte ligação com o XV de Jaú. (Foto: Reprodução)
Cilinho tinha forte ligação com o XV de Jaú. (Foto: Reprodução)

RESPEITO EM JAÚ
A passagem de Cilinho pelo XV foi das melhores e gravou o nome dele na história do clube, tanto que, até hoje, o respeito que a cidade de Jaú tem pelo agora falecido treinador é gigante. Além de boas campanhas, ele é lembrado por ter recusado uma proposta do São Paulo para permanecer no time quinzista.

“Dois, três anos atrás, teve um encontro entre ex-atletas em Jaú. Ele foi convidado, em uma época em que ele já não estava nem saindo pela questão da saúde. Ele foi duas vezes. Na primeira, eu fui, mas na segunda eu estava trabalhando. O interessante é a que consideração que Jaú tem pelo Cilinho. Foi a última vez que eu encontrei com ele, inclusive tivemos um jogo com nomes com Marola, Marcão, Frazão, Paulo Moisés, o pessoal todo. A expectativa pela presença do Cilinho foi grande, pois ele não estava indo para nenhum lugar e foi para Jaú, acompanhado da esposa e dos mais chegados”, contou Roberval.

Hoje treinador, Roberval foi jogador de Cilinho.
Hoje treinador, Roberval foi jogador de Cilinho.

LIVRO
Marcado por ser o técnico dos ‘Menudos do Morumbi’, Cilinho fez um trabalho de inovação no futebol, trabalhando conceitos ousados para a época de seu auge. Um de seus planos, aliás, era expor um pouco dessas ideias em um livro, o que acabou não acontecendo, conforme o revelado por Roberval Davino.

“Ele tinha a ideia de fazer um livro e acho que, infelizmente, faleceu e não fez. Eu como jogador, ele pedia a mim e a outras pessoas que escrevessem coisas para ele. Eu era capitão do time, ele conversava sobre essas idéias comigo. Ele vivenciava muito o futebol e correlacionava com a vida. A ideia do livro acho que era sobre a ideia de jogo, expor a filosofia de jogo dele, o dia a dia. Nós envolvíamos o adversário, como ele falava, o que hoje é o propor o jogo. Cilinho já falava nisso há muito tempo”, disse o ex-jogador.