Opinião Fauzi Kanso: Antônio Cunha Mendes, o bom baiano
Dias desses conversei demoradamente com o grande amigo, Reginaldo Pires do Prado, o famoso Nanau, que durante décadas manteve um salão de cabelereiro na Av. Andrade Neves, herdado de seu pai, Sr. Ramiro. O Nanau me disse que vai requerer junto ao Governo o seu direito a aposentadoria por ter sido preso e torturado na época do regime militar.
“Eu não ia atrás disso, não. Mas tem tanto neguinho ai lesando a Pátria que eu resolvi requerer o que é meu, e que é de direito”, falou Nanau.
Foi quando lhe disse que, embora tenha 62 anos, ainda não consegui a minha aposentadoria. Sabe por que ? Porque quando trabalhei em rádio e jornal não fui registrado, o que aliás era uma rotina. Radialistas, alguns, faziam rádio para satisfazer um ego, e nem do dinheiro queriam saber, até por que tinham outro emprego. Outros, embora locutores e narradores, viviam de comissões sobre vendas de publicidade.
Ai que um amigo do Nanau, de quem nem o nome sei, falou-me:
“Conheço o Sr. Antônio que pode orientar o senhor”.
De posse do endereço fui até o escritório do Sr. Antônio e, a agrande surpresa: o Sr. Antônio é o Cunha Mendes, grande radialista com quem tive o prazer de dividir o microfone na Rádio Cultura e que há anos não o via. O Cunha trabalha ao lado do Dr. José Carlos Querido, outra lenda viva do rádio campineiro.
Lembrando o passado
Entre várias águas e cafés relembramos os melhores – e piores – momentos que tivemos no rádio. Dificuldades para transmitir um evento por menor que fosse… microfones que davam choques… rádio que não chegava a ser ouvido na Vila Nova por falta de potência… companheiros extremamente leais e outros que se revelaram grandes porcarias…
Nesta época, acreditem ou não, as emissôras mais ouvidas em Campinas, por que tinham boa penetração, eram Rádio Tupi, Bandeirantes, Nove de Julho…
O Cunha Mendes, por fazer uma campanha contra o técnico Filpo Nuñes, que segundo ele só falava palavrões, ganhou a antipatia da torcida do Guarani. Teve até uma briga, no intervalo de uma partida, onde vários torcedores tentaram agredí-lo. Prevenido, o Cunha havia feito um chicote com cabos de microfones e não teve dúvida em usá-lo contra os ferozes adversários.
“Eram uns quinze, e eu só levei a melhor por quê logo chegou a Polícia Militar, comandada pelo Tenente Ícaro que apartou a briga”, disse o Cunha. A torcida das numeradas a tudo assistiu e muito se divertiu.
Os craques do rádio
Como fiz com o Danglares Gomes, pedi ao Cunha para formar uma equipe esportiva do rádio de ontem para os dias de hoje:
“Minha equipe seria um pouco diferente da do Danglares: Washignton de Andrade, narrador; Zaiman de Brito, comentários; Geraldo Sussuline, plantão e, Gilberto Otranto nas reportagens volantes.
“O Rádio de hoje? Olha, para ser sincero, é a imagem do atual futebol campineiro”. (risos).
Cunha Mendes, que é formado em odontologia pela PUC, mantinha um programa, logo após o esporte, onde soltava o cacete no Prefeito Orestes Quércia. Um dia, quando o Cunha, entusiasmado pela audiência, bradava contra o prefeito, olha pelo visor e repentinamente vê ali parado com as mãos na cintura ninguem menos que Dr. Orestes Quércia. Ele mesmo, o prefeito.
Convite de Quércia
Cunha não perdeu o rebolado, só encurtou o comentário e chamou os comerciais. Foi o tempo necessário para o Quércia convidá-lo para um café no Gabinete. Dias depois o Cunha estava nomeado para “consertar” exatamente aquilo tudo que ele criticava. Fez tão bem o seu trabalho que permaneceu no cargo quando o prefeito já era Lauro Péricles Gonçalves.
Hoje, o Bom Baiano, apelido carinhoso que ganhou dos companheiros de rádio, mantém no Bairro Ponte Preta, em sociedade com o Dr. José Carlos Querido, que na Cultura apresentava os programas “Show da Madrugada” e “Pelos Caminhos da Noite”, um escritório que cuida dos interesses daqueles que precisam de orientação previdenciária.





































































































































