Ponte se ajusta no segundo tempo e a goleada poderia ter sido por placar mais dilatado

​Vem aí a goleada da Ponte Preta

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

Da goleada por 3 a 0 da Ponte Preta sobre o Santa Cruz, na noite deste domingo em Campinas, um parêntese para o aspecto comportamental em lances de gols pontepretanos.

A vibração do treinador Eduardo Baptista, da Ponte Preta, com o golaço do meio-campista Maycon, foi inigualável desde que chegou ao clube. Foi como se tivesse respondido aos críticos um suposto acerto ao manter lugar para o atleta entre os titulares.

Golaço a parte, Maycon continua sendo jogador ‘meia boca’ no time pontepretano, e o treinador não vai convencer quem o contesta pelo lance de seu subordinado.

Ressalta-se também que a vibração do atacante Potkker foi incomum. E ele mesmo justificou o desabafo em decorrência da pena rigorosa de quatro jogos imposta pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) da CBF, devido à expulsão em jogo contra o Atlético Mineiro, por ora escorada em efeito suspensivo.

SEGUNDO TEMPO

Descrição de fatos a parte, a vitória da Ponte Preta foi construída no segundo tempo, e por circunstâncias da partida.

Como o volante Wendel teve que sair em razão de desconforto muscular, era sintomático que a vaga seria ocupada pelo meia Thiago Galhardo, para dinamizar o setor.

Dito e feito. A Ponte adiantou as linhas, aumentou a sua posse de bola, e o gol saiu logo aos seis minutos, quando passou a explorar assiduamente o fragilizado miolo de zaga pernambucano, a exemplo de que fez o Corinthians no meio de semana.

No lance, Rhayner foi disputando jogada com dois adversários, e a bola se ofereceu para Roger que finalizou de primeira, rasteiro, no canto esquerdo.

Era o que a Ponte precisava para abrir a porteira. O Santa Cruz se abriu e aí deixou buracos defensivos a ser explorado pelos pontepretanos.

Foi aí que Roger escorou a bola com a peito para finalização precisa, no ângulo, de Maycon: 2 a 0 aos 24 minutos.

POTKKER

Com Potkker em campo, em substituição a Clayson no time pontepretano, aquela jogada de velocidade de romper desde o campo defensivo se repetiu. O diferencial é que desta vez ficou apenas Léo Moura para a disputa de mano na jogada, e foi batido. Potkker deu prosseguimento e teve tranquilidade para empurrar a bola à rede aos 28 minutos.

A rigor, por outras duas vezes ele poderia ter ampliado a vantagem pontepretana, uma delas, sem ângulo, chutando a bola na trave; em outra, livre, na área, mandou a bola na lua.

ZAGA DO SANTA

O lance em questão atestou que o treinador Eduardo Baptista teve correta leitura das deficiências do miolo de zaga do Santa Cruz, que marca a bola e descuida-se do adversário.

Nas chances reais de gols da Ponte Preta, durante o primeiro tempo, as jogadas visavam sempre às costas dos zagueiros adversários.

Foi assim que Nino Paraíba cruzou rasteiro e Roger não chegou a tempo na bola. Que Grolli pôde dividir com o goleiro Thiago Cardoso e a bola foi pra fora. E Clayson serviu Roger que, embora tivesse passado da bola, ainda tentou marcar gol de letra.

O toque de bola do Santa Cruz, desde o seu campo defensivo, serve para mostrar apenas uma disciplina tática do bom comandante Doriva.

GRAFITE E KENO

O problema do time pernambucano é que quando a bola chega ao ataque. Aí falta qualidade. Grafite perdeu mobilidade e, bem marcado, é anulado.

Keno tem alternado algumas boas jogadas com outras inconsequentes - como citado na partida contra o Corinthians. Só que desta vez nem de raras boas jogadas participou.

Como Artur só faz fumaça e pouco produz, o time Pernambuco ficou sem poder de fogo, e não exigiu uma defesa sequer do goleiro Aranha.

Quanto a Ponte Preta, que se transformou radicalmente de período, cravou uma vitória incontestável, e que afastada qualquer risco de rebaixamento.

ARIOVALDO IZAC
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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