Torcedor também precisa aprender sobre alternativas táticas

Volantes do Guarani foram sobrecarregados contra o ABC

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

Já citei aqui ‘ene’ vezes que a principal atribuição da coluna é abrir discussão sobre bola rolando. Discussão e não monólogo.

De forma geral observo que a maioria dos parceiros que participa nos comentários não se aprofunda taticamente no jogo da bola, dando a impressão que parece coisa misteriosa descobrir como se desenvolve uma partida.

A rigor, o saudoso jornalista Brasil de Oliveira costumava dizer que as mudanças no tabuleiro de um jogo de futebol parecem física nuclear, tal a dificuldade para o torcedor observar.

Confesso que às vezes, mesmo com alto índice de concentração, preciso de uns dez minutos de bola rolando para que tenha diagnóstico exato da coisa.

Por que esse preâmbulo? Pra dizer que abri discussão sobre concepção tática adotada pelo Guarani diante do ABC e até o atento parceiro João da Teixeira ‘comeu bola’. Não distinguiu minha observação.

Em várias circunstâncias, principalmente em jogos como visitante do Guarani, observem que os volantes Auremir, Zé Antonio, Wesley e Evandro são sobrecarregados, pois deixam de ser coadjuvados na marcação pelos meias Fumagalli e Marcinho, esse posicionado mais pelo lado esquerdo do campo.

LINHAS DE QUATRO

Isso contraria uma obviedade no futebol que é montagem de duas linhas de quatro, sendo a segunda linha com todos boleiros igualmente cobrados para o desarme. Do contrário dá sobrecarga aos volantes.

Não tendo meias de combatividade, cabe ao treinador Marcelo Chamusca enxertar o setor com mais um volante.

E não estou revelando isso apenas agora, que ficou mais perceptível o setor despovoado. Há muito tenho afirmado que em jogos contra adversários de mesmo nível, principalmente na condição de visitante, a pegada precisa ser multiplicada.

Quando essa situação se repete, o adversário do Guarani passa a tocar a bola e ter o controle do jogo. E quando se aproxima da área bugrina, mesmo que não complete a jogada, defensores rifam a bola que, na maioria das vezes, cai nos pés dos adversários para recomeço das jogadas.

CAMPINAS

Ah, por que isso raramente acontece nos jogos em Campinas?

Sim, raramente acontece porque o Guarani toma iniciativa ofensiva, o recuo do adversário é sintomático, e o jogo se desenvolve numa faixa de 40 metros de extensão. Aí, mesmo sem a combatividade exigida na meiúca, há compensação do recuo do adversário, o que permite maior capacidade de recomposição dos defensores bugrinos.

Não é preciso ensinar o bê-á-bá para o treinador Marcelo Chamusca. Ele sabe disso, mas não aplica.

E enquanto o time vai ganhando, essa cobrança não é feita. Quando perde, a situação fica bem configurada.

E não venham com a conversa fiada de que Série C joga-se na base do ‘bumba meu boi’, apenas dando chutão, porque isso não acontece com todos os clubes. O ABC, por exemplo, trabalha a bola como time de Série B.

Portanto, gente, ignore argumentos de que o time bugrino ficou desconcentrado após o acesso, ou jogou de salto alto após passar pela Arapiraquense.

Nada disso. O problema é a limitação da equipe e a postura tática inadequada contra adversários de mesmo porte.

Por fim, foram atualizadas as colunas Memórias do Futebol e Cadê Você. Dê uma espiada.

ARIOVALDO IZAC
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
Veja perfil completo
Veja todos