ABC goleia e mina chances de o Guarani sonhar com a final

Bugre perde por 4 a 0 em Natal pela semifinal

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

Eis a pergunta que não quer calar: ainda dá para o Guarani sonhar com disputa de título do Campeonato Brasileiro da Série C após a chapuletada em Natal na noite deste domingo por 4 a 0 para o ABC, pela fase semifinal da competição?

Se até o vidente Robério de Ogun erra em previsões, e errou feio ao cravar renúncia da então presidente Dilma Roussef - e ela teve mandato cassado -, quais dos mortais arriscarão prognóstico para o jogo da volta em Campinas, supondo o troco?

Alguns dirão que a goleada para o ABC teria sido fruto de uma noite irreconhecível do Guarani, e que a verdadeira cara da equipe foi mostrada diante da Arapiraquense em Campinas, semana passada.

Nem tanto, mestre. Apesar de aplicar goleada nos alagoanos por 3 a 0 - no jogo do acesso - exagera quem caracterizou como brilhante a atuação do Guarani naquela ocasião. Melhor defini-lo como eficiente na marcação, não dando a mínima chance para o adversário. Melhor reconhecer que manteve a média de bom aproveitamento no jogo aéreo ofensivo com o zagueiro Leandro Amaro, e soube aproveitar dois gols doados pelo adversários e bem aproveitados pelo centroavante Eliandro.

Que mais de objetivo ofensivamente teria feito o Guarani? Uma cabeçada do volante Wesley, bem defendida pelo goleiro Thiago Braga, e só.

EMOCIONAL

Lógico que transbordando de alegria o bugrino quis mais foi comemorar o acesso. Claro que o emocional sobrepôs ao racional, e o histórico de chances foi ignorado. Todavia, ele cabe perfeitamente para análise sobre a acachapante derrota para o time potiguar neste domingo.

Então, o que mudou de uma semana para outra, indaga o perplexo bugrino. Mudou que jogando em seus domínios, quando toma iniciativa de atacar, o adversário se resguarda e naturalmente o Guarani fica mais compactado e, consequentemente, com mais posse de bola para atacar.

Enfrentando adversário de nível técnico semelhante como o ABC, os papéis se invertem. É o mandante quem se lança ao ataque e isso exige pegada mais vigorosa do time bugrino.

Pois é, como esperar forte pegada se há sobrecarga aos volantes Zé Antonio e Auremir? E por que a sobrecarga? Porque os meias Fumagalli e Marcinho não são talhados à marcação. Como o ABC colocou cinco jogadores ocupando a meiúca sem a bola, ao retomá-la preencheu bem os espaços ofensivos com dois jogadores pelas beiradas de campo. Assim ditou o ritmo da partida.

GOLS

Naquele diapasão, era natural que a meta bugrina seria rondada frequentemente. Assim, o ABC foi criando chances reais de gols. Por duas vezes o goleiro Leandro Santos conseguiu evitá-los. Entretanto, na cabeçada de Jones Carioca isso não ocorreu e o time nordestino saiu na frente.

Depois falta frontal contra a meta bugrina e o talentoso meia Lúcio Flávio cobrou e mandou a bola no ângulo: 2 a 0.

Guarani criar? Nada disso. A única chance no primeiro tempo foi resultante de uma das raras falhas defensivas do ABC, que o centroavante Eliandro desperdiçou.

Como o time potiguar não diminuiu o ritmo intenso do primeiro tempo, após o intervalo, era prenúncio de mais gols. Primeiro com Jones Carioca, em jogada que o lateral bugrino Gílton parou pedindo impedimento. Depois em barreira mal arrumada e falta convertida por Lúcio Flávio, que pouco antes havia perdido gol incrível, ou, como queira, defesa difícil de Leandro Santos.

O Guarani perseguiu pelo menos um golzinho nos minutos finais de partida, enquanto o ABC - com larga vantagem - tratou de administrá-la.

ARIOVALDO IZAC
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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