Quem nasceu para ser Clayson não será Robinho ou Lucas Pratto

Empate por 2 a 2 com a Ponte Preta deu vaga ao Atlético Mineiro

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

A entrevista do goleiro Aranha, da Ponte Preta, aos repórteres de rádio de Campinas, após o empate por 2 a 2 com o Atlético Mineiro em Campinas, na noite desta quarta-feira, teria riqueza de conteúdo se fosse aprofundada.

Quando Aranha citou que a Ponte Preta perdeu a classificação na Copa do Brasil em vários detalhes, certamente ele ficou com cosquinha na garganta pra enumerá-los. Como não foi instigado e teve juízo para não se comprometer, concluiu a fala citando que o elenco pontepretano, humilde e dedicado, lutou bravamente contra um elenco milionário.

Na prática nem seria preciso Aranha se aprofundar nos tais detalhes. Qualquer pessoa de leitura mediana sobre futebol constata com clareza que a qualidade técnica do Galo mineiro fez a diferença para arrancar o empate de uma partida que presumia-se sair derrotado, visto que perdia por 2 a 0 até os 29 minutos do segundo tempo.

PRATTO E ROBINHO

Simples. Quando claras oportunidades de gols se ofereceram para os atacantes Lucas Pratto e Robinho, ambos mostraram frieza de boleiros que sabem enfrentar goleiros.

No desdobramento de cobrança de escanteio para o Galo mineiro aos 40 minutos do segundo tempo, após Aranha ter espalmado, Robinho, embora livre de marcação, observou três jogadores pontepretanos na tentativa de interceptar o chute quase em cima da risca, mas, com categoria, não permitiu interceptação e comemorou o gol.

Quatro minutos antes, Wellington Paulista fez jogada de fundo pelo lado direito e deu passe açucarado para o atacante Clayson. Adivinhem onde foi parar a bola? Perto do placar eletrônico do Estádio Moisés Lucarelli.

Aí está a diferença fundamental do jogador que decide para aquele que bem de vez em quando marca um golzinho.

Afora isso, convenhamos que Clayson vacilou na saída de bola que originou o gol de Lucas Pratto.

IGUAL POR IGUAL?

A Ponte jogou de igual por igual contra o Atlético Mineiro como citou o seu treinador Eduardo Baptista?

Igual por igual uma ova! Aí cabe recapitular fala de Aranha de um time humilde e dedicado.

A Ponte colocou em prática aquilo que sempre: forte pegada a partir do meio de campo, com apenas o atacante Roger desobrigado de marcar.

Assim, o Atlético Mineiro teve que rodar a bola pacientemente em busca de atalho que não encontrava para penetração, até que a qualificação técnica de seus jogadores fez a diferença.

A Ponte age corretamente quando coloca em prática forte malha de marcação. Faz da eficiência a importância fundamental para colheita de frutos, visto que com a bola procura fazer jogadas de velocidade nos espaços deixado pelo adversário.

Junta-se a isso a lucidez do meia Thiago Galhardo com inegável visão de jogo. Foi dele o passe que resultou no gol de Felipe Azevedo, que pegou muito bem na bola logo aos três minutos do segundo tempo.

Antes disso, quando o Galo já havia colocado em prática a proposta de adiantar a zaga para que o time não ficasse descompactado, deu espaço à Ponte para a opção de contra-atacar. O gol de Roger, aos 13 minutos do primeiro tempo, foi originado nesse expediente.

Diante dos fatos, embora a classificação tenha escapado das mãos dos pontepretanos, não há motivo para contestação, ou sair a procura de culpados.

Futebol é assim. Quem nasceu para ser Clayson não será Robinho ou Lucas Pratto.

ARIOVALDO IZAC
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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